domingo, março 15, 2009

18 de Março de 2009
Conferência na
Academia da Força Aérea

A PORTUGALIDADE DE CRISTÓVÃO COLON

CRONOGRAMA
  • 17:30 APRESENTAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO CRISTÓVÃO COLON PELO MAJ. AURÉLIO ALMEIDA
  • 17:34 INTRODUÇÃO E METODOLOGIA DOS TRABALHOS PELO TCOR CARLOS NEVES

  • 17:36 PEDRO LARANJEIRA: Perspectiva geral sobre a deturpação da história que permitiu a aceitação da tese italiana, sua confrontação com os factos.
  • 17:47 TCOR BRANDÃO FERREIRA: Visão geo-estratégica do problema enfrentado por D. João II perante o crescente poderio de Castela, e como o poderia solucionar.
  • 18:04 DR. ABEL CARDOSO: Evidências sobre a Portugalidade de Cristóvão Colon.
  • 18:15 DR. PAULO LOUÇÃO: Quem poderia personificar uma solução para D. João II - A ligação de Cristóvão Colon à Ordem de Cristo e o papel da Ordem na sociedade e na expansão portuguesas. O símbolo da Ordem, que foi adoptado pela Força Aérea.
  • 18:31 ENG. CARLOS CALADO: Conjunto de novos dados e indícios sobre a naturalidade de Cristóvão Colon.
  • 18:42 DR. MANUEL LUCIANO DA SILVA (por TeleVideo desde os EUA): Cristóvão Cólon era Português.
  • 18:53 MANUEL ROSA (por TeleVideo desde os EUA): Refutações Fantasiosas do Colombo Português a Presunção da Refutação por Vasco Graça Moura, Luis de Albuquerque, Luiz de Lancastre e Távora.

  • 18:59 INÍCIO DO DEBATE
  • 19:40 FIM DA CONFERÊNCIA
  • 20:00 JANTAR

quinta-feira, março 12, 2009

COLOMBINADAS (2)

(continuação)

Parte 2

APRECIAÇÃO CRÍTICA AO LIVRO

PORTUGAL AND THE EUROPEAN DISCOVERY OF AMERICA
Christopher Columbus and the Portuguese
(de Alfredo Pinheiro Marques, Ed. INCM 1992)

(1. A controvérsia sobre o nascimento e a identidade de Cristóvão Colombo)

pág. 17 – Porque há tanta controvérsia e tanta dificuldade em arranjar documentação fiável acerca do nascimento e da identidade deste enigmático personagem?

+ Esta interrogação do Autor comprova, afinal, que por todo o mundo há interesse em saber onde nasceu e quem era CC, contrariando as suas próprias afirmações onde menciona que isso não é importante.

pág. 17 – A vida de Colombo pode ser dividida em três fases: antes, durante e depois do seu triunfo em Castela – correspondendo aos períodos 1451-1493, 1494-1499, e 1500-1506. Na primeira fase os problemas de identificação devem-se certamente à escassez da documentação existente; na segunda fase eles são provavelmente o resultado do mistério em que o Almirante procurou envolver o seu passado. Mas o mistério é de alguma forma esclarecido na terceira fase dado que, entretanto caído em desgraça e dificuldades financeiras, e portanto sem necessidade de continuar a manter as aparências, Colombo haveria de deixar algumas pistas mais ou menos explícitas acerca das suas origens.
pág. 18 – (…) para não mencionar a existência de alguns documentos desta terceira fase, cuja autenticidade já não pode ser contestada, e nos quais o próprio Colombo claramente afirma que nasceu em Génova.

+ Contraditória esta afirmação do Autor pois o documento que invoca, o tal Testamento (ou Morgadio) onde o Almirante teria declarado ser de Génova, para além de muito duvidoso e com várias falsidades apontadas, é datado de 1498, quando CC ainda não tinha caído em desgraça e se preparava para iniciar a terceira viagem. Se fosse verdadeiro, o documento teria sido elaborado no período que o Autor intitula de segunda fase, aquela em que CC envolvia o seu passado em mistério.
O que fica visível nesta contradição é que na chamada segunda fase, CC envolvia o seu passado em mistério e, portanto, não iria esclarecê-lo num testamento (caso contrário o Autor não classificaria assim as fases), e que na chamada terceira fase CC não declarou que tinha nascido em Génova, como nunca tal declarou em qualquer momento da sua vida.

pág. 18 – Fernando Colombo não conseguiu (ou não quis) apresentar qualquer informação concreta ou fiável sobre o local de nascimento do seu pai.
De qualquer forma, Fernando indica que o nome original de seu pai era Colombo, e desde então isto ficou associado com a designação de Génova como sendo o lugar de nascimento. Finalmente ele diz-nos que, para se adaptar ao país para o qual emigrara, seu pai mudou o nome de Italiano para Espanhol – de Colombo para Colón.

+ Não há, na “Historie” de Hernando Colón qualquer afirmação sua de que seu pai mudou o nome do Italiano para o Espanhol, nem de Colombo para Colón.

«Como uma das principais coisas que pertencem à história de cada homem célebre é que se saiba a sua pátria e origem (…) alguns queriam que eu me ocupasse em declarar e dizer como o Almirante procedia de sangue ilustre ainda que os seus pais, por má sorte, viessem a passar grandes necessidades, e que eu mostrasse que ele procedia daqueles ‘Colone’ enaltecidos por Cornelio Tácito (…)
E queriam que eu fizesse um grande conto sobre aqueles dois ‘Colone’ seus parentes, dos quais Sabelico descreve uma grande vitória (…)
Mas eu escusei-me a fazer esse papel, crendo que ele tinha sido eleito por Nosso Senhor para uma coisa tão grande como a que ele conseguiu.
De modo que, tanto quanto mais apta e dotada de tudo o necessário para esse grande feito foi a sua pessoa, mais se exigia que fossem incertas e desconhecidas a sua pátria e origem.
Pelo que alguns, que de certa forma pretenderam obscurecer a sua fama, disseram que era de Nervi, outros que de Cogoleto, e outros que de Bogliasco, todos eles pequenos lugares perto de Génova; e outros, que quiseram enaltecê-lo mais, diziam que era Savonês e outros diziam Genovês;
E ainda aqueles que mais sobem sobre o vento, fazem-no de Piacenza, cidade na qual há (*) algumas honradas pessoas da sua família, e sepulturas com brasões e nomes de Colombo, porque, com efeito, este era já o sobrenome dos seus antepassados, ainda que ele, conforme com a pátria para onde foi viver e começar novo estado, limou o vocábulo para que ficasse conforme com o antigo, e distinguisse o que dele descenderem de todos os outros que lhe eram colaterais, e assim se chamou Colón.»

O que Hernando Colón escreveu foi que, outras pessoas queriam que ele, Hernando, dissesse que seu pai procedia dos ‘Colone’; e que outras pessoas, para diminuir ou enaltecer seu pai, diziam que era de Nervi ou Cogoleto, ou Savona ou Génova, mas os que ‘mais subiam acima do vento’ (expressão muito semelhante a ‘viviam nas nuvens’), faziam-no de Piacenza, por haver nessa cidade sepulturas da família Colombo(*), e depois afirmavam que ele tinha limado o nome para Colón, adaptado à pátria para onde foi viver.

(*)O facto é que em Piacenza existiam sepulturas e brasões da família Colonna, não de alguma das famílias Colombo.


(1.1. As controvérsias sobre a sua nacionalidade)

pág. 18 – Com efeito, quando lidamos com o séc. XV não faz sentido falar-se de ‘nacionalidade’ com o significado que atribuímos actualmente ao conceito. Naquela época as pessoas não eram ‘portuguesas’ ou ‘genovesas’ ou’ castelhanas’, muito menos eram ‘espanholas’ ou ‘italianas’ no sentido que assim são hoje. Cada indivíduo era, acima de tudo, um ‘súbdito do Rei de Portugal’ ou do Rei de Castela, ou de algum outro senhor. E segue-se portanto que uma pessoa podia, obviamente, mudar de ‘nacionalidade’ muito facilmente, mudando simplesmente de soberano. A noção de que se toma a nacionalidade com base na terra onde se nasce estava certamente a começar a ganhar algum significado (conquanto mais para a burguesia e para a plebe do que para a nobreza feudal) (…)
pág. 19 – (…) Foi isto que aconteceu com Colombo. Ele foi, sucessivamente, ‘genovês’, ‘português’ e ‘castelhano’ à medida que a sua sorte e as vicissitudes da sua carreira o levaram a viver em diferentes locais e a colocar-se ao serviço dos respectivos soberanos.

+ Porém, ao pagar a CC por serviços prestados aos Reis de Castela, seus soberanos nesses tempos, o tesoureiro real chamou-lhe ‘el portugués’. Certamente não foi por pensar que CC estava ao serviço do Rei de Portugal…
E quando pretenderam retirar-lhe os privilégios, os Reis Católicos acusaram CC de ser ‘estrangeiro’. Será que foi por pensarem que CC tinha sempre estado ao serviço dum soberano estrangeiro e não deles próprios, soberanos de Castela e Aragão?

(continua)

Carlos Calado

quarta-feira, março 11, 2009

O Colombo vai nú !

Desde 1487 que Cristóbal Colomo, repetidamente designado por um indefinido ‘extrangero’, mas uma vez, com forçado anonimato, designado por ‘el portogués’, recebia pagamentos dos Reis Católicos por ‘algunas cosas complideras al servicio de Sus Altezas’.

1487-05-05 – “En dicho día di a Cristóbal Colomo, extrangero, tres mil maravedís, que está aqui faciendo algunas cosas complideras al servicio de Sus Altezas; por cédula de Alonso de Quintanilla, con mandamiento del obispo.”
(Libro de cuentas del tesorero Francisco González de Sevilla, in Navarrete, Viajes, tomo II, pag. 4, doc. II, apud Rumeu de Armas, 1982, p. 18)

1487-10-18 – “Dj mas a .............................., portugues, este dia treynta doblas castellanas, que Su Altesa le mando dar presente el dotor de Talauera; dioselas por mj Alonso de Qujntanjlla; este es el portogues que estaua en el Real; esto fue a la partida de Linares, et su altesa me lo mando en persona …”
(Libro de los maravedís que rescibió Pedro de Toledo, de las penas de cámara et del gasto dellos fasta fin de LXXXVII, fl. 6, apud Rumeu de Armas, 1982, p. 29)

As ‘cosas cumplideras’ que Cristóbal Colomo estava fazendo junto de Suas Altezas, tinham a ver com a discussão dum projecto de CC para conseguir chegar à Índia navegando para Ocidente, segundo mencionam vários historiadores.

A 20 de Março de 1488, o Rei de Portugal, D. João II escreve uma carta dirigida àquele homem que estava em Castela, chamando-lhe Cristóvão Colon e tratando-o por ‘especial amigo’

«A Xpoval Collon, noso especial amigo em Sevilha.Xpoval Colon:Nós Dom Joham per graça de Deos Rey de Portugall e dos Algarves, daquem e dallemmar em Africa, Senhor de Guinee vos enviamos muito saudar. Vimos a carta que nosescreveste e a boa vontade e afeiçam que por ella mostraaes teerdes a nosso serviço. Vos agradecemos muito. E quanto a vosa vinda cá, certa, assy pollo que apontaaes como por outros respeitos para que a vossa industria e bõo engenho nos será necessário, nós a desejamos e prazer-nos-ha muyto de vyrdes porque em o que vos toca se darà tal forma de que vós devaaes ser contente.»…

Em 1492, vencidas as dificuldades para convencer a junta de sábios dos Reis Católicos para aceitar o seu plano, o homem que estava em Castela, agora designado por Don Cristóbal Colón, recebe dos Reis "As capitulaciones" com os requisitos que lhes propusera, no qual ‘Las cosas suplicadas’ por Don Cristóbal Colón são dadas e outorgadas por Suas Altezas


Capitulaciones de Santa Fé de Granada

«Las cosas suplicadas y que vuestras altezas dan y otorgan a don Cristóbal de Colón, en alguna satisfaccion de lo que ha descoberto en las mares océanas y del viaje que ahora, con la ayuda de Dios, ha de hacer por ellas en servicio de vuestras altezas, son las que se siguen.

Primeramente, que vuestras altezas como señores que son de las dichas mares Océanas hacen desde ahora al dicho don Cristóbal Colón, SU ALMIRANTE, en todas aquellas islas y tierras firmes que por su mano o industria se descubrirán o ganarán en las dichas mares Océanas (...)
Otrosí, que vuestras altezas hacen al dicho don Cristóbal SU VISORREY Y GOBERNADOR GENERAL en todas las dichas tierras firmes e islas que como dicho es él descubriere o ganare en las dichas mares, (...)
Item , que de todas y cualesquiera mercaderías, siquiera sean perlas, piedras preciosas, oro, plata, especiería y otras cualesquiera cosas y mercaderías de cualquier especie, nombre y manera que sean, que se compraren, trocaren, hallaren, ganaren y hubieren dentro de los límites de dicho almirantazgo, que desde ahora vuestras altezas hacen merced al dicho don Cristóbal, y quieren que haya y lleve para sí la decena parte de todo ello, (...)
Otrosí, que si a causa de las mercaderías que él trajera de las islas y tierras, que así como dicho es se ganaren o se descubrieren, (...)
Item , que en todos los navíos que se armaren para el dicho trato y negociación, cada y cuando, y cuantas veces se armaren, que pueda el dicho don Cristóbal Colón si quisiere contribuir y pagar la ochena parte de todo lo que se gastare en el armazón, y que también haya y lleve del provecho la ochena parte de lo que resultare de la tal armada.
Place a sus altezas. Juan de Coloma.
Son otorgadas y despachadas con las respuestas de vuestras altezas en fin de cada un capítulo, en la villa de Santa Fe de la Vega de Granada, a XVII de abril del año del Nacimiento de Nuestro Señor de mil CCCCLXXXXII.

Yo el rey. Yo la reina.

Nestas "Capitulaciones", com as condições requeridas por CC e aceites pelos Reis, nem uma palavra sobre Índia, Ásia ou caminho marítimo para a Índia.
Os castelhanos, lançam-se entusiasmados, na aventura do mar oceano para Ocidente. Embrenhados e absorvidos, não mais importunam os navios portugueses nas rotas de África.

CC regressa da descoberta do Novo Mundo e proclama que vem das Índias.

«Christianísimos e muy altos y poderosos prínçipes, rey e reina, nuestros señores:La vitoria que Nuestro Señor dio a V. Al. tan señalada de las Yndias en tan breve tiempo amostrava qu'el subçeder uviese de ser muy próspero y a causa de cosa de maravilla en el mundo. Yo partí de Cádiz miércoles a veinte e cinco de septiembre con la armada y gente que Vra. Al. me mandaron dar que yo llevase a las Indias» ...

Mantém, durante toda a vida, que as terras que descobriu são as Índias, apesar de ter atribuído novos nomes a todos os locais por onde passou.

Como as terras descobertas se situam abaixo das Canárias, D. João II reclama, argumentando que pertencem a Portugal. A solução para a disputa, com ameaças de intervenção naval portuguesa e umas Bulas Papais pelo meio, é a assinatura de um novo tratado (Tordesilhas).

«Colombo empreendeu outras três viagens antes da autorização ser definitivamente retirada. Ele nunca cessou de insistir que a nova terra era a Ásia e foi aumentando o seu descrédito à medida que se tornava mais clara a evidência do seu falhanço – acima de tudo pela razão que tornou esse falhanço ainda mais doloroso para os espanhóis: persistindo na sua rota sudeste contornando África, os portugueses finalmente venceram a corrida e atingiram a Índia (Vasco da Gama, 1498) – a verdadeira Índia que todos tinham procurado tão arduamente»).
(Cf. Marques, Alfredo Pinheiro – The european discovery of America, Columbus and the portuguese)

Don Cristóbal Colón cumpriu o estipulado nas "Capitulaciones" outorgadas pelos Reis, para merecer as "Cosas suplicadas" (título, cargo e benefícios comerciais) mas defraudou completamente as expectativas que lhes foi criando e mantendo extra "Capitulaciones", mentindo sobre as terras, antes e depois de as encontrar.

Quando os Reis se apercebem de que foram enganados, ao constatar que os Portugueses chegaram à Índia e que as ilhas e terra firme para onde têm enviado os seus homens não são a Índia, procuram uma solução que não seja humilhante para eles próprios.

Francisco de Bobadilla é enviado para o Novo Mundo, com a missão de destituir, habilidosamente, CC dos seus títulos e funções.
Fá-lo através dum julgamento-farsa ‘El juicio de Bobadilla’, onde CC é acusado de vários crimes. Entre esses crimes não consta o de incumprimento das condições que lhe davam direito a título, cargo e benefícios comerciais, nem o de má-fé.

No registo dos testemunhos efectuado por Bobadilla consta, p.ex. o depoimento de Rodrigo Pérez, segundo o qual “uma ou duas mulheres tinham sido severamente castigadas e tinham-lhes sido cortadas as línguas, em 1495-96”
(Cf. Varela, Consuelo – “Colombo, a queda de um mito”)

mas

«…consentem (os Reis Católicos) por fim, em aprestar-lhe oito navios, escolhendo com minúcia as tripulações, correspondentes às exigências previstas: 20 marinheiros, 30 moços, 40 proprietários de terras, 50 camponeses, 10 hortelãos, 100 soldados e trabalhadores, 10 artesãos, 20 especialistas em trabalhos de ouro e, por fim, 30 mulheres, as primeiras a serem enviadas para o Novo Mundo. A Niña e a Índia levantam ferro em 23 de Janeiro de 1498…(os outros 6 navios partem em 30 de Maio)»
(Cf. Orlandi, Enzo - “A vida e a época de Cristóvão Colombo”

O julgamento foi também uma fraude, pois em 1495-96 não havia ainda nenhuma mulher europeia no Novo Mundo* e Don Cristóbal Colón nunca poderia castigar severamente e cortar a língua a alguém que lá não estava.

*(Cf. Orlandi, acima transcrito e todos os historiadores, com base nas listas de tripulantes e passageiros). Contactada Consuelo Varela para esclarecer a questão, afirmou-me que sim, já havia mulheres no Novo Mundo, mas não indicou qualquer outro documento onde isso constasse, aparte o próprio Juicio de Bobadilla.

Consagrados cronistas, historiadores e outros diplomados portugueses registaram e defenderam veementemente que a principal personagem destes episódios se chamava Cristoforo Colombo, era italiano e chegou ao Novo Mundo por acaso.

Os pesquisadores ou simples interessados que ousam confrontar essa tese oficial, contrapondo-lhe diversas evidências, são menosprezados e apodados de curiosos, amadores ou ignorantes.

Carlos Calado
11/03/09

terça-feira, março 10, 2009

José Ferreia Coelho
apresenta

"CONVERSAS INFORMAIS"

Museu da Marinha
14 de Março, 11:00 horas

O "Grupo de Amigos do Museu da Marinha" (GAMMA) promove todos os segundos Sábados de cada mês, com entrada livre, uma Palestra subordinada a um tema relacionado com as peças em exposição no Museu.

No dia 11 de Março, o Professor Doutor José Ferreira Coelho irá dissertar sobre "A Pedra de Dighton, possível marco da presença Portuguesa no Continente Americano", a propósito de uma réplica do monólito que se encontra na Nova Inglaterra e foi cedida pelo Dr. Manuel Luciano da Silva para exibição pública no Museu da Marinha, em Lisboa.


domingo, março 08, 2009

COLOMBINADAS (1)

APRECIAÇÃO CRÍTICA AO LIVRO

PORTUGAL AND THE EUROPEAN DISCOVERY OF AMERICA
Christopher Columbus and the Portuguese
(de Alfredo Pinheiro Marques, Ed. INCM 1992)

A apreciação crítica efectuada centra-se exclusivamente sobre o conteúdo expresso no livro, nomeadamente as suas próprias contradições, interpretações dúbias, extrapolações desadequadas, inconformidades com outros factos comprovados ou registados, etc., não se procurando, em nenhum momento, contrapor a tese portuguesa, nem invocar, a despropósito, dados ou factos não mencionados no livro.

(Em itálico figuram os extractos do texto do livro, traduzidos do inglês pelo autor desta apreciação, com preocupações de fidelidade e integridade)
(Os comentários do autor desta apreciação vão precedidos do sinal +)

Autor da apreciação: Carlos Calado

Parte 1
(Prefácio)

pág. 2 - Por estranho que pareça, dado que a questão de Colombo é tão importante, tão controversa e tão óbvia e estreitamente relacionada com Portugal, o facto é que até ao momento ela não mereceu atenção especial dos historiadores portugueses.
+ Mas, o Autor, apesar de reconhecer que a questão Colombo não mereceu atenção dos historiadores portugueses, refere, mais adiante, a existência de vários estudos sobre Colombo e as suas relações com Portugal. Só que, na perspectiva do Autor, esses estudos não podem ser tratados como autênticos trabalhos históricos ou considerados representativos da historiografia portuguesa, pelo facto de não terem sido efectuados por historiadores profissionais.

pág. 2 – A lacuna é verdadeiramente estranha, porque é inegável que ninguém deveria estar mais interessado em tal trabalho que os próprios portugueses.

+ É aos historiadores profissionais portugueses que compete esclarecer porque não se lançam a esse trabalho, preferindo, em geral, atacar os pesquisadores que o fazem apesar das suas limitações e dificuldades, e utilizando sempre à priori o argumento de que já está provado que Colombo era italiano.


(Introdução – A natureza pioneira dos descobrimentos portugueses e a sua influência no projecto de Colombo)

pág. 10 – Tão importante foi a educação de Colombo em Portugal que o único idioma que ele falava e escrevia era uma mistura na qual o Português predominava sobre o seu dialecto genovês nativo e algum castelhano que ele aprendeu depois.
+ Parte desta afirmação é contrariada pelos manuscritos de CC, onde, de facto, abundam as palavras portuguesas ou aportuguesadas para castelhano, mas não há palavras que se possam considerar genovesas.
pág. 11 – Quando a sua proposta para descobrir as terras da Ásia navegando na direcção Poente foi rejeitada em Portugal, Colombo foi para Castela (onde ele era inicialmente referido como sendo um ‘estrangeiro’ ou pensava-se que fosse um ‘português’)
+ É interessante comparar esta afirmação final, de que em Castela se pensava que Colombo fosse português, com uma frase do Autor um pouco antes (Cf. pág. 10:

«Mas a verdade é que a história não é feita com impressões não provadas nem com especulações esotéricas, mas com factos e documentos – tal como eles estão disponíveis, sejam bastantes ou sejam escassos.»).
+ Neste caso, perante a única nacionalidade atribuída a CC em Castela durante a sua vida, quando o tesoureiro dos Reis Católicos o registou, documentalmente, como “el portugués”, o Autor concluiu que «se pensava» que era português.

pág. 11 - Colombo acabou por deparar, não com a Ásia que procurava, mas com um novo continente que não sabia que existia e o qual confundiu com o princípio da terra que buscava. Mesmo depois de novas viagens ele continuou, teimosamente, a chamar Ásia a essas terras e Índios aos seus habitantes. É difícil dizer hoje se este teimoso equívoco era real ou fingido, mas parece mais provável a segunda hipótese, na perspectiva de que Colombo estava, desta forma, a salvaguardar os títulos e benesses que os monarcas espanhóis lhe tinham prometido para descobrir o caminho marítimo para a Índia.
+ Novamente o Autor contraria as apregoadas normas de fazer história apenas baseado em factos e documentos, ao concluir que CC fingia que tinha chegado à Ásia de forma a assegurar que receberia os títulos e benesses prometidos pelos Reis Católicos. Esses títulos e benesses constam das “Capitulaciones de Santa Fé de Granada” outorgadas em 17 de Abril de 1492 e nesse documento os Reis espanhóis prometem-lhos «como compensação do que descobriu no Mar Oceano e da viajem que agora irá fazer por esse mar».
Primeiramente, os Reis Católicos «fazem, desde agora ao dito Don Cristóbal Colón, seu Almirante em todas aquelas ilhas e terras firmes que descobrir ou conquistar no dito Mar Oceano», depois «fazem ao dito Don Cristóbal Colón, seu Vice-Rei e Governador Geral em todas as ditas terras firmes e ilhas que, como se disse, ele descobrir ou conquistar no dito Mar Oceano», em seguida «atribuem-lhe a décima parte dos lucros sobre as mercadorias, especiarias, pedras preciosas, ouro e prata que se comprarem, trocarem, acharem ou obtiverem dentro dos limites do dito Almirantado», terminando com a «concessão da faculdade em participar com a oitava parte nas despesas dos navios que se armarem para essas ilhas e terras, com a consequente contrapartida de receber a oitava parte dos respectivos proventos» não havendo, em todo o documento, uma única referência à Ásia nem a caminho marítimo para a Índia.
CC teria, portanto, direito aos títulos e benesses quaisquer que fossem as terras e ilhas descobertas(1). Se teimou em chamar-lhes Índias, enganando os Reis espanhóis, foi certamente por outros motivos.
(1) Cf. González, Rodrigo Cota - "Colón, Pontevedra, Caminha", ed. PMMNexc, 2008
E a resposta poderá estar logo a seguir no texto do Autor (ainda na pág. 11:
«Colombo empreendeu outras três viagens antes da autorização ser definitivamente retirada. Ele nunca cessou de insistir que a nova terra era a Ásia e foi aumentando o seu descrédito à medida que se tornava mais clara a evidência do seu falhanço – acima de tudo pela razão que tornou esse falhanço ainda mais doloroso para os espanhóis: persistindo na sua rota sudeste contornando África, os portugueses finalmente venceram a corrida e atingiram a Índia (Vasco da Gama, 1498) – a verdadeira Índia que todos tinham procurado tão arduamente»).

Carlos Calado

Continua...

quarta-feira, março 04, 2009

A Pedra que serviu de Padrão

Assim que D. João II reinou ordenou por lei que se fizesse um esforço de marcar os territórios descobertos pelos navegadores portugueses com padrões de pedra coroados por uma cruz.
D. João II fazia isto porque entendia que não tendo gente suficiente para apoderar-se dos territórios e sabendo que Castela tentava intrometer-se nas descobertas portuguesas - desde 1341 com o episódio das Ilhas Canárias - deixava em vez um marco com o seu nome designando aqueles locais como seus por serem os seus homens os primeiro a lá chegar.
Assim, com Diogo Cão em 1482, começou-se a pratica de erguer padrões esculpidos em pedra como este na imagem à esquerda. Muitos locais conhecidos hoje receberam os seus nomes devido a esses padrões como Cabo Cruz em Namibia e Ilhéu da Cruz na África do Sul, etc...
Diogo Cão, Bartolomeu Dias e Vasco da Gama meteram vários padrões nas susa viagens. Mas na falta de padrões os navegadores deixavam outros sinais.
Os navegadores do Infante D. Henrique já costumavam esculpir as armas do infante nos troncos das árvoes quando saíam em terra e por vezes metiam uma cruz de dois troncos de árvores nalgum local vantajoso.
Como prova de suas descobertas e símbolo de sua fé, D. João II mandou substituir as cruzes de madeira (ou apenas as inscrições deixadas em árvores) pelos padrões de pedra esculpidos em Portugal carregados nos navios para esse propósito e que eram encimadas por uma cruz, com inscrições em português, latim e árabe, e com as armas do rei.
Por vezes o local não era adequado para meter padrões ou talvez por falta de mais padrões gravava-se nas árvores ou na pedra como fez Diogo Cão na pedra de ielala como se vê nas duas fotos à esquerda (uma no local e outra da cópia no Museu da Marinha).

Na sua viagem à volta do mundo, Fernão de Magalhães fez o mesmo na ilha de Homonhon, nas Filipinas, deixando escrito na pedra FERNÕ MAGALHAES em 1521 (foto à direita) que passou despercebida por 4 séculos porque ninguém fora de Portugal sabia o que era um FERNÕ MAGALHAES.
Por tudo isto a Pedra de Dighton, que passou sem ser decifrada por 500 anos, não é nenhuma anomalia. Não é a pedra nada de estranho como o tentam fazer. É bem dentro daquilo que os portugueses faziam na época.
Seria mais estranho se Miguel Corte-Real tivesse vivido alí tanto tempo e não tivesse deixado nenhum sinal. Miguel Corte-Real estando naufragado por 9 anos entendia que o socorro jamais podesse vir encontrar-lo. Assim deixou gravado no único material que assegurava que a sua mensagem não ficasse perdida e num local que fosse facilmente encontrado pelso futoros navegadores bem à vista no fim de uma baía.

Escreve aqui a Maria Benedita "Sobre a Pedra de Dighton...é o meu nome que lá vejo, posso ver o seu, o do Presidente da República, etc, etc! Ali pode ver-se tudo o que se queira, até o Miguel Corte-Real!"
E ela tem um pouco de razão como se pode ver nas tentativas de vários artistas que tentaram desenhar as gravuras naquela pedra em 1680 e 1830 e muitas mais variações podem ser vistas aqui. Quem queira saber da verdade não se pode fiar em desenhos de "artistas" nem sequer em fotos e até nem na cópia que se encontra em frente ao Museu da Marinha em Lisboa porque não são fieis ao original.
Para quem nunca viu a pedra mas somente viu os rabiscos feitos em desenhos ou em fotos realçadas em jiz pode ser que se deixe levar por fantasias e ver lá o seu próprio nome o todos os nomes do mundo e do céu como crê ver a Maria Benedita.
Mas ver uma foto de 20 cm e ver a pedra de 3.4 metros são duas coisas diferentes. Para além disto a pessoa que se deu mais ao trabalho de investigar a pedra, o Professor Edmund Delabarre, nunca tal tinha ouvido falar de Miguel Corte-Real quando lá encontrou o nome e a data de 1511. Por isso ele próprio investigou para saber quem teria sido Miguel Corte-Real e foi assim que ficou confirmado que era uma pessoa verdadeira daqueles tempos de 1500.
Quem duvida é porque deve de estar a aceitar palavras de terceiros que nunca se meteram à frente do penedo mas fiaram-se somente nas palavras de outros terceiros que também não se deslocaram ao sitio para verem com seus olhos e que mesmo estando lá jamais saberiam o que fazer de uma Cruz da Ordem de Cristo ou de um brasão com 5 pontos postos em cruz por isso fizeram do brasão uma cara como se pode ver nas imagens naquilo que parece ser uma pessoa ao lado esquerdo.
É verdade que muita coisa vem ali esculpida. Como explicar isto?
Na minha opinião é muito fácil. Miguel Corte-Real naufragou em 1502 num local onde haviam nativos americanos com quem eles se integraram pacificamente. Pois se não fosse pacificamente não haveria forma de uns 30 homens sobreviverem tantos anos no meio de território inimigo nem de poderem construir uma torre ou terem sossego ou liberdade para poderem levar dias a esculpir uma pedra.

Vivendo em paz com os "indios" poderiam os portugueses até terem casado e terem filhos. Miguel gravou lá o seu nome e a data junto com as cruzes e armas de Portugal e não muito bem feito porque de certo as ferramentas que lhe restavam da naufragada caravela não dava para melhor.
Os indios que viram tal feito, de certo pela primeira vez, também vieram mais tarde a gravar lá seus rabiscos que não seriam nenhumas letras porque não as sabiam. Até os próprios descendentes de Miguel poderiam ter gravado alguma coisa lá.
O certo é que à mensagem original veio a se juntar muita "contra-conversa" que torna a decifração deficil mas não impossivel como provou o Prof. Delabarre em 1918. O local da pedra é perto da Torre de Newport que os nativos disseram aos primeiros colonos brancos que:

"It was built by fire-haired men with green eyes who came up the river in a boat like a gull with a broken wing".
"
Foi construida por homens de cabelos de fogo e olhos verdes que subiram o rio num barco como uma gaivota com uma asa quebrada."
Se ... Miguel Corte-Real nunca tivesse existido.
Se ... Miguel Corte-Real nunca tivesse navegado para aquelas partes
Se ... tivesse navegado para lá noutro século
Se ... os navegadores portugueses não tivessem a mania de gravar rochedos
Se ... Miguel Corte-Real não fosse português
Se ... Miguel Corte-Real não servisse o Mestre de Cristo
Se ... Miguel Corte-Real não tivesse conhecimento da Charola de Tomar
Se ... o nome Miguel Corte-Real não estivesse gravado na pedra de Dighton
Então sim poderíamos dizer que é tudo fantasia.

Mas o facto é que Miguel Corte-Real existiu, navegou para aquelas partes, navegou naqueles anos, os portugueses gravavam seus nomes e as armas do seu rei em pedra, Miguel Corte-Real era português, trabalhava para o Mestre da Ordem de Cristo e o nome de Miguel Corte-Real está lá gravado com data de 1511.

O que torna isto tão dificil de acreditar?
Não pode ser só a má fé.

Deve haver algo mais sinistro a actuar na mente daqueles que negam que tal coisa possa ser REAL como foi o Miguel Corte-REAL.

sábado, fevereiro 28, 2009

Refutações Fantasiosas do Colombo Português


A tese do Cristóvão Colon Português tem, já durante um século, levantado o interesse e a curiosidade de alguns. Aponta-se o Patrocínio Ribeiro como quem incitou tudo isto com O Caracter misterioso de Colombo e o problema de sua nacionalidade (Coimbra: Academia de Ciencias de Porrugal, 1917) seguido por A nacionalidade portuguesa de Cristovam Colombo. Solução do debatidissimo problema da sua verdadeira naturalidade, pela decifração definitiva da firma hieroglífica..., (Lisboa : Livr. Renascença Joaquim Cardoso, imp. 1927).
A este autor seguiram outros sempre constrangidos pela enorme maioria dos académicos portugueses que, ou não se importavam pelo assunto, ou não queriam mexer em coisas aceites como já resolvidas, ou tinham medo de agitar as águas calmas dos seus oficios e irem parar fora do barco.



Verdade é que poucos portugueses se têm interessado pelo tema e ainda menos se interessaram portugueses licenciados em história, ou com capacidade para investigar sem preconceitos. Por vezes até eu penso: Que importa se Colon foi ou não Português? E que importa se ele trabalhou ou não para D. João II?

Na realidade sabendo-se a verdade não vai mudar muito na vida da humanidade. Mas será que por não mudar nada, não devemos de buscar a verdade? Cá por mim eu acho que deve-se procurar a verdade seja ela qual for porque só assim consegue-se fazer sentido das coisas.
Vinte anos atrás eu vivia sem preocupação alguma de quem teria sido o Almirante das Índias. Trabalhando nos EUA na tradução para Inglês do livro de Mascarenhas Barreto encarei com duas coisas interessantes:


  • A primeira e mais importante era o facto da vida portuguesa de Colon não ser conhecida. Pois tal como os outros feitos dos portugueses no mundo, tudo foi metido debaixo de um "contentor" espanhol e muitos dos nomes e feitos moficados para um povo Americano entender. É assim que ninguém sabe quem foi Fernão de Magalhães. Conhecem sim um Magellan que tem dado o seu nome a um sistema de GPS, a um satélite da NASA e que é conhecido mundialmente como um navegador espanhol. Eu indigno-me com isto e todos os portuguese deveriam-se indignar também. Sim, não é somente por não ser verdade quando se diz que Magalhães era um navegador espanhol, é também por orgulho da nossa raça. Eu sou Português e não quero usurpar a glória de outra nação mas também ao mesmo tempo não quero que nos tirem o que é nosso. Assim envolvi-me em todos os projectos que pude apoiando os feitos dos nossos conterrãneos e tive sorte de conhecer um grande português, Edmund Dinis, que conseguiu meter monumentos a nossos heróis, Gomes e Fagundes, no Canadá, coisa que o governo Português talvez nem saiba.


  • A segunda questão era o facto do livro de Barreto conter tantos erros que eu prórpio comecei a investigar e a escrever um livro para corrigir-lo.



Estava eu longe de saber que ao mesmo tempo que eu iniciava a minha investigação privada e tudo a meu custo, Luis de Lancastre e Távora,(1) Vasco Graça Moura,(2) e outros... constituindo um bando de pardais, todos do mesmo bairro, comendo no mesmo celeiro e cantando a uma só voz, estariam imcumbidos e apoiados por alguns orgãos Portugueses de fazerem o mesmo.

Eu tinha um só desejo: Saber o que era verdade e o que era mentira. Por isso não vi o meu livro pronto para editar em 1992 (como fizeram aqueles senhores) nem em 2000 estava o meu livro pronto, e até em 2006 faltava ainda muito que investigar. Mas com o meu desejo de honrar Cristóvão Colon no 500º anniversário da sua morte vi-me obrigado a meter no mercado o que estava feito até aquele ponto, porque entendi que poderia levar ainda outros 15 anos, ou mais, para desvendar tudo. Era melhor dar-se um inicio que esperar por uma obra perfeita que quiçá jamais poderia vir a ver a luz do dia e assim deu-se o primeiro passo com o O Mistério Colombo Revelado.

Enquanto eu lia e relia aquela história toda do Almirante das Índas e via aquilo tudo sem pés nem cabeça, os autores Portugueses estavam somente empenhados em afundar o livro do Sr. Barreto e não viram nada de estranho naquele conto.

De facto não poderiam ver-lo porque não sabiam nada desta história. Nem lhes importava saber.

Sabiam que não gostavam nem do Sr. Barreto nem do seu livro e isso era suficiente para escreverem as suas críticas. E como críticas áquela obra e aos erros contidos nela fizeram-no muito bem. Conseguiram o seu objectivo de provar que era uma investigação mal feita, mal-escrita e encharcada de erros. Parabéns. a eles todos.

O que não conseguiram fazer, entretanto, foi provar que o Cristoforo Colombo da historieta genovesita era de facto o mesmo Almirante das Índias. Jamais o poderiam ter feito, pois nem Albuquerque, nem Moura, nem Távora, nem qualquer outro daquele clã, conhecem o minimo da documentação real desta embrulhada.

Devo dizer que de todos eles, Graça Moura parece ter feito um maior esforço em conhecer alguns dos documentos mas não fez nenhum esforço em provar se seriam ou não verdadeiros. Nem para eles era preciso. Pois já muitos anteriormente haviam lido, relido e decicido que aquilo tudo era a "verdade, verdadinha" e que assim já o afirmou Rui de Pina em 1504, e pronto. Caso arrumado.

Bastaria agora áquele Grupo de Mosqueteiros somente de reforçar que é tudo verdade naquela história e o demais são cantigas de fado ilusórias.


Ora bem, nenhums daqueles livros traz algo de novo. Os dois livritos da Quetzal, dos ilustres portugueses expostos neste artigo (que não servem para nada no esclarecimento desta história) continuam a serem-me atirados à cara como que eu seja um parvo que não saiba ler. Ainda pior è o facto de serem usados mundialmente pela comunidade cientifica como sendo a derrota do "Colombo Português". Lá no excelente blog da Pseudo-História vêm todos bem alinhados e orgulhosamente apontados como a Bibliografia da refutação (01) e Bibliografia da refutação (02). Acreditam eles que os académicos portugueses matáram o Colombo Português de uma vez por todas entre 1990 e 1992. Bem gostaria eu que este quebra-cabeças fosse assim tão fácil. Mas não é.
Os ditos livrinhos, todos escritos num português "mui excelente" e com bons tons de humor, para nada servem na busca da verdade, a não ser mostrar que Barreto não tinha feito um bom trabalho. Mas também não o fizeram eles.



O livro "Dúvidas e Certezas" de Luis de Albuquerque(3) nada serve para quem queira conhecer os enigmas de Colon e até ajuda a obscurecer a verdade. Como já tive oportunidade de apontar, Luis de Albuquerque errou ao dizer que Colon não escreveu que esteve "presente" com D. João II o que é contrário à verdade. Não meto isto aqui para menosprezar a pessoa mas sim para mostrar que até grandes e cautelosos pensadores erram ao beberem de outros em vez de irem à fonte.

O Sr. Graça Moura erra em não investigar os factos simplesmente aceitando o que vem na Raccolta tal como documentos suspeitos como o Mayorazgo falso de 1498.

Mas quem mais erra é o Sr. Távora. No seu delirio de provar os erros de Barreto, não se dá ao trabalho de confirmar as suas próprias desinformações e torna-se ele no exemplo de tudo o que eu venho dizendo por muitos anos: “Em Portugal poucos sabem dos factos, mas mesmo não os sabendo não os impede de chamarem pseudo-historiadores e fantasistas aos outros".

Não vou transcrever aqui todo o livro, mas os leitores devem ser alertados que ao contrário do que diz o Sr. Távora, Isabel Moniz não era a esposa mas sim era sogra do Almirante Colon. Nem foi D. João II que permitiu que Colon visitasse a Rainha mas a própria Rainha que o convidou estando D. João II milhas longe em Azambuja e ela em V.F. de Xira.
Também as armas originais do Almirante não eram as letras da sigla embora eu gostaria de poder tido dezafiar-lo que mostrasse alguma prova dessas armas que os Colombos genoveses usavam antes dos forjamentos do século XVI, como ele erradamente afirmou na página 13.
Mas a prova que nada sabia sobre a "história oficial do genovês" é o facto de pedir no 1º ponto na sua página 10 provas na forma de um documento coevo que o "Colombo Italiano era um humilde cardador". Pois, como o Marquês nunca tal investigou esta história estava muito longe de saber que é mesmo isso que todos os documentos "coevos" ou mesmo forjados estão fartos de apontar. Até o próprio Gallo de S. Jorge canta da humildez dos três irmãos.


Deveria ele também ter visitado a Newport Tower como eu fiz para não dizer asneiras como fez, na sua nota da página 41, que a torre foi feita de "pedra aparelhada e obdece a um traçado arquitectónico perfeito". Não foi nem é.
Foi sim feita de pedras tal qual como as tais foram encontradas porque os constructores não deveriam ter ferramentas adequadas para as trabalhar. Para além disso o circulo da torre não é um circulo perfeito medindo mais num diâmetro que noutro. Basta somente carregar a imagem ao lado para ver em alta difinição que não existe uma só pedra trabalhada e que a genialidade dos contructores foi em saber onde meter qual pedra para que dequele monte de cascalhos saí-se algo como uma torre.

Também o seu desdém pela Pedra de Dighton mostra que nunca tal a viu. Pois não foi nenhum Português que encontrou o nome de Miguel Corte-Real lá mas sim um americano, Prof. Edmund B. Delabarre, em 1918 sem ele próprio saber nada sobre a existência de um Miguel Cortereal, o qual não só foi um navegador verdadeiro mas ainda navegou para aquelas mesmas partes antes da data de 1511 lá esculpida. Deveria também o Sr. Távora ter visitado o local para saber que tanto a Torre como a Pedra ficam na mesma baía de Narragansett e apenas uns 10 km longe uma da outra.

Os autores foram bem apoiados pel'A Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses. Ou seja o dinheiro dos Portugueses foi usado para diminuir a verdade histórica pelo orgão que mais deveria de estar interessado em investigar o assunto, mas ao contrário nada se fez. A falta de investigação aos temas torna este livro inútil seja lá para o que for relativo a Cristóvão Colon. É nada mais que uma boa critica do livro de Barreto.
Não é preciso dizer mais sobre a pobreza do conteúdo relativo à história de Colon que vem ali. As imagens metidas aqui de algumas folhas servem para mostrar as más presunções feitas pelo Marquês de Abrantes. Para quem quizer ler basta carregar em cima das imagens das páginas. Não acho que é preciso explicar os pontos sublinhados pois qualquer um com senso comum os etenderá.

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Quanto ao Sr. Moura, embora este pareça estar melhor informado não deixa de cair em graves erros sobre Colon os quais são fundamentais para se entender a verdade. Erra ainda em dizer á boca cheia que os muy Católicos Reyes do lado de dentro da fronteira seguiam fielmente o Tratado de Alcáçovas e por isso D. João II não teria nenhuma razão de se entrometer naquele reino com algum agente que levasse as forças e os esforços espanhóis para longe da sua Guiné. Pois segundo ele, os espanhóis não se importavam em navegar para Sul das Canárias importavem-se somente em cumprir o dito tratado.


Aconselho ao Sr. Moura que vaia ler o tratado para entender que os Reis Católicos não o cumpriram. O tratado é bem claro que os reis de Espanha nem os seus descendentes se intrometam na politica de Portugal, nem sequer secretamente. Ora estando eles a apoiarem os sobrinhos de Cristóvão Colon (Marquês João de Bragança e Conde Lopo de Albuquerque) a assassinar o Rei de Portugal estavam a quebrar o tratado. E estavam a quebar-lo pura e simplesmente com a visão de no futuro, e debaixo de outro rei, poderem eles, os Reis Católicos, terem acesso ao que lhes era negado pelo tal tratado.


Para não me alargar muito digo somente que como criticas do livro Cristóvão Colombo, Agente Secreto de el-Rei D. João II aqueles livritos e cartas que foram escritas por tão ilustres portugueses servem muito bem. Mas como uma ajuda para se saber da verdadeira história de Cristóvão Colon para nada servem. E para quem nunca leu o livro do Sr. Barreto os ditos livros são uma perca de tempo.

Sobre a história verdadeira de Colon e dos seus laços com Portugal de nada se sabia anterior a 2006 e cada vez mais e mais isso vai ficando clarinho.



Somente hoje estamos a olhar para esta história sem termos os olhos tapados e em breves anos deve-se encontrar aquela prova final de quem deveras foi o Primeiro Almirante das Indias. Mas isso será muito difícil de fazer se ao mesmo tempo os académicos portugueses seguirem insistindo manter a posição de que já está tudo resolvido e nada mais é preciso de invetsigar.
Pois não está nada resolvido somente melhor entendido.

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1- LANCASTRE e TÁVORA, Luís de. Colombo, a Cabala e o Delírio, Lisboa, Quetzal, 1991.
2- MOURA, Vasco Graça. Cristóvão Colombo e a Floresta das Asneiras, Lisboa, Quetzal, 1991.
3- Luís de Albuquerque, Dúvidas e Certezas na História dos Descobrimentos Portugueses, Lisboa, Círculo de Leitores, imp. 1991

domingo, janeiro 25, 2009

Um intruso (?) em Mafra

Já num post de 11 Junho 2008 aqui foi referida a pintura do tecto numa sala do Palácio de Mafra onde está representado Colon.
Volto ao tema, após visita efectuada ao local, essencialmente para aqui colocar uma questão: Cristóvão Colon é um intruso em Mafra?
Porquê a pergunta?
Em primeiro lugar porque a pintura onde está representado Cristóvão Colon (não pode haver qualquer dúvida, pois o retratado no quadrante inferior esquerdo ostenta um letreiro com a legenda "A Castilla y a Leon Nuevo Mundo dio Colon"), localiza-se no tecto da
SALA DAS DESCOBERTAS ou DOS HERÓIS PORTUGUESES.
Em segundo lugar porque o texto explicativo afixado num pedestal diz o seguinte:
A pintura do tecto, datada do séc. XVIII, representa os feitos dos portugueses, Vasco da Gama vencendo o Adamastor, Pedro Álvares Cabral e um retrato do Infante D. Henrique. É da autoria de Cirilo Wolkmar Machado.

As paredes estavam ornadas com quadros representando "as façanhas dos Castros, Albuquerques, Almeidas e Mascarenhas", cujos apelidos ainda se encontram pintados nos medalhões das paredes, e que foram com D. João VI para o Brasil e não regressaram.
A sala é das descobertas ou dos heróis portugueses, a pintura representa QUATRO personagens, mas o texto explicativo omite, pura e simplesmente, um desses personagens - aquele que ostenta o letreiro "A Castilla y a Leon Nuevo Mundo dio Colon"

Coloquei a pergunta, mas deixo também a minha resposta:
Colon não é um intruso entre os Heróis Portugueses. Pelo menos não o era quando o tecto foi mandado pintar. Agora, nestes tempos, (e por quanto tempo?) é que parece inconveniente incluir o seu nome juntamente com os de Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral e o Infante D. Henrique.
Carlos Calado

quarta-feira, janeiro 21, 2009

PORTO - O Alentejano que descobriu a América

No próximo dia 23 de Janeiro, às 21,30h decorre mais uma sessão de divulgação do livro de Pedro Laranjeira "O Alentejano que descobriu a América"
CLUBE LITERÁRIO DO PORTO
Rua Nova da Alfândega, nº22 - Porto
Apresentação pelo Prof. Dr. Fernando Augusto de Morais

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Nova Missão de Busca

Caros Leitores,
Peço a vossa ajuda em confirmar se os antigos nobres do século XIV e XV em Portugal usariam algum tipo de cinto de tubos de bromze e armadura de bronze.
Estou tentando provar que as vestes de metal encontradas neste eskeleto pertenciam á equipa de Miguel Corte-Real, o qual gravou o seu nome na Pedra de Dighton em 1511 uns poucos kilómetros dali.
O eskeleto poderia ter sido o mesmo Miguel Corte-Real ou então de algum filho Indio que herdou os metais do pai.
A armadura é descrita como sendo 33cm de altura, 15,5cm de largura em cima, 12,5cm de largua em baixo com uma grossura de uns 0,5cm e feita em metal fundido.
Estava ainda munido de flechas feitas também de bronze "thin, flat, and triangular in shape, with a round hole cut through near the base" finas e Linkchatas, triangulares e com um furo redondo perto da base.
Outros eskeletos foram encontrados em Maine talvez onde teria desaparecido Gaspar Corte-Real?
Seria uma grande ajuda se algum dos leitores encontrasse nalgum museu em Portugal este tipo de coisas e me enviasse umas imagens.

domingo, janeiro 04, 2009

Carlos Fontes e as Fontes Colombinas

Como ávido leitor desta controvérsia que sou encontrei o seguinte texto no blog http://lusotopia.no.sapo.pt que partilho aqui convosco.

"Eu e Cristovão Colombo
  • Em 2004 um amigo da Universidade das Canárias veio a Lisboa, como objectivo fazer realizar uma pesquisa sobre Cristovão Colombo em Portugal.
  • Eu e os meus amigos, na sua esmagadora maioria professores, mandamo-lo para Itália. Regressou às Canárias, com a sensação que a passagem deste navegador por Portugal fora episódica.
  • A obra de Mascarenhas Barreto sobre Colombo, não me era desconhecida, mas era tida como pouco recomendável nos meios académicos e por isso não a li.
  • Foi com alguma curiosidade e espanto que, em 2005, saboreei o romance de José Rodrigues dos Santos que expõe num quadro ficcional as teses deste investigador.
  • O livro de Manuel Rosa e Eric J. Steele, saído em Outubro de 2006, revelou-me a minha profunda ignorância sobre a questão da nacionalidade de Colombo e tudo o que a mesma envolve.
  • Desde então nas horas vagas foi lendo uma vasta bibliografia sobre este navegador, personagens e a sua época, assim como todos os documentos atribuídos ao próprio Colombo.
  • Depois da fase das dúvidas em relação à versão oficial, passei pela fase das perplexidades sobre as barbaridades que se escrevem sobre o tema, até concluir que o solução para os enigma da sua vida estão Portugal.
  • A informação que tenho recolhido para esclarecer estes enigmas é de tal modo vasta que me interrogo sobre o significado social e cultural desta indiferença dos intelectuais portugueses sobre esta questão. Estou agora convencido que tem medo da verdade.
  • Neste sentido, nos próximos meses irei publicando novos dados, apoiados numa vasta bibliografia e documentos inéditos.
  • Em notas de rodapé serão apontadas as fontes bibliográficas e documentais consultadas, afim do leitor mais interessado puder verificar a autenticidade das provas apresentadas. No caso de encontrar qualquer erro, não hesite em contactar-me.
Carlos Fontes

Acumulam-se os dados sobre a possível origem portuguesa Cristóvão Colombo (Cristoval Colon). A polémica que tem gerado, só por si é um verdadeiro acontecimento num país onde não se valoriza nem se divulga de forma adequada as memórias e o património colectivo.

A verdade é que a vida de Colombo é um enigma. Nada bate certo na sua biografia oficial de origem italiana."


Ponto da Situação

A investigação está em curso, mas é possível apresentar algumas conclusões ainda que provisórias.

Cumprimentos ao Senhor Carlos Fontes pela forma imparcial como descreve as peças importantes deste enigma coisa que o blog da Pseudo-História Colombina desejava fazer mas sempre falha por aceitar a genovesiade do navegador como a úncia solução.

sábado, novembro 15, 2008

Não é como o pintam

Não é apenas em torno das suas origens, da sua nacionalidade, dos seus conhecimentos ou da localização dos seus restos mortais que se discute um dos mais mediáticos personagens da História.
Existem vários retratos que representam Don Cristóbal Colón, mas não há certezas que algum deles corresponda à verdadeira fisionomia do Descobridor das Américas. Face às descrições escritas do seu aspecto, talvez os mais fidedignos sejam o retrato pintado por Pedro Berruguete, a imagem do Almirante no quadro “Virgem dos navegantes” de Alejo Fernandez, que representa o navegador em idade mais avançada ou o retrato anónimo existente na Biblioteca Nacional, em Madrid, representando o navegador na força da vida.
Mas o retrato que mais nos habituámos a ver, quer nos livros da História, quer em vários artigos ao longo das décadas, foi pintado em 1519 pelo reputado italiano Sebastiano del Piombo e apresenta (em latim) a seguinte inscrição “Este é o retrato de Colombo, marinheiro lígure, o primeiro homem a penetrar nos antípodas”.

Esta pintura foi doada por um industrial ao Metropolitan Museum de Nova Iorque em 1900, e mostra um homem de meia idade, gordo e carrancudo, com lábios grossos e nariz achatado. Nada parecido com a imagem que as descrições escritas nos sugerem.
A mim, sempre me pareceu que era a imagem tipo de um ferreiro genovês. (sem olhar para as mãos)
Tendo assistido à emissão do documentário “A última viagem de Colombo” emitido há algumas semanas pelo canal História, voltei a reler algumas passagens do livro homónimo, de Martin Dugard, onde vamos sempre descobrindo novas incongruências da historieta que nos impingiram.
Vejam só o que consta na pág. 298, a propósito do quadro:
«Até os admiradores de Colombo contribuíram para a distorção da sua imagem….
… Piombo tinha apenas vinte e um anos quando Colombo morreu. Nunca tinha ido a Espanha, quanto mais posto a vista em cima do Almirante, e este nunca mandara pintar ou desenhar o seu retrato enquanto foi vivo. A carreira de Piombo, no entanto, estava em ascensão em 1519, trabalhava em Roma e era um amigo chegado de Miguel Ângelo. O mundo aceitou a pintura como a verdadeira imagem de Colombo e não havia razão alguma para que assim não fosse.
Os historiadores de arte viriam a descobrir mais tarde que a inscrição não fazia parte da pintura original, mas que tinha sido acrescentada anos mais tarde por uma mão desconhecida, sugerindo ainda que o quadro não teria sido feito em 1519, mas sim quinze anos mais tarde. Mais chocante ainda, a personagem era peremptoriamente identificada com um clérigo italiano»

Incorrigíveis, estes falsários! E ainda há quem continue a acreditar, hoje em dia, que não se passou nada de anormal para sustentar o Colombo ytaliano.

Carlos Calado

domingo, novembro 02, 2008

Como Camões Enaltece Colon

Há muitos "peritos" que atacam a teoria do Cristóvão Colon Português usando os escritos de Rui de Pina e de Luis de Camões.
Tal como é conhecido, Rui de Pina disse Colonbo ytaliano o que trai a verdade conhecida. Pois, como explicou Manuel Rosa, nesses dias o Almirante era bem conhecido como Colon e nunca como Colombo. Isto fica evidente nos documentos de Castela como na carta de D. João II de 1488 exposta no livro O Mistério Colombo Revelado em que o nome escrito por D. João II não é Colombo nenhum.

O outro argumento que diz que Camões nunca exaltou Colon como um Português cai por terra no Canto Décimo dos Lusíadas. Após descrever todas as partes do Oriente que os Portugueses nevegavam Camões vira-se para a descoberta do Ocidente:

Eis aqui as novas partes do Oriente,
Que vós outros agora ao mundo dais,
Abrindo a porta ao vasto mar patente,
Que com tao forte peito navegais.
Mas he tambem razão, que no Ponente
D'hum Lusitano hum feito inda vejais,
Que de seu Rei mostrando-se agravado,
Caminho ha-de fazer nunca cuidado.

Esse Lusitano agravado era Cristóvão Colon que fugiu para Castela dizendo que estava agravado com D. João II:
"Por lo cual dicho monarca [D. João II], aconsejado del doctor Calzadilla, de quien mucho se fiaba, resolvió mandar una carabela secretamente, la cual intentase lo que el Almirante le había ofrecido... lo cual habiendo llegado a noticia del Almirante, y siéndole ya muerta su mujer, tomó tanto odio a aquella ciudad y nación, que acordó irse a Castilla con un niño que le dejó su mujer, llamado Diego Colón, que después de la muerte de su padre le sucedió en su estado." História del Almirante, Capítulo XI -Cómo el Almirante se indispuso con el Rey de Portugal con motivo del descubrimiento que le ofreció de las Indias.

Segundo Camões o caminho feito para o Poente foi por um Lusitano que se mostrou (ou fez a parte) estar agravado com o seu Rei D. João II.
Tudo bate certinho com a história de Cristóvão Colon ser um Lusitano.

Que mais provas são preciso?

Olhai que ledos vão, por várias vias,
Quais rompentes leões e bravos touros,
Dando os corpos a fomes e vigias,
A ferro, a fogo, a setas e pelouros,
A quentes regiões, a plagas frias,
A golpes de Idolatras e de Mouros,
A perigos incógnitos do mundo,
A naufrágios, a peixes, ao profundo.

Por vos servir, a tudo aparelhados;
De vós tão longe, sempre obedientes;
A quaisquer vossos àsperos mandados,
Sem dar resposta, prontos e contentes.
Só com saber que são de vós olhados,
Demónios infernais, negros e ardentes,
Cometerão convosco: e não duvido
Que vencedor vos façam, não vencido.

Não mais, Musa, não mais, que a Lira tenho
Destemperada e a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida....
-Os Lusíadas, Canto Décimo.

segunda-feira, outubro 27, 2008

SANTARÉM - O Alentejano que descobriu a América

O livro de Pedro Laranjeira - "O Alentejano que descobriu a América" será apresentado em Santarém no próximo dia 31 de Outubro, com início às 18,00h no Teatro Sá da Bandeira.
O autor e o livro serão apresentados por Carlos Calado, presidente da Associação Cristóvão Colon.
O evento é promovido pela Câmara Municipal de Santarém.

quinta-feira, outubro 23, 2008

O Alentejano que descobriu a América



Sábado 25 de Outubro -16,00h
CALDAS DA RAINHA
Livraria Martins Fontes
R. Miguel Bombarda 49A
O livro e o autor serão apresentados pelo Ten-Cor Brandão Ferreira, Membro da Associação Cristóvão Colon
A apresentação na "Martins Fontes" conta com o apoio da Comunidade de Leitores das Caldas da Rainha


Domingo 26 de Outubro - 18:30 h
LISBOA
Livraria Ler Devagar - Fábrica Braço de Prata


"O Alentejano que descobriu a América"
de Pedro Laranjeira
A obra dedica grande atenção às investigações que indiciam a nacionalidade portuguesa do navegador e inclui as teses dos principais estudiosos do assunto, como Mascarenhas Barreto, Manuel Rosa, Roiz do Quental, José Rodrigues dos Santos e Manuel Luciano da Silva, que inspirou Manoel de Oliveira para a realização do seu último filme, "Cristóvão Colombo, o Enigma". É hoje evidente que o tecelão genovês Cristoforo Colombo nunca poderia ter sido o mais famoso navegador de todos os tempos. Estamos perante duas personalidades diferentes, ambas, aliás, documentadas, mas tudo indicando que o Almirante foi um nobre português, primogénito de D. Fernando Duque de Beja e de Isabel Gonçalves Zarco, filha do descobridor da Madeira e Porto Santo, João Gonçalves Zarco.
Uma intrincada trama histórica, protagonizada por D. João II, explica os mistérios que envolveram a identidade do homem que se terá chamado Salvador Fernandes Zarco, então conhecido como Cristóvão Colon, cuja nacionalidade só chega a discussão pública 70 anos após a sua morte, quando uma família italiana de apelido Colombo apresenta a Tribunal um "Testamento" (agora identificado como uma tosca falsificação) no intuito de obter a herança do Almirante - processo, de resto, julgado contra os peticionários por esse Tribunal, que entregou a herança a D. Nuno de Portugal, neto do filho português do navegador. Essa e muitas outras evidências são relatadas na presente obra, que inclui os mais recentes resultados de análises de ADN, comprovativas de que o descobridor da América, então chamado "Infante de Portugal", não era italiano, nem francês nem espanhol. O trabalho, formatado em estilo jornalístico e profusamente ilustrado, inclui entrevistas com as mais relevantes personalidades ligadas ao assunto em todo o mundo e pretende ser uma síntese de leitura fácil, cronologicamente muito bem apresentada, de um mistério que permanece até aos nossos dias. Da autoria de Pedro Laranjeira, jornalista e Director da Revista Perspectiva, o livro é uma edição da Free Zone. No espaço da "Ler Devagar", onde o autor, também poeta, fez muitas noites de Poesia Vadia, vai agora falar-se em prosa de tenebrosos meandros históricos que há mais de 500 anos criaram confusões que duram até aos nossos dias. Vão estar presentes vários membros da Direcção e Sócios Fundadores da Associação Cristóvão Colon. A obra agora dada à estampa, vai sair em traduções para inglês, alemão, holandês e francês, sob o título genérico "O Português que descobriu a América". Em 2009 será editada também em italiano, polaco e mandarim.Saiu já a versão em espanhol, "El Portugués que descubrió América", com tradução de Carlos Calado.
A apresentação do livro e do autor estará a cargo de Pedro Mota e Isabel do Carmo
Livraria Ler Devagar - Fábrica Braço de Prata - Rua Fábrica Material de Guerra (Poço do Bispo), Tel. 218 686 105 - LISBOA

sábado, outubro 11, 2008

"Colombo Português" Espinho, 11 de Outubro, 2008

Video de Manuel Rosa apresentado na conferência "Colombo Português" por Pedro Laranjeira na Cidade de Espinho a 11 de Outubro de 2008.