domingo, junho 08, 2008

A Carta Falsa de Colombo?

Muitos animais quando pequenos são enganados a seguirem humanos como se estes fossem seus pais naturais e assim são domesticados sem saberem o que são de verdade. Seguem seus pais adoptivos cá e lá, gritam quando não os vêem de perto e acham que são humanos. Não cenhecem outra coisa. Alguns de espírito mais forte revoltam-se quando de certa idade e tornam-se naquilo que sempre foram: seres livres do jugo.

Da mesma forma muitos historiadores são ensinados desde jovens a seguir o que lhes ensinam sem questionar. A apoiarem as teses de seus professores e assim enfrentam uma vida professional como meros continuadores desses professores e não são inovadores ou verdadeiros investigadores.

Quem der uma vista de olhos ao blog dos Três Musqueteiros, mais conhecido como Pseudo-História Colombina, nota que tudo é feito com um certo professionalismo e de bom gosto visual. Nota ainda que técnicamente tudo está no seu lugar perfeitamente ajustado, nivelado e copiado. Mas nota-se também uma falta grave. A falta de critica áquilo que transcrevem. Não sabem fazer mais que copiar. Pois seu trabalho não é de apresentar interpretações ao que escrevem mas simplesmente actuarem como robots copy+paste, copy+paste. Para além disto no que toca à história em questão nota-se que têm a cautela de nunca transcrever para ali algo contrário às suas crenças forjadas por professores já mortos do mesmo moldo de copy+paste que por si também não questionavam nada.
Actuam como aqueles animais domesticados submersos em livros de mofo e pó
a quem jamais lhes cheirraá o ar fresco da selva .

Nos últimos dias aparecem por lá cartas e mais cartas apoiando a nacionalidade genovesa do Almirante. Já que o muito louvado Testamento de 1498 ficou arrasado por mim andam aflitos como animais na cela ás voltas sem saberem onde se esconderem. Não sabem outro modo de actuar senão rebuscar mais e mais coisas familiares que lhe tragam algum comforto de que aquilo em que sempre acreditaram era a verdade. "Génova", murmuram eles, "Génova! Mais coisas com Génova." Pois não têm alma de encararem-se com uma vida de mentiras.
Muitos até pensam que esta polémica só começou hoje ou em 1988 com o Prof. Mascarenhas Barreto e não sabem nada da verdadeira guerra que tem sido mantida por mais de quatro séculos entre os apoiantes de um genovês e os detractores que sempre viram que o lobo que nos vendiam era deveras uma ovelha disfarçada.

Para mim que nunca fui seguidor de ninguém mas que faço o meu julgamento baseado nos factos não tenho medo de enfrentar o establecimento mas também não sou burro. Não os vou enfrentar sem ter armas para isso e ainda algumas delas secretas. É com esta atitude que decidi meter aqui um texto de um autor que diz ter visto em Génova entre as muito famosas cartas de Colon e do Banco de S. Jorge uma carta original de Colon em Italiano. Em Italiano imaginem vocês!!!!!
Imaginem vocês que esta carta em Italiano não é nada mais nem menos que
aquela escrita em Espanhol palavra por palavra e assinada pelo Almirante.
Ou seja nos arquivos de Génova exisitia uma carta do Almirante em Espanhol e a mesma carta do Almirante em Italiano sendo as duas igualitas no seu conteúdo. Imaginemos agora que se isto é verdade os falsários pensaram em tudo e estariam bem preparados para apresentarem a carta ou em Italiano ou em Espanhol segundo fosse necessário.

Vejamos o que nos diz o Sr. Robert Dodge em 1851.

Para quem não saiba Inglês pode traduzir o texto no site de Alta Vista fazendo copy+paste, escolhendo "English to Portuguese" e carregando em cima de "Translate", como se vê na imagem à direita.






At the meeting of the NEW YORK HISTORICAL SOCIETY, held at its rooms, on the evening of the fifteenth day of January, 1850, I had the honor of presenting to the Society a copy of one of the very few remaining autograph letters of Christopher Columbus, in the original and beautiful Italian.
Upon the nineteenth day of January, 1
848, during my stay at Genoa, I had the opportunity of examining that city's proudest treasury, its Custodia of the Memorials of Columbus...
During the brief space that the Custodien allowed me to hold the letter in my hand, I succeeded in making a correct copy of the original, which, as one of but three landmarks of his history supplied by himself, and left for us, is justly regarded by his countrymen with no ordinary veneration....
I presented the copy that I thus had myself made, to the Society, without any accompanying data, which might be useful to demonstrate the originality and authenticity of the donation, as well as its historical importance....
The following is a copy of the letter in the original Italian, and translation obtained by myself from the same depository, in Genoa, January 19, 1848.


ALLI MOLTO NOBILI SIGNORI DEL MOLTO MAGNIFICO UFFICIO
DI S. GIORGIO A GENOVA.

Al di dentro Molto nobili Signori:
Benche il corpo cammini qua, il cuore sta li da continuo. Nostro Signore mi 'ha fatto la maggior, che dòpo David abbia fatto a nessuno. Le cose della mia impresa, giá risplendóno, e piu risplendérebbero, se la oscuritá del Governo non le coprisse.
Io torno alle Indie, in nome della Santissima Trinitá, per tornare subito; e perché, Io son mortale, lascio, a D. Diego, mio figlio, che di tutta la rendita, vi corresponda corti, per il decimo del totale, di essa, ogni anno, per sempre, in sconto, del prodotto, del grano, e vino, edaltre vettovaglie commestibile.
Se questo decimo sará molto, ricevetelo, e se no, ricevete la Volontá che io tengo. Vi prego, per grazia, che tengniàte riccomandato questo mio figlio. Messer Nicolo Odérigo sa dei fatti miei piu che io stesso, e lui ho mandato la copia dei miei privilegii, e carte ; perche li pongo in buona guardià, avrei piacere, che li vedreste.
Il Re e la Regina, miei Signori, mi vogliono onora piú che mai. La San. Trin. guardi le vostre nobili persone, e accresca in molto magnifico uffizio.
Fatto in Seviglia le 2 di Aprile 1502.
L'Ammiraglio Maggure del Mare Oceano, e Vice Re, e Governatore Generale delle Isole, e della Terra Ferma, del Asia, e delle Indie, del Re, e della Regina, miei Signori, e suo Capitano Generale del Mare, e del suo Consiglio.
S.
S. A. S.
X. M. Y.
Xpo. FERENS.

Supplex.
Servus. Altissimi Salvatoris.
Xristi. Mariffi. Josephi.
Christo Ferens.

TO THE MOST NOBLE GENTLEMEN OF THE ILLUSTRIOUS
BANK OF ST. GEORGE AT GENOA.


To the within Most noble Gentlemen :
Although the body travels hither, the heart remains with you for ever. Our Lord hath shown me greater grace than after David hath he shown to any one. The affairs of my enterprise are now resplendent, and will be more so, if the darkness of the government shall not overwhelm them.
I go again to the Indies, in the name of the Most Holy Trinity, to return speedily: and forasmuch as I am mortal, I leave in charge to Don Diego my son, that annually, for ever, he shall account to you for the one-tenth of all my income, in order to reduce the taxes on corn, wine and other provisions.
If this Tenth shall be considerable, accept it; and if not, accept the regard I entertain for you. I solicit your gracious consideration for my son. Signer Nicolo Oderigo, knowing of my affairs more than I do myself, I have sent him the copy of my Privileges and Charters; and as I thus place them in good guardianship, have the kindness to examine, when you see them.
The King and Queen, my Lords, treat me with more favor daily than ever. May the Most Holy Trinity safely keep your noble persons, and magnify you in your illustrious office. Done at Seville, the 2d of April, 1502.
The High admiral of the Oceanic Sea, and Vice Roy and Governor General of the Islands, and of the Terra Ferma, of Asia, and of the Indies, of the King and Queen, my Lords, and their Captain General of the Sea, and of their Council.

S.
S. A. S.
X. M. Y.
Xpo FERENS.


EXPLANATION OF THIS SIGNATURE.

Supplex.
Servus. Altissimi Salvatoris.
Xristi. Mariae. Josephi.
Christo Ferens.

The Suppliant

Servant of the Most High Saviour
Christ, of Mary, of Joseph
Christo Ferens or
Christopher.

MEMORIALS OF COLUMBUS, READ TO THE Maryland Historical Society, by ROBERT DODGE, 3 April, 1851. BALTIMORE: PRINTED FOR THE SOCIETY. MDCCCLI. JOHN D. TOY, PRINTER.


Agora acho interessante meter aqui um texto relativo a fraude de cartas de Cristóvão Colon anunciado por John Boyd Thacher em 1904 o mesmo ano em que aparece o famaoso Documento Assereto.

LETTER WRITTEN BY CHRISTOPHER COLUMBUS
TO THE DIRECTORS OF THE BANK OF ST. GEORGE

Of all the holographs which have come down to us from Columbus, none equals this in interest, not so much because of its subject-matter as for the part it has played in a famous forgery.
... If money to any great amount was ever lodged in the Bank of St. George by Columbus or his heirs, the fact is not recorded. His charities were never dispensed, because the funds were never deposited for that good purpose. Not a ducat was ever paid into the Bank and not a ducat was-ever paid out of the Bank ...

Sometime during the first week in August of the year 1829, Signor Antonio Lobero, the Archivist of the Bank of St. George, while rummaging among the old files, came across this letter.
He copied it and sent the copy to the Secretary of the Treasury. The municipal authorities learned of this, and as they already possessed the Codex, or Book of Privileges, and the two letters addressed to Oderigo, they asked that their Hall might become the repository of these relics.
Accordingly, in December, 1829, this letter was transferred to the Municipal Palace at Genoa, where it is at this day preserved....

... on October 17, 1883, was at work in the Paris National Library when he met an Italian, fluent in his French, who told him he was preparing a history of Columbus based on documents hitherto uncited and unknown, among which was a holograph letter then in his possession. Naturally, this interested Mr. Harrisse, who requested that he might see it. The Italian declined to show him the original, which he said was not in a fit condition to exhibit, but produced a photograph of it. This was at once recognised by Mr. Harrisse as apparently an exact counterfeit of the letter to the Bank of St. George, our letter No. XVIIII. When Mr. Harrisse announced his opinion that this was only a copy, the Italian smiled, and, saying that he had it from a priest, intimated that it might have been obtained from the archives at Genoa by unlawful means.... the man had been a fugitive from justice in Genoa, where, on September 6, 1882, he had been condemned to prison for theft and other crimes. In December, 1885, the man was delivered by the French authorities to the Italian Government, and thus returned to imprisonment in the Sant Giuliano Persiceto. .... is it within the range of possibility that he would have written twenty-five lines, counting the mark of the cross and the signature, making each letter of each word of one copy with exactly the same characters, the same dimension, the same shading, and placing it in exactly the same relative position as the same letter in the other copy! Only a skilled forger can do that.
- Christopher Columbus: HIS LIFE, HIS WORK, HIS REMAINS. AS REVEALED BY ORIGINAL PRINTED AND MANUSCRIPT RECORDS By John Boyd Thacher, Volume III, pg 252. G. P. PUTNAM'S SONS, NEW YORK AND LONDON. The Knickerbocker Press. 1904


quarta-feira, junho 04, 2008

Cristóvão Colon é ainda um mistério

...Manuel da Silva Rosa disse ser um seguidor do professor Mascarenhas Barreto que segundo ele "tem sido a ponta de lança que tem aberto o caminho" a outros investigadores. Depois de provar que o testamento é falso, o historiador investiga agora quem foi Cristóvão Colon, porque "o mais importante é provar qual nobre português era ele antes de se casar..." ler artigo inteiro no Diário do Sul

segunda-feira, junho 02, 2008

Nem a CIA trabalha tanto encoberto...

Achei interessante meter aqui este email que só pela Graça de Deus veio parar às minhas mãos por causa de uma gralha no endereço de email para quem esta mensagem seguia.
O pior disto tudo é que em vez de estas pessoas começarem a pensar que há nesta história algo que deve de ser revistado, fazem o contrário. Aceitam que a história está correcta e que nós é que andamos errados.
Actuando dessa forma juntam-se em bandos secretos a trabalhar por detrás das cenas escrevendo em blogues anónimamente e planeando entre si como derrubar a muralha do Colon Português para conseguirem manter de pé a farsa do Colombo Genovês somente para que os seus colegas e seus antepassados não venham a ser conhecidos no mundo como enganados em apoiarem aquela história de fantasia.

"De: xxxxxx xxxxxxxx

Data: 03/26/08 16:22:17
Para: xxxxxxxx @hotmail.com
Assunto: Manuel Rosa e suas divagações

Caríssixx xxxx xxxxxxxxxx,

Como tem passado? Espero que se encontre bem.

Bom…envio-lhe este e-mail porque penso que o Manuel Rosa já está a ultrapassar os limites de tudo…!
Como é que ele se atreve a falar mal da “comunidade científica portuguesa” se tem uma reduzida ideia dela?
Como é que o Manuel Rosa se arvora em “erudito historiador” se tem parcos conhecimentos?
Como é que fala em “genealogia” e “heráldica” se não conhece os princípios mais elementares?

Por tudo o que acima escrevi, eu tenho para mim que se impõe uma intervenção vigorosa. Bom seria que “certos meios” interviessem, até porque já existem extrapolações abusivas. Nem sempre o silêncio ou o alheamento, são as melhores respostas.
Gostaria de saber o que pensa sobre este delicado assunto.

Abraço Amigo,
xxxx x x xxxx"

Digo ainda que o Manuel Rosa mesmo sem ser perito em "genealogia" nem "heráldica" nem membro da "comunidade científica portuguesa" conseguiu provar que o brasão aceite por todos não era o verdadeiro. Conseguiu provar que a genealogia de Filipa Moniz não estava provada. Conseguiu provar que comunidade cientifica mundial estava errada em aceitar que:
- Colon não sabia medir Latitudes
- que Colon pensava viajar para a Índia
- que a paragem em Lisboa Março de 1493 foi por causa de uma tempestade.
- que o Testamento de 1498 era deveras redigido por Colon.
Enfim tudo isto só prova quanta inteligência foi necessária para fazer aquilo que os instruídos no tema não conseguiram fazer.

domingo, junho 01, 2008

A Cuba nos círculos de Cristóvão Colon (parte 2)

O Duque de Medina Sidonia, cujas relações com D. Fernando - O católico - não eram as melhores, remeteu Cristóvão Colon para um seu primo, o Duque de Medinaceli. Por uma carta escrita pelo Duque de Medinaceli aos Reis Católicos, sabemos que Cristóvão Colon esteve cerca de dois anos como hóspede do Duque.

Olhando as ligações familiares de D. Luís de La Cerda, verificamos que sua filha, Leonor, era casada com Rodrigo Mendoza, descendente dos Furtado Mendonça / Hurtado Mendoza (ramos do Alentejo e da Andaluzia), e mais concretamente do próprio Alcaide de Beja.

O filho de D. Luís de la Cerda, Juan de La Cerda, que veio a ser o 2º Duque, casou com Mécia Manoel, filha de D. Afonso de Bragança e Dª Maria de Noronha. Dª Maria de Noronha era descendente de Dª Filipa de Ataíde, em cuja família ficara entretanto o título de Senhores de Castanheira (como se mostrará noutro quadro).

Verifique-se que um irmão de Dª Mécia Manoel, D. Fernando de Faro, era casado com Dª Isabel de Melo, descendente de Vasco Martins de Melo, já referido.

Uma descendente de outro irmºao (D. sancho de Noronha), Joana Manoel de Noronha casou com D. Juan de La Cerda, 4º Duque de Medinaceli, filho do 2º Duque.

Constatam-se pois, estreitas relações familiares entre o Duque de Medinaceli, que acolheu Cristóvão Colon em sua casa, durante dois anos, até que este conseguisse convencer os Reis Católicos a aceitar o seu projecto, e famílias portuguesas, com especial relevo para os Senhores de Castanheira e os Bragança.


Após ter apresentado a sua proposta aos Reis Católicos, Cristóvão Colon teve de sujeitar-se às avaliações de uma Junta de Sábios em Castela, presidida por Frei Hernando de Talavera.

O maior apoiante de CC dentro da Junta foi Frei Diego Deza.

Este Frei Diego Deza era nem mais nem menos que um português, Diogo de Eça, filho de D. Fernando de Portugal e descendente do Rei D. Pedro.

Interessantíssimas as ligações familiares de Frei Diego Deza, apoiante de Cristóvão Colon.

Os seus sobrinhos, filhos de Pedro de Eça, alcaide de Moura, casam com descendentes das famílias Zarco, Ataíde, Moniz e uma sobrinha-neta com um descendente de Vasco Martins de Melo. Dos seus outros irmãos, Garcia e Fernando, há dois casamentos com descendentes de Vasco Martins de Melo e um outro com descendente Zarco. As sobrinhas de Frei Diego Deza casam na região do Alentejo, com Senhores de vilas contíguas a Cuba (Alvito, Viana, Alcáçovas) e uma outra (Leonor de Sotomaior) tem mesmo uma relação com o Duque de Beja, D. Diogo, filho do Infante D. Fernando, 1º Duque de Beja.

Todas as ligações no quadro se referem à época em análise.


Continuando uma análise cronológica dos acontecimentos, afastamo-nos um pouco das ligações por casamento, para olhar sobre Juan de La Cosa, mestre e proprietário da Nau Santa Maria, na qual viajou Cristóvão Colon.

Seria Juan de La Cosa o piloto ao qual o Rei D. João II ofereceu uma compensação quando Cristóvão Colon se apresentou em Lisboa, no regresso da viagem da descoberta? Seria tal compensação atribuída pelo encalhe, possívelmente propositado, da Santa Maria de forma a deixar os fidalgos castelhanos abandonados na Hispaniola?

E que significado tem a miniatura de S. Cristóvão desenhada no mapa de Juan de la Cosa, sobre o Novo Mundo? E porque foi mandado pintar na Cuba um S. Cristóvão semelhante? Será que o Padre João Vieira Mendes e o patrono Martinho Janeiro de Barahona eram descendentes de Diego Mendez (secretário do Almirante) e João de Barahona (cunhado do Almirante)?



Ainda na viagem de regresso, Cristóvão Colon viu-se obrigado, devido a uma tempestade segundo relatado, a aportar a Santa Maria nos Açores.

O capitão da ilha de Santa Maria era João de Castanheira e os relatos sobre o episódio referem que, após alguma fricção inicial, foi Cristóvão Colon muito bem acolhido em Santa Maria

Este nome não era o nome próprio do capitão, que "por acaso" fora Cavaleiro da Casa do Infante D. Fernando, Duque de Beja.

O seu verdadeiro nome era João de Melo da Cunha, mais um descendente de Vasco Martins de Melo - Senhor de Castanheira..., e ficou conhecido por João de Castanheira devido ao título que pertenceu à família, tendo os antepassados sido fidalgos reais.

Em mais um episódio inexplicável para a teoria de Colombo genovês, após a sua audiência de três dias com o Rei de Portugal, D. João II, no regresso da sua descoberta, antes de dirigir para Castela, a rainha Dª Leonor mandou chamar Cristóvão Colon ao Convento de Santo António de Castanheira, onde se encontrava recolhida. Ali se encontaram para Cristóvão Colon beijar as mãos à Rainha. Que especial consideração teria Dª Leonor por um genovês empertigado ?

Lembremos que Dª Leonor era filha do Infante D. Fernando, Duque de Beja. Saliente-se o facto de se encontrar em Castanheira, um domínio dos Senhores de Castanheira

Vejamos então quem eram os Senhores de Castanheira.

O primeiro Senhor de Castanheira foi Vasco Martins de Melo, ao qual sucederam Gonçalo e depois Pedro Vaz de Melo. Devido ao casamento de Leonor de Melo com Álvaro de Ataíde ficou este como titular, tendo-lhe sucedido Pedro de Ataíde.

Mas não eram apenas Senhores de Castanheira, Povos e Cheleiros.

Desde 1377 que a família detinha os Direitos sobre a aldeia de Cuba, atribuídos pelo Rei D. Fernando a Vasco Martins de Melo.

Os Senhores de Castanheira eram os poderosos da Cuba.

Concluímos então que, a Cuba está indissociavelmente ligada aos personagens que fazem parte dos círculos, familiar, social e profissional de Cristóvão Colon
(continua)

sábado, maio 31, 2008

Associação Cristóvão Colon
No dia 20 de Maio de 2008 foi constituída em Portugal a "Associação Cristóvão Colon", com sede na vila de Cuba, Alentejo. Trata-se de uma Associação sens fins lucrativos, cujo objecto é "Defender por todos os meios legítimos, a nível mundial, a portugalidade do navegador Cristóvão Colon, promovendo a divulgação dos respectivos factos históricos".

Da esquerda para a direita; José Matos Anastácio, João Moniz, Manuel Luciano da Silva, António Perestrelo Cavaco, Sílvia Jorge da Silva, Pedro Laranjeira, João Garcia, Maria da Luz Calado, Manuel Rosa, Carlos Calado, Palmira Vargas Oliveira, Francisco Carlos Oliveira, Henrique Zarco, João Brandão Ferreira, Abel de Lacerda, Francisco Matoso, Francisco Orelha, Julieta Marques, Francisco Pólvora, Abel Cardoso, Paulo Alexandre Loução. (leiam o artigo de Pedro Laranjeira na revista Prespectiva)

No dia 15 de Dezembro de 2007 foi formalmente criada nos Estados Unidos a ASSOCIATION CRISTOVAO COLON completada com o seu registo de "Non-Profit" no Estado de North Carolina e foram registados os seguintes nomes de domínios na Internet CRISTOVAOCOLON.EU, CRISTOVAOCOLON.COM, e CRISTOVAOCOLON.PT. Foi ainda criada uma Academia do Cristóvão Cólon no Estado de Rhode Island a 3 de março de 2008.
Estas associações serão abertas a inscrição de membros e trabalharam em conjunto para promover a investigação e promoção da verdadeira história do Descobridor das Américas. Para inscrições e mais novidades haverá em breve o site de internet
ASSOCIATION CRISTOVAO COLON onde se pretende ser o ponto de encontro para tudo o que tem a ver com este tema.


sexta-feira, maio 30, 2008

A Cuba nos círculos de Cristóvão Colon

Esta apresentação, tornada pública no dia 24 de Maio na Conferência "Cristóvão Colon, Portugal e a Cuba", baseia-se em pesquisas sobre as ligações estabelecidas pelo personagem que se tornou no Almirante Don Cristoval Colón, abrangendo os períodos português e castelhano da sua vida conhecida.

Essas ligações estabelecidas pelo personagem CC (qualquer que fosse o seu verdadeiro nome e a sua nacionalidade) ao nível familiar, social e profissional, mostram-nos uma matriz comum - Cuba.

Os quadros que a seguir apresentamos baseiam-se em factos documentados (as relações de CC com o personagem) e desenvolvem-se depois através da pesquisa na Base de Dados Geneall.



Sabe-se que CC casou com Filipa Moniz (e não vem aqui ao caso se era mais nobre ou menos nobre, se era Dona ou não Dona).
Filha de Isabel Moniz e Bartolomeu Perestrelo, uma das irmãs (meia-irmã) de Filipa era Izeu Perestrelo de Mendonça, casada com Pedro Correia da Cunha. Sabe-se que os casamentos, naquela época, não aconteciam por amor entre os noivos, mas sim por acordos ou negócios de família. O filho de Izeu e Pedro, Jorge Correia da Cunha casou com Leonor de Melo, trineta de Vasco Martins de Melo - senhor de Castanheira, Povos e Cheleiros.

Temos assim que, no círculo familiar de CC, através do seu casamento com Filipa, entra a descendência de Vasco Martins de Melo.


Segundo a História, CC apresentou ao Rei D. João II o projecto de chegar à Índia navegando para Ocidente, que o monarca português recusou. Com base nessa relação profissional entre CC e D. João II, olhemos alguns dados relativos a cada um deles, sintetizados esquematicamente.

D. João II, casado com D. Leonor, filha do Infante D. Fernando, atribui à aldeia de Cuba, em 1487, privilégios de concelho. essa mesma aldeia onde existia o Paço Ducal do Duque de Beja, mandado construir por um seu antecessor . Portal esse que está decorado com o símbolo de três romãs abertas, tal como no manto de CC, no quadro "Virgem dos navegantes" em Sevilha.


Por outro lado, sabemos que D. João II manteve uma relação com Ana de Mendonça, da qual nasceu D. Jorge de Lancastre.

Ana de Mendonça era filha de Nuno Furtado de Mendonça, duma família da região de Beja. Uma irmã de Nuno de Mendonça era Violante Nogueira, Comendadeira Mor do Convento de Santos, da Ordem de Santiago. Filipa Moniz (considerda Dona ou não) era pensionista no Convento de Santos e D. João II era o Mestre da Ordem de Santiago, definindo um círculo social que assinalamos no quadro.

Um irmão de Nuno Furtado de Mendonça, Duarte Furtado de Mendonça era casado com Genebra de Melo, bisneta de Vasco Martins de Melo - senhor de Castanheira ..., já referido em quadro anterior.

Pouco mais se sabe do que foi a vida de CC em Portugal. Quando surge em Castela, em condições que são objecto de polémica, procura auxílio junto do Duque de Medina Sidónia (Enrique Guzmán, 2º Duque).
O Duque de Medina Sidonia era casado com uma descendente das famílias Hurtado de Mendoza/Furtado de Mendonça (ramos andaluz e alentejano) e a neta, Leonor de Guzman casou com o 4º Duque de Bragança - D. Jaime, neto do Infante D. Fernando, Duque de Beja.
Por outro lado, a filha do Duque de Medina Sidonia, Francisca Guzman, casou com Diogo de Melo Coutinho, bisneto de Vasco Martins de Melo - senhor de Castanheira...




(continua)

sexta-feira, maio 23, 2008

Testamento Sem Fundamento

Muito se tem dito e feito sobre o testamento de 1498 que se dizia era um rascunho redigido por Cristóvão Colon antes de fazer o seu verdadeiro testamento de 1502. Deixo aqui o texto desse testamento com todas as falsidades explicadas. Basta somente UMA falsidade para provar a fraude do documento. Uma só bastaria para que os historiadores o descartassem. Mas ele tem mais que uma falsidade e somente quem tiver fé é que aceitará este documento como outra coisa que uma fraude - e a história não deve de ser escrita por fé mas por documentos fiáveis.
Para aqueles que não dão fé a este documento cai hoje a única prova que ligava o Almirante Colon de Castela ao tecelão Colombo de Génova. As falsidades ou dúvidas vão explicadas entre [ ] logo a seguir no contexto onde aparecem no original.

TRANSCRIÇÃO DO TEXTO DO TESTAMENTO DE 1498
{ } Indica adição. [ ] Indica supressão. / Indica início de página.

Treslado de Testamento y mayorazgo del Almirante don Xpoval Colon
En el nombre de la Santísima Trinidad, [Todos os documentos sobre o Mayorazgo de Colon dizem que este começava com as palavras “En la muy noble ciudad de Sevilla.] el cual nos puso en memoria y después llegó a perfeta inteligençia que podría navegar e ir a las Indias desde España pasando el mar Océano al Poniente, y assí lo notifiqué al Rey Don Fernando y a la Reina Doña Isabel Nuestros Señores, [Estranho uso dos nomes Isabel e Fernando em vez de “Suas Altezas” (como se vê no parágrafo a seguir) - era por todos sabido que, em 1498, os monarcas eram Fernando e Isabel e não outros. Só uma pessoa a escrever muitos anos mais tarde, noutro reinado, sentiria a necessidade de especificar quais eram os reis em 1498.] y les plugo de me dar abiamiento y aparejo de gente y navíos, y de me hacer su Almirante en el dicho mar Océano, alende de una raya que marcaron sobre las islas de Cabo Verde y aquellas de los Azores, çien leguas que pase de polo a polo, que dende allí adelante al Poniente fuese su Almirante, y que en la tierra firme e islas que yo fallase y descubriesse [e]dende aí en adelante, que d´estas tierras fuesse yo su Virey e Gobernador, e sucediesse en los dichos oficios mi hijo mayor e así de grado en grado para siempre jamás, e yo obiesse el diezmo de todo lo que en el dicho Almirantazgo se fallasse e obiesse e rentasse, e ansí mismo la ochava parte de las tierras e todas las otras cossas y el salario que es raçón llevar para los oficios del Almirante, Visorrey e Gobernador, por todos los otros derechos perteneçientes a los dichos oficios, así como todo más largamente se contiene en este privilegio y capitulaçión que de Sus Alteras tengo. Y plugo a Nuestro Señor Todopoderosso que en el año de 1492 descubriesse la tierra firme de las Indias y muchas islas, entre las cuales es la Española, que los indios d´ellas llaman Heiti. Después bolví a Castilla a Sus Alteças y me tornaron a recevir la impressa ha poblar e descubrir más. E anssí me dio Nuestro Señor bitoria con que conquistasse e ficiesse batería a la gente de la Española, la cual boja seiscientas leguas, y descubrí muchas islas a los caníbales, y setecientas al Poniente de la Española, entre las cuales es aquesta de Xamaica, [A Jamaica não tinha qualquer importância em 1498 e só veio a tê-la, após a morte de Cristóvão Colon, porque seu neto foi feito 1º Marquês de Jamaica. (a Terra Firme que ficava ao Sul e Ocidente era a Paria e só foi descoberta no Verão de 1498] a que nos llamamos de Santiago, e trescientas e treinta e tres leguas de tierra firme de la parte del Austro al Poniente, allende ciento y siete de la parte del Setentrión, que tenía descubierto al primer biaje con muchas islas, como más largo / se verá por mis escripturas y cartas de nabegar. Y porque esperamos en aquel alto Dios que se a de aber antes de grande tiempo buena e grande renta de las islas e tierra firme, de la cual por la raçón sobreescripta me perteneze el dicho diezmo, ochavo y salarios y derechos sobredichos, e porque somos mortales, bien es que cada uno hordene y dexe declarado a sus herederos y sucesores lo que a de aver y obiere, e por esto me pareció de componer d´esta ochava parte de tierras e oficios e renta un Mayorazgo, así como aquí abaxo diré.
Primeramente que se aya de suçeder a mí Don Diego, mi hijo; y si d´él de{s}pusiere Nuestro Señor antes que él obiese hijo, que ende suceda Don Fernando, mi hijo; y si d´él de{s}pusiere Nuestro Señor sin aver hijo, que suceda Don Bartolomé, mi hermano, y dende su hijo mayor; y si d´él de{s}pusiere Nuestro Señor sin heredero, que suceda Don Diego, mi hermano, siendo casado o para poder casar; que suceda a él su hijo mayor, e así de grado en grado perpetuamente para siempre jamás, començando en Don Diego, mi hijo, e subçediendo sus hijos de uno en otro perpetuamente, o faleciendo el hijo suyo suceda Don Fernando, mi hijo, como dicho es, e así su hijo, y prosigan de hijo en hijo para siempre y él y los sobredichos Don Bartolomé, si a él llegare, y a Don Diego, mi hermano. Y si a Nuestro Señor plugiere que después de aver pasado algún tiempo este Mayorazgo en uno de los dichos sucesores, y biniese a prescribir herederos legítimos,
[Esta cláusula refere um problema que só viria a existir após a morte de D. Luís Colon, em 1572, sem deixar herdeiro legítimo. Como a mais próxima pessoa na sucessão era uma fêmea, deveria procurar-se em todas as partes do mundo um varão COLON, por mais afastado que fosse. Será que Cristóvão Colon preferiria deixar a herança a um qualquer parente afastado, em vez de a transmitir aos seus próprios descendentes, só por esses descendentes serem fêmeas?] aya el dicho Mayorazgo e le suceda el pariente más allegado a la persona que heredado lo tenía, en cuyo poder prescribió, siendo hombre legítimo que se llame e se aya siempre llamado de su padre e antecesores, llamados de los de Colón. [Aqui se tenta fazer dos dois nomes (COLON e COLOMBO) um só, que nunca foram, não o eram, nem o são ainda hoje]
El cual Mayorazgo en ninguna manera lo herede mujer ninguna, salbo si aquí o en otro cabo del mundo se fallase hombre de mi linage verdadero que se hubiese llamado y llamasse él e sus antecesores de Colón. Y si esto acaesçiere, lo que Dios no quiera, que en tal caso lo aya la mujer más llegada en deudo y en sangre legítima a la persona que ansí abía / logrado el dicho Mayorazgo, y esto será con las condiciones que aquí abajo diré, las cuales se entienden que son ansí por Don Diego, mi hijo, como por cada uno de los sobredichos o por quien sucediere, cada uno d´ellos, las cuales cumplirán; y no cumpliéndolas, que en tal casso sea privado del dicho Mayorazgo, e lo aya el pariente más llegado a la tal persona, en cuyo poder avía escripto por no aver cumplido lo que aquí {diré}; el cual así también le cobrarán si él no cumpliere estas dichas condiciones que aquí abajo diré, {y} tambien sea pribado d´ello, y lo aya otra persona más llegada a mi linaje, guardando las condiciones que ansí durarán perpetuo, y será en la forma sobredicha en perpetuo. La cual pena no se entienda en cosas de menudençias que se podrían mentar por pleitos, salbo por cosa gruesa que toque a la onra de Dios y de mí y de mi linaje, como el cumplir libremente lo que yo dexo hordenado, cumplidamente como digo, lo cual todo como digo que encomiendo a la justicia, y suplico a el Santo Padre [O falsário até ao Papa pede para intervir em sua ajuda! Será que era normal o Papa ser chamado para intervir num processo de herança?] que agora es y que sucediere en la Santa Iglesia, agora o cuando acaesçiere, que este mi compromisso y testamento aya de menester para se cumplir de su santa ordenación e mandamientos, que en birtud de obediencia y so pena de descomunión papal lo mande, y que en ninguna manera jamás se disforme. E ansí lo suplico al Rey e a la Reina, Nuestros Señores, y al Príncipe Don Juan su primogénito Nuestro Señor, [Para além de suplicar ao Papa, o falsário suplica a alguém já falecido. Este Príncipe D. Juan morreu a 4 de Outubro de 1497. Todos os historiadores que apoiam a genuinidade deste documento, só o podem fazer se aceitarem que o Almirante desconhecia, quatro meses passados sobre o óbito, a 22 de Fevereiro de 1498 (data do documento), que o Príncipe tinha morrido. Mas ele sabia-o, dado que não só era um dos Almirantes, Governadores e Vice-reis com o dever de tomar parte nas cerimónias do funeral, como tinha enviado os seus dois filhos à corte, para servirem de pajens à Rainha, por causa da morte do Príncipe.
Seu filho D. Hernando diz: “Para que D. Diego meu irmão, e eu, que havíamos servido de pajens ao Príncipe D. Juan, o qual então tinha morrido, não fôssemos causa de sua tardança, e não estivéssemos ausentes da Corte por altura da sua ida, mandou-nos, a 2 de Novembro do ano de 1497, desde Sevilha, servir de pajens à sereníssima Rainha D. Isabel, de gloriosa memória.” Ao ficar demonstrado que, apenas um mês após a morte, já Cristóvão Colon não ignorava que o Príncipe herdeiro havia falecido, fica claramente exposta a falsificação deste documento.] y a quien sucediere por los serviçios que yo les he hecho, e por ser justo {qu}e le plega y no consientan ni consienta se disforme este mi compromisso de Mayorazgo y Testamento, salbo que quede y esté ansí y por la guissa y forma que yo le hordené para siempre jamás, porque sea a servicio de Dios Nuestro Señor Todopoderoso y raíz e pie de mi linage e memoria de los servicios que a Sus Alteras he hecho, que siendo yo nacido en Génoba les bine a servir aquí en Castilla, [Cirstóvão Colon sempre manteve secreta a sua identidade e a sua nacionalidade, até à morte em 20 de Maio de 1506. Por isso, não faz sentido que as tivesse revelado ao mundo no ano de 1498. Acresce que só quem ignorasse a verdade dos factos é que diria que Cristóvão Colon foi de Génova para Castela: ele vivia em Portugal, estava casado em Portugal e foi de Portugal e não de Génova que ele foi servir em Castela. A preocupação subjacente à redacção deste documento não foi dizer a verdade, mas, sim, a de tentar estabelecer uma ligação entre um Baltasar Colombo falsário e um secretíssimo Cristóvão Colon. Por este não ter nome ou nacionalidade claramente conhecida, serviu-se o outro disso para forçar uma nacionalidade adequada e um parentesco, a fim de se intrometer numa riquíssima herança, a que nunca teve qualquer direito] y les descobrí al Poniente de tierra firme las Indias y las dichas islas sobredichas. / Así que suplico a Sus Altesas que sin pleito ni demanda ni dilación manden sumariamente que este mi Previlegio e Testamento balga e se cumpla, [Então não era normal que um Testamento valesse? Seria preciso pedir à corte que o considerasse válido, especialmente quando Cristóvão Colon tinha uma Cédula Real com autorização da Corte para fazer um testamento? Então ele já sabia, em 1498, que iria haver um pleito em 1578 e que este documento precisava de ser validado? Para o falsário era importantíssimo que fosse este Testamento que valesse, a fim de forçar que a herança caísse nas suas mãos, de Colombo Italiano, que nem sequer parente afastado da família era.] ansí como en él fuere y es contenido, y ansí mismo lo suplico a los grandes Señores de los Reinos de Su Altesa e a los del su Consejo y a todos los otros que tienen o que tubieren cargo de justicia o de regimiento, que les plega de no consentir que esta mi hordenaçión e Testamento sea sin bigor y birtud y se cumpla como está hordenado por mí, ansí por ser muy justo que persona de título e que a servido a su Rey e Reina e al Reino, que balga todo lo que hordenare y dexare por Testamento o compromiso o mayorazgo o heredad, y no se le quebrante en cosa alguna ni en parte ni en todo.
Primeramente tratará Don Diego, mi hijo, y todos los que de mí subcedieren e descendieren, y ansí mis hermanos Don Bartolomé e Don Diego mis armas que yo dexaré después de mis días,
[Estranho é também que fosse preciso deixar o brasão de armas ao herdeiro através de um testamento! O primogénito herdava sempre as armas do pai, a não ser que o rei fizesse alguma modificação. Talvez fosse prática corrente em Itália deixar armas por Testamento, mas o mais plausível é que Baltasar “COLOMBO”, que não tinha direito nenhum às armas dos “COLON”, forçasse assim uma maneira de as herdar, se conseguisse levar avante o seu plano.] sin reserbar más ninguna cosa d´ellas, y sellará con el sello d´ellas Don Diego, mi hijo, o cualquier otro que heredare este Mayorazgo. Y después de aver heredado y estado en posesión d´ello, firme de mi firma [Outra falsificação bem patente: é como dizer "assinará com a minha assinatura"! Todos nós aperfeiçoamos a nossa assinatura. É nossa e só nossa. E é a mesma dia após dia. Também a sigla aqui está errada pois Cristóvão Colon nunca usou pontos em volta do X, M, A ou Y; eles só apareciam em volta dos três SS. Além do mais, esta sigla envolve um segredo importantíssimo, que servia somente a Cristóvão, pelo que nunca este forçaria os herdeiros a usá-la, nem eles, aliás, alguma vez o fizeram. Assinaram à sua maneira.] la cual agora acostumbro, que es una .X. con una .S. ençima y una .M. con una .A. romana encima, y encima d´ella una .S. y después una .Y. greca con una .S. encima con sus rayas y bírgulas como agora hago y se parecerá por mis firmas, de las cuales se hallarán y por esta parecerá. Y no escribirá sino «El Almirante», puesto que otros títulos el Rey le diesse o ganase, y esto se entiende en la firma y no en su ditado, que podrá escribir todos sus títulos como le plugiere, solamente en la firma escripta «Almirante». [Outra vez, o falsário, por desconhecer os pormenores da vida do Almirante, comete um erro. Um Testamento requer que seja assinado pelo nome da pessoa e não por um título. A prova encontra-se no Testamento verdadeiro de Cristóvão Colon, onde que ele assinou “Christo Ferens”, como foi testemunhado pelo Notário, em 19 de Maio de 1506.]
Habrá el dicho Don Diego o cualquier otro que heredare este Mayorazgo mis oficios de Almirante del mar Océano, que es de la parte del Poniente de una raya que mandó asentar imaginaria su Alteça sobre a cien leguas sobre las islas de los Açores, y otro tanto sobre las de Cabo Verde, la cual por todo a Polo a Polo, / allende de la cual mandaron e me hicieron su Almirante en la mar con todas las preheminençias que tiene el Almirante Don Enrique en el Almirantazgo de Castilla, [Não havia nenhum Almirante “Don Enrique”. O Almirante em 1498 chamava-se Don Fadrique. Nas Capitulaciones de Santa Fe está “..según lo tenía el dicho Almirante don Alonso Enríquez”. Os Almirantes de Castela foram: 1º Alonso Enríquez de Castilla (Almirante 1405-1429), 2º Fradique Enriquez (Almirante 1429-1473), 3º Alonso Enriquez, conde de Melgar (Almirante 1473-1485), 4º Fadrique Enríquez de Cabrera, conde de Módica (Almirante 1485-1538). Como se vê, não houve nenhum Almirante “Don Enrique” e o Almirante Colon bem o sabia, em 1498.]
e me hiçieron su Visorey e Gobernador perpetuo para siempre jamás, y en todas las islas e tierra firme, descubiertas e por descubrir, para mí e para mis herederos, como más largo parece por mis privilegios, los cuales tengo, e por mis capítulos, como arriba dice. Item en que el dicho Don Diego, o cualquier otro que heredare el dicho Mayorazgo, repartirá la renta que a Nuestro Señor le plugiere de le dar en esta manera so la dicha pena.
Primeramente dará todo lo qu´este Mayorazgo rentare agora e siempre, e d´él e por él se obiere o rendare, la cuarta parte cada año a Don Bartolomé Colón, Adelantado de las Indias, mi hermano, y esto hasta que él aya de su renta un cuento de maravedís para su mantenimiento y trabajo que a tenido y tiene en servir este Mayorazgo; el cual dicho cuento llevará, como dicho es, cada año si la dicha cuarta parte tanto montare, si él no tuviere otra cosa; mas teniendo algo o todo de renta, que des en adelante no llebe el dicho cuento ni parte d´ello, salvo que desde agora abrá en la dicha cuarta parte fasta la dicha cuantía de un cuento, si allí llegare; y tanto que él aya de renta fuera d´esta cuarta parte cualquier suma de maravedís de renta conocida de bienes que pudiere arrendar o oficios perpetuos, se le descuentará la dicha cantidad que ansí abrá de renta o podría aver de los dichos sus bienes e oficios perpetuos; e del dicho un cuento, será reservada cualquier dote o casamiento que con la muger que con él casare o hubiere, ansí que todo lo que él obiere con la dicha su muger no se entenderá que por ello se le aya de descontar nada del dicho cuento, salvo de lo que él ganare o hubiere allende del dicho casamiento de su muger. E después que pluga a Dios que él o sus herederos o quien d´él descendiere aya un cuento / de renta de bienes y oficios, si los quisiere arrendar, como dicho es, no abrá él ni sus herederos más de la cuarta parte del dicho Mayorazgo nada, y lo abrá el dicho Don Diego o quien heredare.
Item abrá de la dicha renta del dicho Mayorazgo [o] de otra cuarta parte d´ello Don Fernando, mi hijo, un cuento cada un año, si la dicha cuarta parte tanto montare, fasta que él aya dos cuentos de renta por la mesma guisa o manera que está dicho de Don Diego, digo de Don Bartolomé, mi hermano, él y sus herederos, que ansí abrán el dicho cuento o la parte que le cupiere para ellos.
Item el dicho Don Diego y Don Bartolomé ordenarán que aya de la renta del dicho Mayorazgo Don Diego, mi hermano, tanto d´ello con que se pueda mantener honestamente, como mi hermano que es, al cual no dexo cosa limitada porque él quería ser de la Iglesia;
[O verbo correcto seria “quer ser” pois o quería ser refere-se ao passado, indicando que este documento foi escrito em data posterior ao facto e muito depois da morte do irmão D. Diogo, pois D. Diogo só foi naturalizado em 1504 para poder concorrer a tal posto e morreu em 1515, sem obter o pretendido posto eclesiástico, “como queria”.]
y le darán lo que fuere raçón y esto sea del monte que es, antes que se dé nada a Don Fernando, mi hijo, ni a Don Bartolomé, mi hermano, y a sus herederos, y también según la cantidad que rentare el dicho Mayorasgo; y si en esto ubiere discordia, que en tal caso se remita a dos personas de bien, que ellos tomen la una y el otro tome la otra, y si no se pudiesen conçertar, que los dichos compromisarios escojan otra persona de bien que no sea sospechossa a ninguna de las partes.
Item que toda esta renta que yo mando dar a Don Bartolomé y a Don Fernando y a Don Diego, mi hermano, la ayan y le sea dada, como arriba dize, con tanto que sean leales y fieles a Don Diego, mi hijo, o a quien heredare ellos y sus herederos; y si se hallasse que fuessen contra él en cosa que toque y sea contra su honra y acrecentamiento de mi linaje e del dicho Mayorazgo, en dicho o en fecho, por lo cual paresciese y fuesse / escándalo y abatimiento de mi linaje y menoscabo del dicho Mayorazgo o cualquier d´ellos, que este no aya dende en adelante cosa alguna: ansí que siempre sean fieles a D. Diego o a quien heredare.
Item, porque en el principio
[Este documento, segundo nos disseram todos os crentes, é o “rascunho” do Testamento de 1502, suposto, portanto, constituir "o principio” de tudo. Assim sendo, como pode aceitar-se “porque en el principio” como se tivesse sido escrito muito mais tarde?] que yo hordené este mi Testamento e Mayorazgo tenía pensado de distribuir, e que Don Diego mi hijo, o cualquier otra persona que heredase, distribuyan d´él la décima parte de la renta en diezmo y comemoración del Eterno Dios Todopoderosso e personas necesitadas, e para esto agora digo [Como se entende, "agora" já é depois do "principio", logo este documento não poderia ter sido “um rascunho” do Testamento verdadeiro, como nos quiseram fazer crer.]
que para ir y que vaya adelante mi intensión, e para que su Alta Majestad me ayude a mí y a los que esto heredaren acá e en el otro mundo, que todavía aya de pagar este dicho diezmo en esta manera:
Primeramente, de la cuarta parte de la renta d´este Mayorazgo, de la cual yo hordeno y mando que se dé e aya Don Bartolomé hasta tener un en cuento de renta, que se entienda que en este cuento ba diezmo de toda la renta del dicho Mayorazgo; e que assí como cresçiere la renta del dicho Don Bartolomé, mi hermano, porque se aya de descontar de la renta de la cuarta parte del Mayorazgo algo o todo, que se vea y cuente toda la renta sobredicha para saber cuánto monta el diezmo d´ello, y la parte que no cabiere o sobrare a lo que ubiere de aver el dicho Don Bartolomé para el cuento, que esta parte lo ayan las personas de mi linaje en descuento del dicho diezmo, los que más necesitados fueren e más menester lo ubieren, mirando de la dar a persona que no tenga cincuenta mill maravedís de renta; y si el que menos tuviesse llegase hasta cuantía de cincuenta mill maravedís, aya la parte {el} que paresçiere a las dos personas que sobre esto aquí eligieren con Don Diego o con quien heredare; así que se entienda que el cuento que mando dar a Don Bartolomé son y en ellos entra la parte sobredicha del diezmo del dicho Mayorazgo, e que de toda la renta del dicho Mayorazgo quiero y tengo hordenado que se destribuya en los parientes míos más llegados al dicho Mayorazgo y que más necesitados fueren; y después que el dicho Don Bartolomé tubiere su renta un cuento v que no se le / deva nada de la dicha cuarta parte, entonces y antes se verá y vea el dicho Don Diego, mi hijo, o la persona que tuviere el dicho Mayorazgo, con las otras dos personas que aquí diré la cuenta en tal manera, que todavía el diezmo de toda esta renta se dé e ayan las personas de mi linaje más necesitadas que estubieren aquí o en otra cualquier otra parte del mundo, adonde les enbíen a buscar con diligençia;
[ Note-se que Cristóvão Colon tem 4 familiares conhecidos (dois filhos, D. Diogo e D. Fernando - e dois irmãos, D. Bartolomeu e D. Diogo): nunca mencionou mais ninguém. Mas ao mesmo tempo que neste documento não conseguia esquecer a sua querida “Génova”, conseguia esquecer-se da família COLOMBO de Génova! Em 1498 não deixava nada à suposta "irmã" Bianchinetta COLOMBO, que só viria a morrer em 1516! Enquanto manda procurar con diligencia a sua família por todas as partes do mundo, para lhes dar dinheiro, esquecer-se-ia dar algum à sua irmã ainda viva e a viver na querida Génova? Nem no verdadeiro Testamento lhe deixou fosse o que fosse. A amante, de quem, havia décadas, se havia separado, deixou bem encomendada; mas a uma irmã, não deixaria nada?]
y sea de la dicha cuarta parte, de la cual el dicho Don Bartolomé a de aver el cuento, los cuales yo cuento e doy en descuento del dicho diezmo con raçón de cuenta que, si el diezmo sobredicho más montare, que también esta demasía salga de la cuarta parte y la ayan los más necesitados, como ya dije, y si no bastaren, que lo ayan de Don Bartolomé hasta que d´el suyo baya saliendo y dexando el dicho cuento en todo o en parte.
Item que el dicho Don Diego, mi hijo, o la persona que heredare, tomen dos personas de mi linaje, los más llegados y personas de ánima y autoridad,
[ Segundo este documento o herdeiro deveria consultar duas pessoas da família que fossem de “alma” (ou “consciência”) e autoridade. Logo ali, inclui o filho Don Hernando como uma dessas pessoas, quando ele contava apenas 9 anos nessa data! Seria uma criança de 9 anos considerada de consciência e autoridade para fazer cumprir um testamento?]
los cuales verán la dicha renta o la cuenta d´ella con toda diligencia, y farán pagar el dicho diezmo de la dicha cuarta parte, de que se da el dicho cuento a Don Bartolomé, a los más necesitados de mi linaje que estubieren aquí o en cualquiera parte otra, y pesquisarán de los aber con mucha diligencia y sobre cargo de sus ánimas. E porque podría ser que el dicho Don Diego, o la persona que heredase, no querían por algún respeto, que relebarían al bien suyo y honra e sostenimiento del dicho Mayorazgo, que no se supiesse enteramente la renta d´ello, yo le mando a el que heredare le dé la dicha renta sobre cargo de su ánima que no lo denuncien ni publiquen, salvo cuanto fuere la voluntad del dicho Don Diego o de la persona que heredare, solamente procure que el dicho diezmo sea pagado en la forma que arriba dixe.
Item porque no aya diferencias en el alegar d´estos dos parientes más llegados que an de estar con Don Diego o con la persona que heredare, digo que luego yo elixo a Don Bartolomé, mi hermano, por la una, y a Don Fernando, mi hijo, por la otra, y ellos luego que començaren a entrar en esto sean obligados a nombrar otras dos personas y sean los / más llegados a mi linaje y de mayor confiança, y ellos eligirán otros dos a el tiempo que hubieren de començar desde en este fecho. Y así hirá de en unos en otros y ansí en eso como en todo lo otro de govierno e bien e honra de serviçio de Dios y del dicho Mayorazgo para siempre jamás.
Item mando al dicho Don Diego mi hijo, o a la persona que heredare el dicho Mayorazgo, que tenga e sostenga siempre en la ciudad de Génoba una persona de nuestro linaje, que tenga allí cassa y mujer, e le ordene renta con que se pueda bibir honestamente, como persona llegada a nuestro linaje, y haga pie e raíz en la dicha ciudad como d´ella, porque podrá aver de la dicha ciudad ayuda e favor en las cosas de menester suyo, pues de aí salí y en ella nazi.
[Onde está referência à irmã Bianchinetta bem documentada nos documentos dos tecelões de Génova? Porque não a mencionou, já que era lá em Génova que ela vivia? Note-se que, segundo este texto, nunca o Almirante poderia ter sido de Génova, porque o documento diz que ainda não tinha lá nem pé nem raiz, o documento diz que "façam lá pé e raiz". Tudo neste documento prossegue um único fim: criar a aparência de que o Almirante Colon era um Colombo de Génova. Sendo assim, teria que ser parente do Baltasar Colombo, e quem herdasse o Morgadio seria, no mínimo, forçado a sustentar o Baltasar Colombo, por este estar a viver na Génova.]
Item que el dicho Don Diego, o quien heredare el dicho Mayorazgo, enbíe por vía de cambios o por cualquiera manera que él pudiere todo el dinero de la renta que él ahorrare del dicho Mayorazgo, e haga comprar d´ellas en su nombre e de su heredero unas compras que dicen logos, que tiene el oficio de San Jorge, las cuales agora rentan seis por ciento y son dineros muy seguros, y esto sea por lo que yo diré aquí.
[O Banco de S. Jorge esteve fechado ao público desde 1445 até 1530, portanto durante toda a vida de Cristóvão Colon. Resultaria difícil comprar “Logos” num banco fechado! Mas como já estava aberto à data desta falsificação (após 1578), não haveria então nenhum problema em comprar os tais Logos, assim houvesse dinheiro. Acresce que os juros em 1498 eram de apenas 4% e não de 6%.]
Item porque a persona de estado y de renta conviene por servicio de Dios y por bien de su honra que se aperciba de hacer por sí y se poder baler con su hacienda, allí en San Jorge está cualquier dinero muy seguro, y Génoa es ciudad noble y poderosa por la mar. Y porque al tiempo que yo me mobí para ir a descubrir las Indias, fui con intençión de suplicar al Rey y a la Reina, Nuestros Señores, que de la renta que Sus Alteças de las Indias obiesen, que se determinasse de la gastar en la conquista de Jerusalem, y ansí se lo supliqué, y si lo hacen, sea en buen punto, e si no, que todavía esté el dicho Don Diego o la persona que heredare d´este propósito de aumentar el más dinero que pudiere para hir con el Rey Nuestro Señor, si fuere a Jerusalem a le conquistar, o hir solo con el más poder que tubiere que playera a Nuestro Señor, que si esa intención tiene e tubiere, que le dará el aderezo que lo podrá haber y lo haga; y si no tubiere para conquistar, le darán / a lo menos para parte d´ello, y ansí que asiente y haga caudal de su tesoró en los logos de San Jorge en Génoa, y aí multiplique fasta que él tenga cantidad que le parecerá y sepa que podrá hacer alguna buena obra en esto de Orán; [A cidade de Orão só veio a ser conquistada, pela Espanha, em 1509, e não teria nenhuma importância para ela, em 1498. Mas à data deste documento (um século mais tarde) os Turcos tinham conquistado a Tunísia e deixado somente a cidade de Orão nas mãos dos Espanhóis. O que Cristóvão Colon sempre quis conquistar foi Jerusalém, nunca Orão.]
que yo creo que después que el Rey y la Reina, Nuestros Señores, y sus sucesores bieren que en esto se determina, que se moberán a lo hacer Sus Alteças o le darán el ayuda o adereço como a criado e basallo que lo hará en su nombre.
Item yo mando a Don Diego, mi hijo, y a todos los que de mí descendieren, en especial a la persona que heredare este Mayorazgo, el cual es como dixe el diezmo de todo lo que en las Indias se hallare y obiere e la ochava parte de otro cabo de las tierras e renta, lo cual todo con mis derechos de mis ofiçios de Almirante y Visorey y Gobernador es más de veinticinco por ciento, digo que toda la renta d´esto y las personas y cuanto poder tuvieren obliguen y pongan en sostener y servir a Sus Alteças o a sus herederos bien y fielmente, hasta perder y gastar las vidas y hacienda porque Sus Altezas me dieron aver y poder para conquistar y alcançar, después de Dios Nuestro Señor, este Mayorazgo, bien que yo los vine a convidar con esta impresa en sus reinos y estuvieron mucho tiempo que no me dieron adereço para la poner en obra; bien que d´esto no es de maravillar, porque esta impresa hera ignota a todo el mundo, y no avía quien le creciesse, por lo cual les soy en muy mayor cargo, y porque después siempre me han hecho muchas mercedes y acrecentado.
Item mando al dicho Don Diego, o a quien poseyere el dicho Mayorazgo, que si en la Iglesia de Dios, por nuestros pecados, ubiere alguna persona que por tiranía alguna, de cualquier grado o estado que sea, que le quisiese desposeer de su honra o bienes, que por la pena sobredicha se ponga a los pie del Santo Padre, salvo si fuere herético, lo que Dios no quiera, y con la persona o personas se determine e pongan por obra de le servir con toda su fuera e renta e hacienda en querer librar scisma e defender que no sea despos[e]ada la Iglesia de su honra y bienes.
Item mando al dicho Don Diego, o a quien poseyere el dicho Mayorazgo, / que procure y se trabaje siempre por la onra y bien y acrecentamiento de la ciudad de Génoa,
[Para uma pessoa que não deixa de falar sobre Génova neste Testamento, em 1498, esperava-se que o mesmo fizesse no seu dia a dia. Nem nas suas cartas nem no Diário de Bordo Cristóvão Colon menciona Génova, para além de que não deu um só nome no Novo Mundo para “honra, bem e acrescentamento” dela. Deu, sim, ao Novo Mundo, nomes que eram e são de lugares Portugueses; alguns 80 lugares receberam nomes portugueses.(1)]
y ponga todas sus fueras e bienes en defender y aumentar el bien e honra de la República d´ella, no yendo contra el servicio de la Iglesia de Dios e alto estado del Rey o de la Reina, Nuestros Señores, e de sus sucesores. Item que el dicho Don Diego, o la persona que heredare o estuviere en posesión del dicho Mayorazgo, que de la cuarta parte que yo dixe arriba de que se a de distribuir el diezmo de toda la renta, que a el tiempo que Don Bartolomé y sus herederos tuvieren ahorrados los dos cuentos o parte d´ellos y que se obiere de distribuir algo del diezmo en nuestros parientes, que él y las dos personas, que con el fueren nuestros parientes, deban distribuir y gastar este diezmo en casar mozas de nuestro linaje que lo ubieren menester, y hacer cuanto favor pudieren.
Item que al tiempo que se hallare en dispusiçión, que mande hacer una Iglesia, que se intitule Santa María de la Conceción de la isla Española en el lugar más idóneo, y hacer un ospital el mejor hordenado que se pueda, ansí como ay otros en Castilla y en Italia,
[Apesar de este ponto não ser absurdo, seria estranho que, tivesse este documento sido escrito por Cristóvão Colon, ele mencionasse os hospitais de Castela e Itália, e ignorasse o Hospital Real de Todos-os-Santos, de Lisboa, mandado construir por D. João II, especialmente sabendo-se que ele próprio assistia à Missa noutro “Todos-os-Santos”, antes de fugir para Castela, e sendo certo, pelo uso que deu a nomes portugueses no Novo Mundo, que não desconhecia assim tanto os assuntos de Portugal.]
y se hordene una capilla en que se digan missas por mi ánima y de nuestros antecesores y sucesores con mucha devoción; que plaçerá a Nuestro Señor de nos dar tanta renta, que todo se podrá cumplir lo que arriba dixe.
Item mando al dicho Don Diego, mi hijo, o quien herede el dicho Mayorazgo, se trabaje de mantener e sostener en la isla Española cuatro buenos maestros en la santa theología, con intención de estudio de trabajar y hordenar que se trabaje de convertir a nuestra santa fe católica todos estos pueblos de las Indias, v cuando plugiere a Nuestros Señor que la renta del dicho Mayorazgo sea crecida, que ansí crezca de maestros y personas devotas y se trabaje para tornar esta gente sanos, e para esto no aya dolor de gastar todo lo que fuere menester; y en conmemoración de lo que yo digo y de todo lo sobrescrito, hará un bulto de piedra mármol en la dicha iglesia de la Concepción, en el lugar más público, porque traiga de continuo memoria esto que yo digo al dicho Don Diego y a las otras personas que le bieren, en el cual bulto estará un letrero que dirá esto
[Assim, sem mais nem menos, termina o texto, num documento que querem que se acredite ter sido registado, em
1501 por Cristóvão Colon, no livro de um notário em Castela!]
Item mando a Don Diego, mi hijo, o a quien heredare el dicho Mayorazgo, que cada vez y cuantas veçes se obiere de confesar, que primero muestre este compromisso o el treslado d´él a su confesor, y le ruegue que le lea todo, porque tenga raçón de lo examinar sobre el cumplimiento d´él, y sea causa de mucho bien y descanso de su ánima. [Nos papeis do Conselho das Indias está escrito que o Testamento verdadeiro terminava com “mucho bien y, descanso de mi anima; luego están unas como firmas”. Como se vê o texto de fecho não é o mesmo.] Fecho en 22 de Febrero de 1498.
[Notem que por debaixo do 4 de 1498 está um 5 de 1598. Este é um erro patente de que o documento estava a ser escrito nos anos de 1500 e não nos de 1400. Se alguém estivesse a copiar de um documento verdadeiro não iria ver um 1498 e escrever um 1598.

Notem bem a sigla no testamento à esquerda que não é igual á verdadeira do Almirante à direita. S., S. A S, . X . M . Y .: Esta era a assinatura do Almirante, não era um capricho. Um falsário que não soubesse o significado dela pensava que só a aparência dela teria importância. Basta comparar com a imagem da assinatura verdadeira. Um homem como Cristóvão Colon, que nunca falhou na sua assinatura, a do documento é uma clara falsificação. Faltam pontos onde deveriam estar e tem pontos onde nunca ele os pôs. Não planeou a posição, tendo que escrevê-la por cima do texto, e o M até tinha outra letra por baixo. Erros claros, cometidos por quem, indubitavelmente, nunca soube o que esta sigla significava.]

Resumo:
Por todas as falsidades e dúvidas aqui apontadas não se deve dar nenhum crédito a este documento como sendo alguma vez escrito, ou sequer pensado, pelo Almirante das Índias, Don Cristóvão Colon.
Assim sendo falso, como todos podem ver, cai a única prova incontestável que fazia do Almirante um tecelão de Génova.

(1) Fecho en 22 de Febrero de 1498.

{ } Indica adição. [ ] Indica supressão. / Indica início de página

Documento do Archivo General de Indias, Sevilha. PATRONATO, 295, N.101

1. As falsidades incluídas neste texto pelo falsificador estão esclarecidas no livro Colombo Português-Novas Revelações, Ésquilo, Lisboa, 2009.


quarta-feira, maio 21, 2008

O Testamento Falso de 1498

Fui alertado que num artigo no Jornal escreveu-se que:
Em declarações à Lusa, Manuel Rosa afirmou que "demonstrado que o testamento é falso - o documento em que assentam as teses da historiografia tradicional sobre a sua origem genovesa e até o recente livro do casal Manuel Luciano e Sílvia Jorge da Silva que aponta para a naturalidade na Cuba -, caem as respectivas teses".

Isto está mal esclarecido. O que fica provado é que qualquer tese baseada no Testamento fica sem suporte. Isso não prova que Colon não nasceu na Cuba. Pois ainda não sabemos quem ele foi de verdade.
Também o recente livro do casal Manuel Luciano e Sílvia Jorge da Silva não é somente apoiado no Testamento de 1498 e por isso tem muitas partes que têm o seu devido mérito e que não ficam inválidas.

quinta-feira, maio 15, 2008

sexta-feira, maio 09, 2008

"Cristóvão Colon, Portugal e a Cuba"

Mapa de Cuba mostrando o Centro Cultural - local da Conferência "Cristóvão Colon, Portugal e a Cuba" agendada para 24 de Maio, 2008.


terça-feira, abril 29, 2008

Waldseemuller diz Colom "PORTUGUÊS" em 1516

Embora esta imagem está com pouca difinição e em Latim pode-se ver Christopher Columbus no inicio da 4ª linha e ao centro da linha "Português". Martin Waldseemuller fez este mapa em 1516 quando todo o mundo gritava aos quatro ventos que o descobridor era Genovês mas aparentemente Martin Waldseemuller não o sabia e em vez de dizer Castelhano disse PORTUGUÊS! Vamos tentar conseguir uma imagem com melhor definição mas por agora podem ler o texto em Inglês aqui: http://warpinghistory.blogspot.com/ no artigo "Wednesday, December 19, 2007 Translation of Large Text Block on Sheet 9 of 1516 Carta Marina by Martin Waldseemuller"

Vejam ainda este video sobre a suspeita do Pacifico ser já descoberto em 1507: http://www.loc.gov/today/cyberlc/feature_wdesc.php?rec=4019

sábado, abril 05, 2008

Grande Conferência - Debate 2008

"Cristóvão Colon, Portugal e a Cuba"

24 de Maio, 15h


O NÚCLEO DE AMIGOS DA CUBA, conjuntamente com a Câmara Municipal de Cuba organiza mais um evento para discussão da identidade do Descobridor das Américas, divulgando a tese da nacionalidade portuguesa e naturalidade cubense do navegador que usou o pseudónimo de Cristóvão Colon, e confrontando-a com a versão oficializada pela História, que aceitou tratar-se do genovês Cristoforo Colombo, ou com algumas outras teses existentes.

Depois da ante-estreia do filme de Manoel de Oliveira "Cristóvão Colombo, o Enigma" que esgotou a lotação do Centro Cultural no passado dia 5 de Janeiro, levando à realização de nova sessão no dia seguinte, a Cuba volta a atrair a atenção do público e dos meios de comunicação. Mas desta vez não poderá haver segunda sessão.
É que não é todos os dias que se consegue reunir um vasto conjunto de autores e especialistas temáticos sobre Cristóvão Colon como aqueles que vai poder encontrar, e trocar impressões, no Centro Cultural de Cuba.

Estão convidados os autores que escreveram sobre o tema, (por ordem de publicação):
Mascarenhas Barreto ("O Português Cristovão Colombo - Agente Secreto de EL Rei D.João II", "Colombo português: Provas Documentais"),
José Rodrigues dos Santos ("O Codex 632"),
Manuel Luciano da Silva e Sílvia Jorge da Silva ("Cristóvão Colon (Colombo) era Português") e personagens do filme de Manoel de Oliveira),
Manuel da Silva Rosa ("O Mistério Colombo Revelado"),
Roiz de Quental ("Cristovam Colom - Cristóbal Colon, esse (des)conhecido?"),
Margarida Pedrosa ("A paixão de Colombo")
Julieta Marques ("Cristovão Colom, um filho de D. Fernando Duque de Beja").

Na fase de debate vão participar ou intervir vários estudiosos (lista de participantes confirmados a indicar brevemente)
Durante a conferência será projectada uma apresentação enviada pelo Prof. José António Llorente da Univ. Granada, sobre os mais recentes resultados e conclusões das análises comparativas ao ADN que têm vindo a ser efectuadas em Espanha.

PROGRAMA (provisório):
15H - Mostra e venda de livros sobre o tema Cristóvão Colon, português. Contacto dos respectivos autores com o público e a comunicação social.
16H - Abertura da conferência por Francisco Orelha (Presidente da Câmara Municipal de Cuba)
Introdução ao tema por Carlos Calado (Núcleo de Amigos da Cuba)
Painel dos autores
Painel de debate, moderado pelo jornalista Pedro Laranjeira, com a participação dos autores, dos estudiosos convidados e do público

Entrada livre. Sujeita a disponibilidade de lugares. Maiores de 12 anos
O Núcleo de Amigos da Cuba dispõe de um número limitado de convites para atribuir aos interessados não residentes no concelho de Cuba.
Os convites devem ser solicitados por e-mail para o Núcleo de Amigos da Cuba,
amigosdacuba@sapo.pt

sábado, março 15, 2008

COLOMBO - UMA QUESTÃO EM ABERTO

Colombo – uma questão em aberto

Magnífica palestra intitulada "A figura régia de D. João II" pela Profª. Drª. Manuela Mendonça, Presidente da Academia Portuguesa de História.
Aconteceu no passado dia 13 de Março, na Sociedade de Geografia de Lisboa, promovida pela respectiva Secção de História, presidida pelo Prof. Dr. Rui Costa Pinto.

Na fase de perguntas pela assistência, foram colocadas questões relativas ao Tratado de Tordesilhas e à “relação” de D. João II com Cristóvão Colon /Colombo.

Sobre Cristóvão Colon / Colombo, disse a Presidente da Academia Portuguesa de História:

«Cristóvão Colombo é uma questão em aberto. Não sei se era português, mas estou convencida que não poderia ter sido alguém que chegou aqui já adulto. Teria de ter estado em Portugal desde criança ou desde muito jovem.»
«Também não creio que tenha sido um agente secreto, mas que fugiu para Castela com medo de represálias pelas ligações familiares pois o sogro era membro da casa de Viseu»
«A questão está em aberto e a Academia Portuguesa de História já foi solicitada através de um deputado da Assembleia da República para lançar um debate sobre o tema.»

A Prof. Drª Manuela Mendonça manifestou-nos, depois, interesse em assistir à grande conferência sobre Cristóvão Colon que o Núcleo de Amigos da Cuba está a organizar em colaboração com a Câmara Municipal de Cuba, e que vamos realizar no dia 24 de Maio, nesta vila alentejana, com a presença dos vários autores com obras publicadas sobre a Portugalidade de Cristóvão Colon e de diversos especialistas que debaterão os temas em análise.

Carlos Calado
15 Março 2008

sábado, fevereiro 23, 2008

Filipa Moniz - a comendadeira

No bem denominado site Pseudo-História Colombina o J.C.S.J. escreve um artigo titulado: Filipa Moniz - a não comendadeira.
De novo o Sr. J.C.S.J. no seu modo regular foje á regra das coisas para forçar uma excepção. Em vez de nos tentar explicar como é que um plebeu de Génova conseguiria atender Missa em Todos-os-Santos, Mosteiro da elite Ordem da Cavaleria de Santiago? E como um plebeu de Génova conseguiria casar com a filha de um nobre Capitão do Rei de Portugal que residia aí dentro? O J.C.S.J. dá-se em vez ao seu já habitual esforço de tentar provar que a Filipa Moniz era uma mera insignificante pessoa do seu dia.
Eu foquei-me no Mosteiro de Santos porque o filho de Cristóvão Colon disse que a esposa dele era "uma senhora, chamada Dona Felipa Moniz, de nobre sangue fidalga, Comendadora no Mosteiro de Todos os Santos, onde o Almirante ía ordinariamente á Missa".
Eu confirmei como um facto aquilo que disse D. Hernando com o estudo do Prof. Joel Mata
(que pode ser puxado aqui em PDF). Uma Filipa Moniz era mesmo uma das donas comendadeiras residente em Todos os Santos nessa época.

Ninguém achou as palavras de D. Hernando estranhas. Ninguém se deu ao trabalho de investigar o que fazia um plebeu genovês intrometido a atender Missa com os Cavaleiros de Santiago na década dos 70 do século XV. Ninguém se deu ao trabalho de explicar o que fazia Filipa Moniz nesse Mosteiro de Santiago nem qual era o seu grau social.
Fizeram exactamente o contrário e ainda o fazem.

Por acreditarem que o Almirante era um plebeu genovês diminuem automáticamente a Filipa Moniz para o seu degrau de tecelão e tornam-a numa serviçal do mosteiro. Não são capazes de meter as suas mentes á volta de mais nada. Não conseguem ver mais que um plebeu e por isso tudo o resto tem que ser forçado a encaixar na vida e no grau de um plebeu tecelão de Génova. É por aí que começa a verdadeira Pseudo-História Colombina. São incriveis as voltas que eles dão ás coisas para arruínar a família Perestrelo, para diminuir a sabedoria do Almirante, para roubar a Glória e escurecer a Fama e genialidade do nosso grande Rei D. João II.
Neste caso o J.C.S.J. acha que a importância nisto tudo é se a Filipa Moniz tinha ou não tinha os titulos de "Dona" e de "Comendadeira" e passa por cima das implicações de ela ser residente no Mosteiro de Santos debaixo da guarda e da gerência de D. João II, Mestre que foi de Santiago.

Está claro que nem tudo se sabe a 100% destas coisas mas noutro caso qualquer os documentos seriam vistos com outros olhos. Somente não o são porque "Colombo era plebeu tecedor de lã Italiano" e tudo tem que ser forçado a sustentar esta fantástica teoria fantasiosa e por isso tudo é modificado e interpretado nesse sentido.
O estudo do Prof. Joel Mata é um grande contributo para entender o Mosteiro de Santos mas não é em si o principio e o fim de tudo sobre o Mosteiro e a Ordem. Há muito ainda para investigar e saber sobre isso. Para já digo que não está provado que as donas comendadeiras de Santos naquele tempo não fossem todas aparentadas com membros de Santiago a falta de prova afirmativa não a torna numa prova negativa.
O facto é que as "donas" do Mosteiro de Santos tinham diferentes estados tanto de vida como de categoria e não se pode dar uma pincelada a todas com a mesma côr. Haviam donas "professas" tal como haviam donas hospedadas e viúvas com seus filhos. Temos que diferenciar desde já que nem todas as donas professavam e mesmo professas poderiam casar com autorização do Mestre. Uma coisa pode-se dizer. Todas elas eram sustentadas pela Ordem de Santiago na maioria com os rendimentos da Comenda de Santos.
A designação de Comendadeira é simples de entender. Viviam da Comenda ou seja eram-lhes encomendado rendimento para viverem. E assim eram todas elas comendadeiras. O problema é que a a "priora" começou a ser designada por Comendadeira que seria de certo referência á Comendadeira-mor.
Para melhor esclarecimento deve-se olhar para as palavras do Mestre da época «...em 1488, D. João II interpela o mestre castelhano, perguntando entre outras coisas "si las comendadoras se pueden casar e casadas si les quedan las encomiendas"»
«...um contrato agrário, de 1483, do tempo de D. Beatriz de Meneses, onde o tabelião refere no protocolo o "mosteiro de Santos que he das Senhoras Comendadeiras da Ordem do Bem Aventurado Santiago"- estudo de Joel Mata. As donas comendadeiras eram todas elas só que a comendadeira-mor é na maioria das vezes chamada comendadeira e as ourtras simplesmente donas.

Outra grande presunção do J. C. S. J. é que o navegador era italiano:

«Especificamente esta obra não é um estudo sobre a esposa de Cristóvão Colombo, nem sobre qualquer matéria colombina entendida como a busca de elementos para a biografia do navegador italiano.» E no fim de contas é este o ponto de vista que o cega e que não o deixa ver as coisas como elas são mas sim como ele quer que elas sejam.

Mas para mim falta ainda muito para o caso ficar totalmente esclarecido. Continua a minha busca de dicas e documentos que me levem de uma vez por todas a desvendar a verdade. Nesse sentido notei agora que no estudo do Prof. Joel Mata aparece uma
«Filipa (D.) 1490.09.16 - 1497.07.29 A.N.T.T., Mosteiro de Santos, cx.10, m.4, nº6, A.N.T.T., Mosteiro de Santos, cx.19, d.d., nº19»

Interessante ver ali uma D. Filipa sem apelido? Será que ao se establecer Colon permanentemente em Castela a D. Filipa Moniz foi de novo hospedada em Santos até morrer em 1497? Não sei. Mas é mais uma possivél dica a pesquisar porque só mantendo os olhos bem abertos a todas as dicas é que vamos chegar lá.

Capitulaciones de Santa Fe Abril de 1492

"...otorgan a D. Cristóbal Colón en alguna satisfacción de lo que ha descubierto"

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Mais Uma Daquelas Inacreditáveis Fantasias

São tantas as contradições da história do genovês que não sei por onde pegar. Infelizmente não pude estar no debate para esclarecer muitas das falácias vendidas ao público pelo Prof. José Manuel Garcia. Embora o Tenente-Coronel Brandão Ferreira e o José Rodrigues dos Santos fizeram um excelente trabalho em meter furos no barco genovês foram muitas as coisas ditas pelo Professor José Manuel Garcia que não receberam a atenção merecida e não foram contrariadas porque o tempo não permitiu e assim parecem para muitos como sendo verdadeiras. Mas não são.
Se o Professor José Manuel Garcia tivesse lido O Mistério Colombo Revelado antes do debate teria estado mais bem preparado e não teria caído em tantas más presunções. Quem ver o debate será capáz de dar por muitas das presunções que são ditas sem provas. Não as vou contrariar todas mas vou apontar uma aqui que, como já apontei no meu livro, desmonta uma das burlas dos historiadores pela raíz.
Infelizmente os "historiadores profissionais que sabem as regras básicas" como lhes chama o Prof. José Hermano Saraiva, levaram uma lavagem cerebral tão completa neste assunto na escola que não conseguem ver as falácias nas coisas que lhes foram vendidas e por isso não conseguem ver as suas próprias contradições. No debate da Sociedade Civil, no video número 3 no fim desta página, começando no minuto 5:08 o Professor José Manuel Garcia diz o seguinte:

"Agora em 1474, 1474, antes, dois anos antes dele aparecer, do Cristóvão Colombo aparecer por aqui, apareceu um outro Italiano, outro Italiano muito esperto que era o Senhor Paolo Toscanelli. Paolo Toscanelli é que descobriu o "ovo de Colombo", quer dizer, descobriu a teoria de que era melhor ir para o Ocidente para descobrir a India do que ir por aí abaixo, que era muito longo, complicado, nunca mais lá chegavam. Portanto ao Ocidente era rápido. Aquilo era logo ali. Portanto, e ele escreve uma carta ao D. Afonso V, que não se interessava nada pelo assunto, mas quem se interessava em 1474 era o D. João II, Príncipe D. João II, que ele é que na altura tinha o previlégio, que o D. Afonso V não estava nada interessado naquilo.
Só queria era conquistar Maroccos, e então deu as possibilidades ao D. João. Só que o D. João em 1474 perguntou aos seus conselheiros "é melhor ir par ao Ocidente ou é melhor ir pela África do Sul?" E o Fernando Gom... Martins, que era um cónego, disse "áh, eu vou perguntar ao Toscanelli, é um Florentio que sabe muito disto".

E então perguntou e ele lhes disse "áh, melhor é ir pelo Ocidente, e tal, vocês chegam lá".
O Cristóvão Colombo descobriu a teoria! Descobriu a teoria do Tsocanbelli!
E nós conehcemos o Toscanelli porque o Cristóvão Colombo copiou a carta do Toscanelli em 1474.
Portanto o segredo está aí!

Ele inseriou-se e consegui concretizar o projecto. Não a favor dos Portugueses mas a favor dos Espanhóis......."

Sinto uma certa pena em criticar o Prof. José Manuel Garcia porque ele tem sido simpático comigo na nossa comunicação privada e, entendo ao mesmo tempo, que ele não investigou a vida de Colon mas que somente segue o que os outros anteriores a ele aceitaram. Enfim isto não é nada facil, por vezes, de enfrentar a falta de documentos, as presunções e as personalidades mas tem que ser feito.
Como já disse e digo muitas vezes, só quem não se deu ao trablaho de investigar este assunto a miúdo é que pode seguir aceitando tantos disparates como se viu apresentados pelo Prof. J. M. Garcia e o Prof. José Hermano Saraiva na RTP2 a 22 de Janeiro.
Pior ainda é que os tais "historiadores profissionais que sabem as regras básicas" deveriam de ser os primeiros a questionar as coisas. Mas não o fazem por isso eu tenho que apontar-lhes os erros.

Perguntas Básicas:

  1. Se a carta de Toscanelli era escrita ao Príncipe D. João II como foi parar ás mãos de um Colombo Genovês que era ninguém em 1474 ou 1476? Será que o Colombo entrou de noite no cofre dos documentos secretos do Príncipe e transcreveu a carta secretamente e depois meteu-a de novo no cofre sem ninguém dar por isso? Ou levou-a para casa e trasncreveu-a no seu livro queimando-a depois para não ficar com a prova do roubo?
  2. Será que depois de ter tão grande sucesso em roubar o conteúdo de uma carta ao Príncipe,- escapando assim á penalidade de morte que cobria os assuntos das descobertas,- iría apresentar-se em frente do mesmo Príncipe a propôr a ideia que era baseada nessa carta?
  3. Será que alguma vez o Colombo genovês poderia apresentar oa Principe D. João uma ideia de descobrir a India para o Ocidente como sua sabendo que o Principe já tinha essa ideia á sua frente de si recebida de Toscanelli?
  4. Será que o Principe D. João II tendo lido a carta de Toscanelli, um sábio cientista bem conhecido, e entendendo o projecto como imperfeito mesmo vindo da boca de quem vinha, alguma vez daría algum crédito a um tecelão genovês apresentando o mesmo plano imperfeito?
Quem é que está a ser fantasista?
O cenário apresentado pelo Porf. Jose Manuel Garcia não é novo. Esse cenário é um de muitos vendidos a todos pelo mundo fora, já por séculos, mas não faz nenhum sentido para ninguém além dos "historiadores profissionais que sabem as regras básicas".

Como é que algum "historiador profissional que sabe as regras básicas" aceita que um plebeu genovês tivesse acesso a cartas secretas da corte e copiando-as em segredo, rounbando assim a informação, voltasse á mesma corte para apresentar o mesmo projecto roubado como sendo um seu projecto e ainda por cima apresentar-lo á mesma pessoa a quem o robou?
E ainda sendo essa pessoa a pessoa que era, D. JOÃO II, o mais astuto rei da dinastia de Avis?
Eram todos assim parvos em 1474 como querem que nós sejamos?

Esta é só mais uma daquelas coisas que é preciso ter-se fé para crer ou então é preciso ser-se um dos "historiadores profissionais que sabem as regras básicas" como nos advertiu o Prof José Hermano Saraiva.
Depois temos aquela pequena carta de D. João II ao seu "Especial Amigo em Sevilha" que está escrita em Português.
O Prof José Hermano Saraiva diz que Colon "nunca escreveu uma linha em Português. Que Português era esse que não sabia escrever Português?"" mas Saraiva não nos disse que o Rei de Portugal escreveu a carta inteira em Português e que assim Colon deveria muito bem de saber ler-la. Pois se não soubesse ler Português não se deve de pensar que D. João II não a soubesse escrever em Castelhano. E sendo uma carta secreta não devemos de pensar que D. João II fosse forçar Colon a ir procurar um tradutor que poderia assim descobrir o segredo entre eles os dois.

Ainda para além de Colon ter "roubado a carta de Toscanelli em 1474" também deve de ter "roubado a informação ao José Vizinho sobre as alturas do Sol na Guiné em 1485" como insinuou o Dr. Luis de Albuquerque, e também deve de ter roubado a informação sobre "Bartolomeu Dias e o Cabo da Boa Esperança em 1488"!!!!!
Enfim este Colon era um verdadeiro ladrão que conseguiu meter o barrete a D. João II. Vê-se agora que só um bom ladrão conseguiria fazer tudo aquilo que C. Colon fez em Portugal sem nunca ser apanhado.
Pronto está assim tudo explicado.
Era um tecelão vilão ladrão.

Áh sim, mas..... e o casamento autorizado por D. João II em 1479?
A Filipa Moniz e a autorização foram também roubadas?

Sejam Divertidos e sejam Advertidos.

A Mais Clara Prova de Falsificação

Para aqueles que acreditam que a fraude sobre a história Colombina foi feita somente por Cristóvão Colon ao mudar de nome em 1484 e esconder o seu passado em Portugal, ou somente pela rainha ao esconder a verdadeira linhagem e nacionalidade dos irmãos portugueses em Castela, ou pelo filho D. Hernando ao escrever coisas vagas e pistas incertas, ou pelo Baltasar Colombo ao tentar entremeter-se numa herança que nunca lhe pertencería, meto aqui mais provas de como a falsidade seguia ainda em dia no ano de 1784:

Alcance y Contenido Párrafos de dos cartas de Nicolás de Azara a Juan Bautista Muñoz, relativos, uno, en el que se expresa así: 'He hecho calcar la letra del codicilo militar de don Cristóbal Colón, cuya copia es idéntica con el original, y así tenemos un documento auténtico de la letra y firma de aquel grande hombre'. Véase el ramo 4. Otro, en el que dice lo siguiente: 'En aquella copia que envié a Vuestra Merced del testamento militar de Colón, que está en el oficio de la Virgen de la Librería Corcini, ha de haber la cláusula de lo que deja al Banco de San Jorge de Génova. El mismo testamento lo halló confirmado en un libro muy raro. Agustín Justiniani, noble genovés, fraile dominico y obispo de Nebbio, en Córcega, fue el primero que imaginó dar una biblia políglota, en que previno a todos los modernos, y aún a nuestro Cisneros. La empresa era grande para un hombre solo, pero los genoveses en aquel tiempo pensaban cosas grandes y heroicas'.

Archivo General de Indias Código de referencia ES.41091.AGI/16416.2.13.1//PATRONATO,8,R.6
Título Cartas de Nicolás de Azara a Juan Bautista MuñozFechadas en Roma el 12 de febrero de 1784 y el 17 de enero de 1787. Son copias. [S.F.-Siglo XVIII] Nivel de Descripción Unidad Documental Simple Fecha(s) [c] 1784-02-12 Signatura(s) PATRONATO,8,R.6, Volumen 1 Documento(s), Productor(es) Información de Contexto
Índice(s) Azara, Nicolás de Colón, Cristóbal - Muñoz, Juan Bautista
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Como Se Vê As Mentiras Italianas São Mesmo Descaradas
Mas Mesmo Assim São Aceitadas Por Historadores Ás Carradas.