quinta-feira, março 26, 2009

A colonização da América


Um cemitério espanhol de 1494 está a mudar as ideias sobre a colonização da América.
A análise de restos mortais de membros da tripulação de Cristóvão Colombo está a surpreender os arqueólogos e antropólogos que desenterraram um cemitério espanhol em La Isabela, na Ilha de Hispaniola, actualmente na República Dominicana.
La Isabela, o local da escavação, foi fundado por Colombo na sua viagem para as Américas, em 1493-94, e os peritos pensam que a colónia tinha certa dimensão, pois incluía edifícios públicos, uma igreja e fortificações.
A análise de 20 esqueletos permitiu detectar mulheres e crianças índias, que viviam com os colonos, bem como o que parece ser um indivíduo africano, o que, a confirmar-se, altera ideias anteriores, pois os negros chegariam à América décadas depois, como escravos.
O estudo dos dentes permitiu detectar pistas sobre a dieta destas pessoas, nomeadamente durante a sua infância. Uma das esperanças dos arqueólogos será a de identificar alguns indivíduos ali enterrados, nomeadamente os marinheiros que partiram de Sevilha.
Todos os indivíduos tinham sinais de malnutrição e alguns deles sofreram os efeitos do escorbuto.

quarta-feira, março 25, 2009

Como se Cala os COLOMBOistas

Colon-o-Novo disse...

Caro Francisco.
Não concordo. Não é esse o sentido porque está a faltar no texto de Carlos Calado a mais importante frase de Hernando Colon e essa é aquela frase em que ele diz "Considerando isto...." Porque é aí que estão as palavras do próprio Hernando as palavars anteriores eram aquelas "consideradas" por ele e não ditas por ele.

-- PALAVRAS DE TERCEIROS:
"Per lo che alcuni che in una certa maniera pensano di oscurare la sua fama, dicono che fu di Nervi, altri che di Cugureo, e altri che di Bugiasco, che tutti sono luoghi piccoli presso alla città di Genova e nella sua stessa riviera, ed altri, che vogliono esaltarlo di più, dicono che era savonese, e altri genovese: e ancora quelli che più salgono sopra il vento, lo fanno di Piacenza, nella qual città sono alcune onorate persone della sua famiglia, e sepolture con armi, e lettere di Colombo, perché in effetto questo era già l'usato cognome dei suoi maggiori ancorché egli, conforme alla patria dove andò ad abitare e a cominciar nuovo stato, limò il vocabolo acciò che avesse conformità con l'antico, e distinse quelli che da esso discendessero da tutti gli altri che erano collaterali, e così si chiamò Colón."

-- PALAVRAS DE HERNANDO COLON:
Considerato questo, mi mossi a credere che, siccome la maggior parte delle sue cose furono operate per alcun mistero, così quello che tocca alla varietà di cotal nome e cognome non avvenne senza mistero. Molti nomi potremmo addurre in esempio, che non senza occulta causa furono posti per indizio dell'effetto che aveva a provenire, siccome in quello che tocca a colui di cui fu pronosticata la maraviglia e novità di quello che fece. Perché, se abbiamo riguardo al cognome comune dei suoi maggiori, diremo che veramente fu colombo, in quanto portò la grazia dello Spirito Santo a quel nuovo mondo che egli scoprì, mostrando, secondo che nel battesimo di San Giovanni Battista lo Spirito Santo in figura di colomba mostrò, qual era il figliuolo diletto di Dio, che ivi non si conosceva, e perché sopra le acque dell'Oceano medesimamente portò, come la colomba di Noè, l'olivo e l'olio del battesimo per l'unione e pace che quelle genti con la chiesa dovevano avere, poiché erano rinchiuse nell'arca delle tenebre e confusione. E per conseguenza gli venne a proposito il cognome di Colón, che ritornò a rinnovare, poiché in greco vuol dire membro, acciò che, essendo il suo proprio nome Cristoforo, si sapesse di chi era membro, cioè di Cristo, per cui a salute di quelle genti egli aveva ad esser mandato. Ed appresso, se cotal suo nome noi vogliamo ridurre alla pronuncia latina, ch'è Christophorus Colonus, diremo che, siccome si dice che San Cristoforo ebbe quel nome perché passava Cristo per le profondità delle acque con tanto pericolo, onde fu detto Cristoforo, e siccome portava e conduceva le genti, le quali alcun altro non sarebbe bastato a passare, così l'Ammiraglio, che fu Christophorus Colonus, chiedendo a Cristo il suo aiuto, e che l'aiutasse in quel pericolo del suo passaggio, passò lui e i suoi ministri acciò che facessero quelle genti indiane coloni, e abitatori della chiesa trionfante dei cieli, poiché egli è da credere che molte anime, le quali Satanasso sperava di godere, non essendovi chi le passasse per quell'acqua del battesimo, da lui siano state fatte coloni e abitatrici della eterna gloria del Paradiso."

Dizer que "com efeito" o seu nome já era Colombo NÃO era Hernando que o dizia mas os outros que mais subiam ao cumo.
É no parágrafo das palavras de Hernando que se explica a verdadeira razão do nome KOLON ser escolhido por ter o significado de Membro em Grego e NÃO como os outros diziam e que Hernando somente "considerou" que tinha de "facto sido limado de Colombo".

A afirmação "era já o sobrenome dos seus antepassados" era o que terceiros diziam ser a razão do nome ter-se trasnformado em Colon ou limado de Colombo... Considerando tudo isto, Hernando descontou essa afirmação e deu-nos logo a seguir a verdadeira razão do nome ter sido Colon e ainda que o foi por causa occulta.

Sexta-feira, Março 13, 2009 2:56:00 AM

Anónimo disse...

Isto é muito facil é somente modificar o texto para dar o sentido do autor:

Porque alguns que de uma certa maneira pensam em diminuir a sua fama, dizem que foi gordo, outros que foi baixo, e otros ainda que foi muito feio, que tudo são descrições más e outros que querem exaltar-lo de mais dizem que foi um gigante e outros que era uma cópia de Hércules. E outros, que mais fogem à verdade, dizem que foi um Deus vindo do céu porque de facto lá existem deuses igual a este e conhecem seu pai o qual era Zeus e viram um retrato de sua mãe muito bem pintado segurando-o como bébé e num letreiro escrito Colombo porque de facto este era já o sobrenome dos seus pais no céu e ele conforme a pátria onde foi viver limou-lhe a palavra para se confirmar com outra mais antiga e assim se destiguiu dos Deuses e tornou-se humano e por isso che chamou Colon.

Considerando todas estas trapalhadas, eu entendia que tal como a sua vida foi toda envolvida em mistério também no que toca á forma do seu nome não foi escolhido sem mistério... escolheu-o porque em Grego quer dizer Membro.

Quarta-feira, Março 18, 2009 9:32:00 PM

segunda-feira, março 23, 2009

Prefácio cerrado por Serrão.


Entre as obras que deixo inacabadas para o prelo, figura uma com o título «Cristóvão Colombo e Portugal», que coligi com boa cópia de argumentos, nos últimos vinte e cinco anos. São uma dúzia de ensaios históricos que dizem respeito à história portuguesa entre os anos 1470 e de 1510. Devo confessar que, para a melhoria do texto, em muito contribuíram as investigações que Manuel da Silva Rosa teceu acerca do descobridor do Novo Mundo, num esforço de revisão que merece o qualificativo de sério e diligente.....
- Joaquim Veríssimo Serrão.

COLOMBINADAS (4)

(continuação)
Parte 4

APRECIAÇÃO CRÍTICA AO LIVRO
PORTUGAL AND THE EUROPEAN DISCOVERY OF AMERICA
Christopher Columbus and the Portuguese (de Alfredo Pinheiro Marques, Ed. INCM 1992)

(1.7. Informação fornecida por Rui de Pina e outros cronistas portugueses)
pág. 34 – Todas as indicações, antigas e modernas, que mencionámos até agora, podem ser ainda mais sustentadas pelo chamado “Documento Assereto”, encontrado no Arquivo Notarial Estatal em Génova em 1904, num período em que a identidade de Colombo era um assunto altamente controverso. O documento é um registo notarial datado de 25 de Julho de 1479, o qual contem material que pode completar o elo em falta na cadeia, lançando luz sobre um período menos conhecido da vida do navegador e estabelecendo uma clara identificação entre o ‘Colombo’ nascido dum tecelão genovês em 1451 (acerca do qual existem documentos cuja autenticidade não está em causa) e o navegador ‘Colom’ que encontramos mais tarde a viver em Portugal.
pág. 35 - A autenticidade deste documento pode ser (e tem sido) contestada, mas mesmo se este ou qualquer um dos outros documentos que têm sido questionados tiver que ser abandonado, a verdade é que em conjunto eles constituem uma série que, apesar de não muito numerosa, é certamente suficientemente extensa para obrigar qualquer académico honesto a aceitar que Génova foi o local de nascimento do navegador que mais tarde apareceu em Portugal e daqui passou ao serviço de Castela para realizar a sua famosa viagem.
+ Neste caso, perante a “milagrosa” aparição de um documento que poderia pôr fim às polémicas, mas acabou por ser tão fortemente questionado, o Autor decide considerar a hipótese de ele ter de ser abandonado, mas refere que ainda sobrarão todos os outros. Só que não existe nenhum documento isento de dúvidas e este surgiu como sendo a “tábua de salvação”.
Conclui o Autor que o conjunto de documentos é suficientemente extenso pelo que, mesmo que alguns tenham de ser abandonados, o académico honesto é obrigado a aceitar que Génova foi o local de nascimento do navegador.
É, no mínimo, uma conclusão pouco académica, pois todo o estudioso honesto, perante a ‘obrigação’ de aceitar conclusões forçadas com base numa série de documentos dos quais alguns tenham de ser abandonados por se verificar a sua falsidade, só tem um caminho a seguir: ser mais exigente; não se sujeitar a que lhe ‘imponham’ o veredicto, e começar do zero, perscrutando, ele próprio, minuciosamente todos os documentos.

1.8. A juventude de Colombo e a sua chegada a Portugal
pág. 36 - O futuro sujeito de tanta controvérsia nasceu em 1451 em Génova, provavelmente próximo duma rua chamada ‘Olivella’. Ele era o filho dum humilde tecelão chamado Domenico Colombo e duma mulher chamada Susanna Fontanarossa ou Terrarrossa e foi baptizado de Cristoforo (embora haja quem não aceite que esta criança é o navegador que viveu em Portugal e Castela)
Cristoforo tinha uma irmã e três irmãos, dos quais apenas dois sobreviveram e cujos nomes são os mesmos que os dos irmãos que mais tarde ele chamou para se lhe juntarem.
+ Quando começa a construir a personagem do Colombo genovês, as certezas do Autor transformam-se num “provavelmente”, num dilema e numa afirmação incorrecta:
-nasceu provavelmente próximo duma rua chamada Olivella;
-a sua mãe chamava-se Fontanarrossa ou seria Terrarrossa;
-os nomes dos irmãos genoveses eram os mesmos dos irmãos que se lhe juntaram mais tarde (ao Almirante Colon).
Não sendo sequer importante saber em que rua nasceu Cristoforo, o Autor debate-se com as várias localidades que reclamaram ser o berço do tecelão e com a profusão de documentos incompatíveis entre si.;
Já quanto à mãe de Cristoforo, o Autor enfrenta o dilema da escolha: seria a Susanna Fontanarrossa casada com o Domenico Colombo ou seria a Terrarrossa, conveniente para explicar um escrito atribuído a Bartolomeu onde surge a palavra Terrarrubra?
E quanto aos nomes dos irmãos, a afirmação do Autor é incorrecta. Os dois irmãos de Cristoforo eram Bartolomeo e Giacomo. Os irmãos que acompanhavam o Almirante Colon eram Bartolomeu e Diego. O equivalente castelhano de Giacomo seria Jaime; o equivalente italiano de Diego seria Didacus.
(Nota: recentemente em 2006, vários anos depois da publicação deste livro em 1992, foram efectuados pela Universidade de Granada, exames antropomórficos sobre as ossadas de Diego Colon, os quais concluíram, cientificamente, que este morreu com uma idade não compatível com a idade que teria o Giacomo Colombo genovês).

pág. 36 – Tal como o seu irmão Bartolomeo, o jovem Cristoforo pode logo ter começado a trabalhar a bordo de embarcações em Savona ou mesmo em Génova, quando tinha apenas dezanove anos de idade.
Os filhos estão também registados na documentação, envolvidos em actividades similares às de seu pai, mas o cronista genovês António Gallo viria mais tarde a escrever que os jovens Colombo combinavam a actividade de tecelão com actividades marítimas e comerciais.
+ É uma hipótese falaciosa, pois o Autor afirma que o jovem Cristoforo pode ter feito o mesmo que o irmão Bartolomeo, mas não existe qualquer prova de que Bartolomeo o tivesse feito em Génova ou Savona. O cronista genovês António Gallo, escreveu que os jovens Colombo combinavam a actividade de tecelão com actividades marítimas e comerciais, pretendendo fundir estes personagens com os irmãos Colon, mas as suas palavras (ou pretensas palavras, pois trata-se de duas folhas soltas insertas numa colectânea publicada já no séc. XVIII) mostram que isso não passa de uma tentativa forçada:
«Os irmãos Cristoforo e Bartolomeu Colombo, lígures de nação, nascidos em Génova com origem plebeia, e que viviam do comércio da lã, em que o pai foi tecelão e os filhos, num tempo, cardadores, alcançaram em toda a Europa, nos tempos a que chegámos, uma grande celebridade pela sua coragem e por um descobrimento que será um marco na história da humanidade».
Ora Bartolomeu Colon não participou no descobrimento, e só foi juntar-se ao irmão Cristóvão Colon, na ilha Hispaniola, quase 2 anos depois da descoberta. Já o Almirante lá estava pela segunda vez.

pág. 37 – A primeira viagem que se conhece ao jovem Colombo foi feita em 1474-1475, numa expedição comercial no Mediterrâneo à ilha grega de Quios, onde os genoveses tinham interesses económicos. Em 1475-1476 Colombo, agora com 24-25 anos, provavelmente navegou numa frota de guerra genovesa ao serviço de Renato de Anjou, no Mediterrâneo Ocidental (…) No mesmo período, sabe-se de Colombo num esquadrão genovês que foi atacado ao largo do cabo de S.Vicente (Portugal) pelo corsário Guillaume de Caseneuve, conhecido como ‘Colombo-o-Velho’. O seu barco foi afundado e ele teria chegado a Portugal em 1476, provavelmente a nado.
+ O Autor escolhe a data de 1474/75 para fixar uma expedição comercial genovesa à ilha de Quios, na qual navegaria Colombo, sem qualquer prova de que teria ocorrido nessa data. O Almirante Colon escreveu que tinha viajado a Quios, mas não referiu a data nem qualquer expedição genovesa.
Da mesma forma, Colon escreveu que tinha colaborado com Renato de Anjou e o Autor conclui que ‘provavelmente’ navegou numa frota de guerra genovesa ao serviço de Renato de Anjou em 1475/76, para depois referir que, pela mesma altura, consta que estaria num esquadrão genovês atacado próximo do cabo S. Vicente, no tal episódio caricato que traz Colombo até Portugal, possivelmente a nadar.
Ou seja, zero certezas, mil confusões. Ainda aumentadas pelo Autor ao escrever que a baralhação de nomes entre Coullon (Colombo-o-Velho) possível protagonista do ataque ao esquadrão genovês e Colombo-o-Novo (John Bissipat) protagonista numa batalha naval contra venezianos em 1485, levou alguns a confundir a identidade do Almirante Colon com a de um dos corsários Colombo e que isto contribuiu para a orgulhosa afirmação feita pelo filho do humilde taberneiro, ao dizer que ele não era o primeiro Almirante da sua família.
É absolutamente inconcebível que o Autor impute uma afirmação do Almirante Colon, quando disse não ser o primeiro Almirante da família, ao alegado facto de ele ter sido induzido em erro ou tentação, por “alguns” (refere-se aos biógrafos Bartolomé de las Casas, Hernando Colon e a outros) que confundiram a sua identidade com a dos corsários Colombo e indicaram a data de 1485 para o tal naufrágio.
(Cf. pág. 37- «Biógrafos posteriores, Hernando Colon e Las Casas, fizeram muita confusão nos seus relatos deste período e colocaram Colombo numa outra batalha naval travada mais tarde, em 1485, entre venezianos e outro corsário, também conhecido por Colombo (mas ‘o-Novo’). Mas também há aqueles que tentaram usar isto para confundir ainda mais a questão da identidade de Colombo, avançando teorias que o identificaram com um dos corsários Coullon. Na verdade, a semelhança de nomes e a proximidade das datas deve ter sido uma grande tentação – e também terá contribuído para a orgulhosa afirmação feita uma vez pelo filho do humilde taberneiro…»)
Ou seja, para além dos já conhecidos atributos do Almirante Colon, o Autor descobriu-lhe um outro: futurologia – que lhe permitiu adivinhar o que os seus biógrafos escreveriam umas décadas depois dele morrer.

pág. 37 –Conseguindo a sua posição nos mundos da navegação comercial portuguesa e Atlântica, diz-se que Colombo navegou até Inglaterra em 1477 (embora isto seja altamente contestado) e até, subsequentemente, desde Bristol até à Islândia (o que é ainda menos provável).
+ Tem razão o Autor. Quem participou nessas viagens a Inglaterra e Islândia foi o futuro Almirante Colón, como escreveu nas suas anotações. O Colombo genovês continuava tecelão e taberneiro na sua terra, pois nada consta sobre a sua entrada nos mundos da navegação comercial portuguesa e Atlântica.

pág. 37 – Neste período as exportações de açúcar a partir da Madeira estavam a aumentar. Por volta de 1478-79, Colombo provavelmente navegou até à ilha da Madeira, como agente para o mercador genovês Paolo di Negro.
+ E repentinamente, o Autor transmuta o seu tecelão analfabeto (lembremo-nos que afirmou anteriormente que Colombo não escrevia genovês por não ser um idioma escrito, nem italiano porque nunca o aprendeu) em agente comercial. Como seria que o analfabeto lidava com a papelada do negócio?

pág. 37 - O irmão de Colombo, Bartolomeo, provavelmente juntou-se-lhe em Portugal, aparentemente trabalhando como cartógrafo em Lisboa.
+ Mais uma frase que condensa uma mão-cheia de nada: “provavelmente” e “aparentemente”.
Ou seja, sem quaisquer provas ou registos algum historiador anterior escreveu aquilo de que o Autor agora se faz eco. Não se conhece qualquer carta cartográfica assinada por Bartolomeo Colombo, nem sequer é minimamente verosímil que este outro tecelão “chegasse” a Portugal e se transformasse num perito em cartografia.

(continua...)
Carlos Calado

quinta-feira, março 19, 2009

COLOMBINADAS (3)

(continuação)
Parte 3

APRECIAÇÃO CRÍTICA AO LIVRO

PORTUGAL AND THE EUROPEAN DISCOVERY OF AMERICA
Christopher Columbus and the Portuguese (de Alfredo Pinheiro Marques, Ed. INCM 1992)

(1.3. O seu estranho idioma)
pág. 21 - O ‘idioma pessoal’ de Colombo era uma mistura, razoavelmente desinibida e prática, de vários elementos (empregando frequentemente uma espécie de denominador comum entre as várias gramáticas e ortografias dos idiomas em questão), mas, segundo o especialista espanhol neste problema, Menendez-Pidal, nos diz e tal como Consuelo Varela e outros confirmaram recentemente, o seu principal conteúdo era claramente Português.
De facto, Colombo não falava nem escrevia correctamente nenhum idioma em concreto.
pág. 22 – Talvez não seja tão estranho que um italiano que deixou o seu país quando era ainda um jovem não fosse capaz de escrever adequadamente na sua língua natal. Dado que o dialecto Genovês não tinha forma escrita, é bastante improvável que ele pudesse ter aprendido a escrevê-lo; já quanto ao Italiano literário, segundo Menendez-Pidal, é improvável que ele pudesse fazer mais do que apenas ler, e mesmo isso, faria mal. Embora ele tivesse sido influenciado pelas suas origens burguesas italianas, a sua principal educação teve lugar durante o longo período que viveu em Portugal.
+ Por estas afirmações do Autor podemos então concluir que não aprendeu a escrever o dialecto genovês (porque não tinha forma escrita), nem o Italiano literário; ou seja, o jovem Cristoforo Colombo quase não aprendeu a escrever (Marianne Mahn-Lot, em “Portrait historique de Christophe Colomb” escreve que ele teria aprendido uns rudimentos de latim «probablement une teinture de latin – connaissance indispensable aux cartographes, qui transcrivaient dês légendes explicatives en cette langue») .
Mesmo aceitando-se que chegou então a Portugal com 24 ou 25 anos, como afirma o Autor, teve aqui a sua principal fase de educação durante o “longo período” de 9/10 anos.
Génio dos génios, o pouco letrado, quase analfabeto Cristoforo Colombo terá frequentado alguma espécie de ‘escola primária para adultos’ para aprender a escrever?
E para não perder tempo, fê-lo simultaneamente com os estudos mais avançados em Cosmografia, Geografia, Latim, Hebraico, Navegação, Teologia, etc. tendo ainda muito tempo de sobra para participar nas viagens portuguesas de descobrimentos e exploração que se prolongavam, naturalmente, por vários meses; nesse período também casou, provavelmente em 1479 e foi viver uns tempos na Madeira e em Porto Santo…
O leitor acha que isto é mesmo verosímil?

pág. 22 – A verdade, como afirmei, é que as principais formas encontradas na sua escrita mantêm-se Portuguesas. O que é ainda mais estranho é que mesmo na sua correspondência enviada ao Embaixador de Génova, o italiano Frei Gaspar Gorrício, ao seu filho Diogo e ao seu irmão Bartolomeu, ele sempre utilizou aquela sua linguagem híbrida em lugar de o fazer em Italiano. Já não saberia como escrever em Italiano? Nunca aprendeu a escrevê-lo?
+ Que CC escrevesse naquela sua linguagem fortemente Portuguesa ao seu filho Diogo poderia compreender-se, mas mais lógico seria se o fizesse em Castelhano, já que Diogo foi para Castela quando tinha apenas 4 ou 5 anos de idade. Para o seu irmão Bartolomeu é menos compreensível que não o fizesse em Italiano; mas para o Embaixador genovês é mais do que estranho que CC escrevesse na sua linguagem fortemente Portuguesa.
Mas o Autor não retirou quaisquer conclusões desses factos muito estranhos…
Nota: Corrija-se o nome do Embaixador de Génova indicado pelo Autor, que não era Frei Gaspar Gorricio, mas sim Niccolo Oderigo. CC também enviou cartas a Gaspar Gorricio, e também não as escreveu em Italiano.

pág. 22 – Porém, vale a pena salientar, em relação com as origens de Colombo, que o facto de se encontrarem, por vezes, algumas poucas formas Italianas e Genovesas nos seus escritos, seria dificilmente explicável se Colombo nunca tivesse tido nenhum contacto com a Ligúria.
+ Sobre a existência de meia dúzia de palavras com laivos de Italiano, alinhavadas numa tentativa de frase sem qualquer nexo, já o Autor tira conclusões: «Colombo teve que ter algum contacto com a Ligúria.»
E porque não? CC não casou numa família com origens italianas, tal como o Autor fez questão de referir ao afirmar (pág. 21) que os círculos de imigrantes italianos (onde inclui os Perestrelos) naturalmente falavam na língua do país de acolhimento (Portugal)? Não navegou pelo Mediterrâneo? Seria necessário mais do que esses contactos para aprender meia dúzia de palavras italianas?

(1.6. O que de facto se conhece sobre a sua identidade)
pág. 31 – A controvérsia pode bem continuar até ao insuportável, mas está fora de questão que, qualquer que seja a diversidade de opiniões noutros assuntos, o facto de Colombo ter nascido em Génova foi aceite pela maioria dos historiadores de todo o mundo que tenham lidado série e profundamente com a questão colombina – tais como Harisse, Vignaud, Morison, Taviani, Ballesteros y Beretta, Manzano y Manzano, Rumeo de Armas, e muitos outros académicos mais recentes.
+ A simples constatação do que o Autor afirma, «o facto de Colombo ter nascido em Génova foi aceite pela maioria dos historiadores …», já demonstra duas incongruências:
primeira – um facto que tem de ser aceite por uma maioria de historiadores mais se aproxima duma hipótese forçada, por falta ou omissão de alternativas suficientemente fortes, do que de uma evidência inquestionável;
segunda – na verdade, o facto de tantos historiadores se terem preocupado em questionar o local de nascimento de CC e o Autor os invocar aqui, indica que não faz sentido o que escreveu anteriormente na pág. 19:
«Dado isto, parece-me um pouco desajustado preocuparmo-nos demasiado com o local de nascimento dum homem do séc. XV para lhe atribuirmos uma ‘nacionalidade’»

pág. 31 – O texto mais importante – que efectivamente, por si só, resolve a questão – é o documento de legação dos seus bens e títulos, no qual Colombo nomeou os seus herdeiros e no qual ele claramente afirma que nasceu em Génova. A autenticidade deste documento foi questionada há algum tempo (quando surgiram as teorias ‘espanholas’), mas tais dúvidas não têm justificação possível, dado que existe confirmação num registo régio conservado no Arquivo Oficial de Simancas.
+ Perante as peremptórias afirmações do Autor, defendendo que não há justificação possível para questionar a autenticidade do documento (Testamento ou Morgadio de 1498), porque existe confirmação régia no Arquivo oficial de Espanha, e perante tantos argumentos, muitos deles até mais recentes que podem consultar-se, demonstrando que quer na forma quer no conteúdo, o Documento de 1498 é mais do que duvidoso, só podemos perguntar ao Autor se chegou a ver o Documento, se estudou o teor do seu conteúdo descritivo, e se avaliou o cumprimento de formalismos, enfim, se pode garantir a todos os seus leitores que não há dúvidas absolutamente nenhumas sobre a sua autenticidade. Porque antes disso, ficaremos sempre com a sensação (já confirmada noutros casos) de que está convicto da autenticidade do Documento só porque ‘alguém’ disse que era autêntico.

pág. 31 – Para além disso, em 1502, quando Colombo tinha caído em (relativa) desgraça na Corte castelhana devido ao falhanço do seu plano e ele tinha sido desapossado das suas honras como Vice Rei da Índia, ele escreveu cartas ao Embaixador genovês e ao Banco de S. Jorge de Génova, nas quais ele demonstrou que ser um emigrante originário da Ligúria.
+ Cartas essas que não fazem parte do restrito grupo de documentos classificados como autógrafos ou como tendo sido ditados ao seu escrivão, nada garantindo então a sua autenticidade.

pág. 31 – As afirmações de um número de cronistas, portugueses, espanhóis e genoveses, também devem tomar-se em consideração. Durante a sua estada em Espanha, o seu biógrafo Bartolomé de las Casas (que diz que ele era ‘da nação genovesa’) não foi o único a evidenciar a sua nacionalidade de origem; (…) Similarmente, o cronista oficial de Génova nos finais do séc. XV, António Gallo, escreveu que “Cristoforo e Bartolomeo Colombo, da nação da Ligúria, filhos do povo, assalariados genoveses … alcançaram grande fama pela Europa” (…)
pág. 32 – João de Barros chama-lhe Cristovam Colom, a forma portuguesa pela qual ele era provavelmente mais comummente conhecido em Portugal, mas seguidamente diz que “segundo a opinião geral … ele era genovês de nascimento”
pág. 33 – Mas em Rui de Pina nós encontramos a afirmação clara de que o seu nome era realmente Colombo e que era italiano.
+ Para cada um dos cronistas invocados já foram apresentadas fortes desconfianças sobre o que escreveram, quando, como e porquê.
Veja-se, p. ex. António Gallo, que enalteceu os irmãos Cristoforo e Bartolomeo Colombo, de humildes pais genoveses, os quais alcançaram grande fama pela Europa.
Gallo também escreveu que conhecia bem a família, mas 'esqueceu-se' do terceiro irmão, Giacomo Colombo, talvez porque o irmão do Almirante Colón se chamava Diego e não Giacomo. Além disso atribuiu grande fama, por um descobrimento no qual não participou, ao praticamente anónimo Bartolomeu.
São cronistas assim, nada imparciais, pouco precisos ou baseados noutros anteriores, que o Autor invoca.
Quanto aos cronistas portugueses, João de Barros não afirma ele próprio que CC era genovês, preferindo pôr as palavras na boca de ‘toda a gente’ e Rui de Pina, num já famoso documento, parece ter deixado em branco um espaço para ser preenchido posteriormente, intervalando as palavras demasiado curtas.
Mas o mais surpreendente nesta invocação de vários cronistas, todos eles difundindo a nacionalidade genovesa de Colombo, é a contradição do Autor com as suas afirmações anteriores (pág. 18 / 19) defendendo que sobre aquela época não se pode falar de nacionalidade de alguém atribuindo-lhe o sentido actual, pois ela dependia do soberano a quem se servia.
Temos então aqui um navegador a efectuar descobertas em nome dos Reis de Castela e ao qual ninguém, em momento algum, chamou ou considerou castelhano.
E, para cúmulo, o cronista oficial português, que deveria conhecer a sua forte ligação com Portugal e reconheceu as suas descobertas ao serviço de Castela, atribuiu-lhe uma nacionalidade inexistente: “ytaliano”!
Quem é que andou a enganar quem?

Carlos Calado
(continua...)

Pedra Aparelhada

O Marquês de Abrantes disse na sua nota da página 41, que a Torre de Newport foi feita de "pedra aparelhada e obdece a um traçado arquitectónico perfeito". Não foi nem é. A torre é toda feita de pedra bruta.. toda menos uma pedra numa janela que levou algum trabalho para aparelhar. A parede é toda feita de duas filas de pedra, o que se faz no Pico como "parede dupla" que atinge maior estabilidade só que no Pico não se usa argamassa como se fez na torre o que era necessário para poder fazer-la de tanta altura como é.
"Pedra aparelhada: é pedra aperfeiçoada com uma ou mais faces acabadas de modo especial"
Dicionário técnico By Mauri Adriano Panitz

domingo, março 15, 2009

18 de Março de 2009
Conferência na
Academia da Força Aérea

A PORTUGALIDADE DE CRISTÓVÃO COLON

CRONOGRAMA
  • 17:30 APRESENTAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO CRISTÓVÃO COLON PELO MAJ. AURÉLIO ALMEIDA
  • 17:34 INTRODUÇÃO E METODOLOGIA DOS TRABALHOS PELO TCOR CARLOS NEVES

  • 17:36 PEDRO LARANJEIRA: Perspectiva geral sobre a deturpação da história que permitiu a aceitação da tese italiana, sua confrontação com os factos.
  • 17:47 TCOR BRANDÃO FERREIRA: Visão geo-estratégica do problema enfrentado por D. João II perante o crescente poderio de Castela, e como o poderia solucionar.
  • 18:04 DR. ABEL CARDOSO: Evidências sobre a Portugalidade de Cristóvão Colon.
  • 18:15 DR. PAULO LOUÇÃO: Quem poderia personificar uma solução para D. João II - A ligação de Cristóvão Colon à Ordem de Cristo e o papel da Ordem na sociedade e na expansão portuguesas. O símbolo da Ordem, que foi adoptado pela Força Aérea.
  • 18:31 ENG. CARLOS CALADO: Conjunto de novos dados e indícios sobre a naturalidade de Cristóvão Colon.
  • 18:42 DR. MANUEL LUCIANO DA SILVA (por TeleVideo desde os EUA): Cristóvão Cólon era Português.
  • 18:53 MANUEL ROSA (por TeleVideo desde os EUA): Refutações Fantasiosas do Colombo Português a Presunção da Refutação por Vasco Graça Moura, Luis de Albuquerque, Luiz de Lancastre e Távora.

  • 18:59 INÍCIO DO DEBATE
  • 19:40 FIM DA CONFERÊNCIA
  • 20:00 JANTAR

quinta-feira, março 12, 2009

COLOMBINADAS (2)

(continuação)

Parte 2

APRECIAÇÃO CRÍTICA AO LIVRO

PORTUGAL AND THE EUROPEAN DISCOVERY OF AMERICA
Christopher Columbus and the Portuguese
(de Alfredo Pinheiro Marques, Ed. INCM 1992)

(1. A controvérsia sobre o nascimento e a identidade de Cristóvão Colombo)

pág. 17 – Porque há tanta controvérsia e tanta dificuldade em arranjar documentação fiável acerca do nascimento e da identidade deste enigmático personagem?

+ Esta interrogação do Autor comprova, afinal, que por todo o mundo há interesse em saber onde nasceu e quem era CC, contrariando as suas próprias afirmações onde menciona que isso não é importante.

pág. 17 – A vida de Colombo pode ser dividida em três fases: antes, durante e depois do seu triunfo em Castela – correspondendo aos períodos 1451-1493, 1494-1499, e 1500-1506. Na primeira fase os problemas de identificação devem-se certamente à escassez da documentação existente; na segunda fase eles são provavelmente o resultado do mistério em que o Almirante procurou envolver o seu passado. Mas o mistério é de alguma forma esclarecido na terceira fase dado que, entretanto caído em desgraça e dificuldades financeiras, e portanto sem necessidade de continuar a manter as aparências, Colombo haveria de deixar algumas pistas mais ou menos explícitas acerca das suas origens.
pág. 18 – (…) para não mencionar a existência de alguns documentos desta terceira fase, cuja autenticidade já não pode ser contestada, e nos quais o próprio Colombo claramente afirma que nasceu em Génova.

+ Contraditória esta afirmação do Autor pois o documento que invoca, o tal Testamento (ou Morgadio) onde o Almirante teria declarado ser de Génova, para além de muito duvidoso e com várias falsidades apontadas, é datado de 1498, quando CC ainda não tinha caído em desgraça e se preparava para iniciar a terceira viagem. Se fosse verdadeiro, o documento teria sido elaborado no período que o Autor intitula de segunda fase, aquela em que CC envolvia o seu passado em mistério.
O que fica visível nesta contradição é que na chamada segunda fase, CC envolvia o seu passado em mistério e, portanto, não iria esclarecê-lo num testamento (caso contrário o Autor não classificaria assim as fases), e que na chamada terceira fase CC não declarou que tinha nascido em Génova, como nunca tal declarou em qualquer momento da sua vida.

pág. 18 – Fernando Colombo não conseguiu (ou não quis) apresentar qualquer informação concreta ou fiável sobre o local de nascimento do seu pai.
De qualquer forma, Fernando indica que o nome original de seu pai era Colombo, e desde então isto ficou associado com a designação de Génova como sendo o lugar de nascimento. Finalmente ele diz-nos que, para se adaptar ao país para o qual emigrara, seu pai mudou o nome de Italiano para Espanhol – de Colombo para Colón.

+ Não há, na “Historie” de Hernando Colón qualquer afirmação sua de que seu pai mudou o nome do Italiano para o Espanhol, nem de Colombo para Colón.

«Como uma das principais coisas que pertencem à história de cada homem célebre é que se saiba a sua pátria e origem (…) alguns queriam que eu me ocupasse em declarar e dizer como o Almirante procedia de sangue ilustre ainda que os seus pais, por má sorte, viessem a passar grandes necessidades, e que eu mostrasse que ele procedia daqueles ‘Colone’ enaltecidos por Cornelio Tácito (…)
E queriam que eu fizesse um grande conto sobre aqueles dois ‘Colone’ seus parentes, dos quais Sabelico descreve uma grande vitória (…)
Mas eu escusei-me a fazer esse papel, crendo que ele tinha sido eleito por Nosso Senhor para uma coisa tão grande como a que ele conseguiu.
De modo que, tanto quanto mais apta e dotada de tudo o necessário para esse grande feito foi a sua pessoa, mais se exigia que fossem incertas e desconhecidas a sua pátria e origem.
Pelo que alguns, que de certa forma pretenderam obscurecer a sua fama, disseram que era de Nervi, outros que de Cogoleto, e outros que de Bogliasco, todos eles pequenos lugares perto de Génova; e outros, que quiseram enaltecê-lo mais, diziam que era Savonês e outros diziam Genovês;
E ainda aqueles que mais sobem sobre o vento, fazem-no de Piacenza, cidade na qual há (*) algumas honradas pessoas da sua família, e sepulturas com brasões e nomes de Colombo, porque, com efeito, este era já o sobrenome dos seus antepassados, ainda que ele, conforme com a pátria para onde foi viver e começar novo estado, limou o vocábulo para que ficasse conforme com o antigo, e distinguisse o que dele descenderem de todos os outros que lhe eram colaterais, e assim se chamou Colón.»

O que Hernando Colón escreveu foi que, outras pessoas queriam que ele, Hernando, dissesse que seu pai procedia dos ‘Colone’; e que outras pessoas, para diminuir ou enaltecer seu pai, diziam que era de Nervi ou Cogoleto, ou Savona ou Génova, mas os que ‘mais subiam acima do vento’ (expressão muito semelhante a ‘viviam nas nuvens’), faziam-no de Piacenza, por haver nessa cidade sepulturas da família Colombo(*), e depois afirmavam que ele tinha limado o nome para Colón, adaptado à pátria para onde foi viver.

(*)O facto é que em Piacenza existiam sepulturas e brasões da família Colonna, não de alguma das famílias Colombo.


(1.1. As controvérsias sobre a sua nacionalidade)

pág. 18 – Com efeito, quando lidamos com o séc. XV não faz sentido falar-se de ‘nacionalidade’ com o significado que atribuímos actualmente ao conceito. Naquela época as pessoas não eram ‘portuguesas’ ou ‘genovesas’ ou’ castelhanas’, muito menos eram ‘espanholas’ ou ‘italianas’ no sentido que assim são hoje. Cada indivíduo era, acima de tudo, um ‘súbdito do Rei de Portugal’ ou do Rei de Castela, ou de algum outro senhor. E segue-se portanto que uma pessoa podia, obviamente, mudar de ‘nacionalidade’ muito facilmente, mudando simplesmente de soberano. A noção de que se toma a nacionalidade com base na terra onde se nasce estava certamente a começar a ganhar algum significado (conquanto mais para a burguesia e para a plebe do que para a nobreza feudal) (…)
pág. 19 – (…) Foi isto que aconteceu com Colombo. Ele foi, sucessivamente, ‘genovês’, ‘português’ e ‘castelhano’ à medida que a sua sorte e as vicissitudes da sua carreira o levaram a viver em diferentes locais e a colocar-se ao serviço dos respectivos soberanos.

+ Porém, ao pagar a CC por serviços prestados aos Reis de Castela, seus soberanos nesses tempos, o tesoureiro real chamou-lhe ‘el portugués’. Certamente não foi por pensar que CC estava ao serviço do Rei de Portugal…
E quando pretenderam retirar-lhe os privilégios, os Reis Católicos acusaram CC de ser ‘estrangeiro’. Será que foi por pensarem que CC tinha sempre estado ao serviço dum soberano estrangeiro e não deles próprios, soberanos de Castela e Aragão?

(continua)

Carlos Calado

quarta-feira, março 11, 2009

O Colombo vai nú !

Desde 1487 que Cristóbal Colomo, repetidamente designado por um indefinido ‘extrangero’, mas uma vez, com forçado anonimato, designado por ‘el portogués’, recebia pagamentos dos Reis Católicos por ‘algunas cosas complideras al servicio de Sus Altezas’.

1487-05-05 – “En dicho día di a Cristóbal Colomo, extrangero, tres mil maravedís, que está aqui faciendo algunas cosas complideras al servicio de Sus Altezas; por cédula de Alonso de Quintanilla, con mandamiento del obispo.”
(Libro de cuentas del tesorero Francisco González de Sevilla, in Navarrete, Viajes, tomo II, pag. 4, doc. II, apud Rumeu de Armas, 1982, p. 18)

1487-10-18 – “Dj mas a .............................., portugues, este dia treynta doblas castellanas, que Su Altesa le mando dar presente el dotor de Talauera; dioselas por mj Alonso de Qujntanjlla; este es el portogues que estaua en el Real; esto fue a la partida de Linares, et su altesa me lo mando en persona …”
(Libro de los maravedís que rescibió Pedro de Toledo, de las penas de cámara et del gasto dellos fasta fin de LXXXVII, fl. 6, apud Rumeu de Armas, 1982, p. 29)

As ‘cosas cumplideras’ que Cristóbal Colomo estava fazendo junto de Suas Altezas, tinham a ver com a discussão dum projecto de CC para conseguir chegar à Índia navegando para Ocidente, segundo mencionam vários historiadores.

A 20 de Março de 1488, o Rei de Portugal, D. João II escreve uma carta dirigida àquele homem que estava em Castela, chamando-lhe Cristóvão Colon e tratando-o por ‘especial amigo’

«A Xpoval Collon, noso especial amigo em Sevilha.Xpoval Colon:Nós Dom Joham per graça de Deos Rey de Portugall e dos Algarves, daquem e dallemmar em Africa, Senhor de Guinee vos enviamos muito saudar. Vimos a carta que nosescreveste e a boa vontade e afeiçam que por ella mostraaes teerdes a nosso serviço. Vos agradecemos muito. E quanto a vosa vinda cá, certa, assy pollo que apontaaes como por outros respeitos para que a vossa industria e bõo engenho nos será necessário, nós a desejamos e prazer-nos-ha muyto de vyrdes porque em o que vos toca se darà tal forma de que vós devaaes ser contente.»…

Em 1492, vencidas as dificuldades para convencer a junta de sábios dos Reis Católicos para aceitar o seu plano, o homem que estava em Castela, agora designado por Don Cristóbal Colón, recebe dos Reis "As capitulaciones" com os requisitos que lhes propusera, no qual ‘Las cosas suplicadas’ por Don Cristóbal Colón são dadas e outorgadas por Suas Altezas


Capitulaciones de Santa Fé de Granada

«Las cosas suplicadas y que vuestras altezas dan y otorgan a don Cristóbal de Colón, en alguna satisfaccion de lo que ha descoberto en las mares océanas y del viaje que ahora, con la ayuda de Dios, ha de hacer por ellas en servicio de vuestras altezas, son las que se siguen.

Primeramente, que vuestras altezas como señores que son de las dichas mares Océanas hacen desde ahora al dicho don Cristóbal Colón, SU ALMIRANTE, en todas aquellas islas y tierras firmes que por su mano o industria se descubrirán o ganarán en las dichas mares Océanas (...)
Otrosí, que vuestras altezas hacen al dicho don Cristóbal SU VISORREY Y GOBERNADOR GENERAL en todas las dichas tierras firmes e islas que como dicho es él descubriere o ganare en las dichas mares, (...)
Item , que de todas y cualesquiera mercaderías, siquiera sean perlas, piedras preciosas, oro, plata, especiería y otras cualesquiera cosas y mercaderías de cualquier especie, nombre y manera que sean, que se compraren, trocaren, hallaren, ganaren y hubieren dentro de los límites de dicho almirantazgo, que desde ahora vuestras altezas hacen merced al dicho don Cristóbal, y quieren que haya y lleve para sí la decena parte de todo ello, (...)
Otrosí, que si a causa de las mercaderías que él trajera de las islas y tierras, que así como dicho es se ganaren o se descubrieren, (...)
Item , que en todos los navíos que se armaren para el dicho trato y negociación, cada y cuando, y cuantas veces se armaren, que pueda el dicho don Cristóbal Colón si quisiere contribuir y pagar la ochena parte de todo lo que se gastare en el armazón, y que también haya y lleve del provecho la ochena parte de lo que resultare de la tal armada.
Place a sus altezas. Juan de Coloma.
Son otorgadas y despachadas con las respuestas de vuestras altezas en fin de cada un capítulo, en la villa de Santa Fe de la Vega de Granada, a XVII de abril del año del Nacimiento de Nuestro Señor de mil CCCCLXXXXII.

Yo el rey. Yo la reina.

Nestas "Capitulaciones", com as condições requeridas por CC e aceites pelos Reis, nem uma palavra sobre Índia, Ásia ou caminho marítimo para a Índia.
Os castelhanos, lançam-se entusiasmados, na aventura do mar oceano para Ocidente. Embrenhados e absorvidos, não mais importunam os navios portugueses nas rotas de África.

CC regressa da descoberta do Novo Mundo e proclama que vem das Índias.

«Christianísimos e muy altos y poderosos prínçipes, rey e reina, nuestros señores:La vitoria que Nuestro Señor dio a V. Al. tan señalada de las Yndias en tan breve tiempo amostrava qu'el subçeder uviese de ser muy próspero y a causa de cosa de maravilla en el mundo. Yo partí de Cádiz miércoles a veinte e cinco de septiembre con la armada y gente que Vra. Al. me mandaron dar que yo llevase a las Indias» ...

Mantém, durante toda a vida, que as terras que descobriu são as Índias, apesar de ter atribuído novos nomes a todos os locais por onde passou.

Como as terras descobertas se situam abaixo das Canárias, D. João II reclama, argumentando que pertencem a Portugal. A solução para a disputa, com ameaças de intervenção naval portuguesa e umas Bulas Papais pelo meio, é a assinatura de um novo tratado (Tordesilhas).

«Colombo empreendeu outras três viagens antes da autorização ser definitivamente retirada. Ele nunca cessou de insistir que a nova terra era a Ásia e foi aumentando o seu descrédito à medida que se tornava mais clara a evidência do seu falhanço – acima de tudo pela razão que tornou esse falhanço ainda mais doloroso para os espanhóis: persistindo na sua rota sudeste contornando África, os portugueses finalmente venceram a corrida e atingiram a Índia (Vasco da Gama, 1498) – a verdadeira Índia que todos tinham procurado tão arduamente»).
(Cf. Marques, Alfredo Pinheiro – The european discovery of America, Columbus and the portuguese)

Don Cristóbal Colón cumpriu o estipulado nas "Capitulaciones" outorgadas pelos Reis, para merecer as "Cosas suplicadas" (título, cargo e benefícios comerciais) mas defraudou completamente as expectativas que lhes foi criando e mantendo extra "Capitulaciones", mentindo sobre as terras, antes e depois de as encontrar.

Quando os Reis se apercebem de que foram enganados, ao constatar que os Portugueses chegaram à Índia e que as ilhas e terra firme para onde têm enviado os seus homens não são a Índia, procuram uma solução que não seja humilhante para eles próprios.

Francisco de Bobadilla é enviado para o Novo Mundo, com a missão de destituir, habilidosamente, CC dos seus títulos e funções.
Fá-lo através dum julgamento-farsa ‘El juicio de Bobadilla’, onde CC é acusado de vários crimes. Entre esses crimes não consta o de incumprimento das condições que lhe davam direito a título, cargo e benefícios comerciais, nem o de má-fé.

No registo dos testemunhos efectuado por Bobadilla consta, p.ex. o depoimento de Rodrigo Pérez, segundo o qual “uma ou duas mulheres tinham sido severamente castigadas e tinham-lhes sido cortadas as línguas, em 1495-96”
(Cf. Varela, Consuelo – “Colombo, a queda de um mito”)

mas

«…consentem (os Reis Católicos) por fim, em aprestar-lhe oito navios, escolhendo com minúcia as tripulações, correspondentes às exigências previstas: 20 marinheiros, 30 moços, 40 proprietários de terras, 50 camponeses, 10 hortelãos, 100 soldados e trabalhadores, 10 artesãos, 20 especialistas em trabalhos de ouro e, por fim, 30 mulheres, as primeiras a serem enviadas para o Novo Mundo. A Niña e a Índia levantam ferro em 23 de Janeiro de 1498…(os outros 6 navios partem em 30 de Maio)»
(Cf. Orlandi, Enzo - “A vida e a época de Cristóvão Colombo”

O julgamento foi também uma fraude, pois em 1495-96 não havia ainda nenhuma mulher europeia no Novo Mundo* e Don Cristóbal Colón nunca poderia castigar severamente e cortar a língua a alguém que lá não estava.

*(Cf. Orlandi, acima transcrito e todos os historiadores, com base nas listas de tripulantes e passageiros). Contactada Consuelo Varela para esclarecer a questão, afirmou-me que sim, já havia mulheres no Novo Mundo, mas não indicou qualquer outro documento onde isso constasse, aparte o próprio Juicio de Bobadilla.

Consagrados cronistas, historiadores e outros diplomados portugueses registaram e defenderam veementemente que a principal personagem destes episódios se chamava Cristoforo Colombo, era italiano e chegou ao Novo Mundo por acaso.

Os pesquisadores ou simples interessados que ousam confrontar essa tese oficial, contrapondo-lhe diversas evidências, são menosprezados e apodados de curiosos, amadores ou ignorantes.

Carlos Calado
11/03/09

terça-feira, março 10, 2009

José Ferreia Coelho
apresenta

"CONVERSAS INFORMAIS"

Museu da Marinha
14 de Março, 11:00 horas

O "Grupo de Amigos do Museu da Marinha" (GAMMA) promove todos os segundos Sábados de cada mês, com entrada livre, uma Palestra subordinada a um tema relacionado com as peças em exposição no Museu.

No dia 11 de Março, o Professor Doutor José Ferreira Coelho irá dissertar sobre "A Pedra de Dighton, possível marco da presença Portuguesa no Continente Americano", a propósito de uma réplica do monólito que se encontra na Nova Inglaterra e foi cedida pelo Dr. Manuel Luciano da Silva para exibição pública no Museu da Marinha, em Lisboa.


domingo, março 08, 2009

COLOMBINADAS (1)

APRECIAÇÃO CRÍTICA AO LIVRO

PORTUGAL AND THE EUROPEAN DISCOVERY OF AMERICA
Christopher Columbus and the Portuguese
(de Alfredo Pinheiro Marques, Ed. INCM 1992)

A apreciação crítica efectuada centra-se exclusivamente sobre o conteúdo expresso no livro, nomeadamente as suas próprias contradições, interpretações dúbias, extrapolações desadequadas, inconformidades com outros factos comprovados ou registados, etc., não se procurando, em nenhum momento, contrapor a tese portuguesa, nem invocar, a despropósito, dados ou factos não mencionados no livro.

(Em itálico figuram os extractos do texto do livro, traduzidos do inglês pelo autor desta apreciação, com preocupações de fidelidade e integridade)
(Os comentários do autor desta apreciação vão precedidos do sinal +)

Autor da apreciação: Carlos Calado

Parte 1
(Prefácio)

pág. 2 - Por estranho que pareça, dado que a questão de Colombo é tão importante, tão controversa e tão óbvia e estreitamente relacionada com Portugal, o facto é que até ao momento ela não mereceu atenção especial dos historiadores portugueses.
+ Mas, o Autor, apesar de reconhecer que a questão Colombo não mereceu atenção dos historiadores portugueses, refere, mais adiante, a existência de vários estudos sobre Colombo e as suas relações com Portugal. Só que, na perspectiva do Autor, esses estudos não podem ser tratados como autênticos trabalhos históricos ou considerados representativos da historiografia portuguesa, pelo facto de não terem sido efectuados por historiadores profissionais.

pág. 2 – A lacuna é verdadeiramente estranha, porque é inegável que ninguém deveria estar mais interessado em tal trabalho que os próprios portugueses.

+ É aos historiadores profissionais portugueses que compete esclarecer porque não se lançam a esse trabalho, preferindo, em geral, atacar os pesquisadores que o fazem apesar das suas limitações e dificuldades, e utilizando sempre à priori o argumento de que já está provado que Colombo era italiano.


(Introdução – A natureza pioneira dos descobrimentos portugueses e a sua influência no projecto de Colombo)

pág. 10 – Tão importante foi a educação de Colombo em Portugal que o único idioma que ele falava e escrevia era uma mistura na qual o Português predominava sobre o seu dialecto genovês nativo e algum castelhano que ele aprendeu depois.
+ Parte desta afirmação é contrariada pelos manuscritos de CC, onde, de facto, abundam as palavras portuguesas ou aportuguesadas para castelhano, mas não há palavras que se possam considerar genovesas.
pág. 11 – Quando a sua proposta para descobrir as terras da Ásia navegando na direcção Poente foi rejeitada em Portugal, Colombo foi para Castela (onde ele era inicialmente referido como sendo um ‘estrangeiro’ ou pensava-se que fosse um ‘português’)
+ É interessante comparar esta afirmação final, de que em Castela se pensava que Colombo fosse português, com uma frase do Autor um pouco antes (Cf. pág. 10:

«Mas a verdade é que a história não é feita com impressões não provadas nem com especulações esotéricas, mas com factos e documentos – tal como eles estão disponíveis, sejam bastantes ou sejam escassos.»).
+ Neste caso, perante a única nacionalidade atribuída a CC em Castela durante a sua vida, quando o tesoureiro dos Reis Católicos o registou, documentalmente, como “el portugués”, o Autor concluiu que «se pensava» que era português.

pág. 11 - Colombo acabou por deparar, não com a Ásia que procurava, mas com um novo continente que não sabia que existia e o qual confundiu com o princípio da terra que buscava. Mesmo depois de novas viagens ele continuou, teimosamente, a chamar Ásia a essas terras e Índios aos seus habitantes. É difícil dizer hoje se este teimoso equívoco era real ou fingido, mas parece mais provável a segunda hipótese, na perspectiva de que Colombo estava, desta forma, a salvaguardar os títulos e benesses que os monarcas espanhóis lhe tinham prometido para descobrir o caminho marítimo para a Índia.
+ Novamente o Autor contraria as apregoadas normas de fazer história apenas baseado em factos e documentos, ao concluir que CC fingia que tinha chegado à Ásia de forma a assegurar que receberia os títulos e benesses prometidos pelos Reis Católicos. Esses títulos e benesses constam das “Capitulaciones de Santa Fé de Granada” outorgadas em 17 de Abril de 1492 e nesse documento os Reis espanhóis prometem-lhos «como compensação do que descobriu no Mar Oceano e da viajem que agora irá fazer por esse mar».
Primeiramente, os Reis Católicos «fazem, desde agora ao dito Don Cristóbal Colón, seu Almirante em todas aquelas ilhas e terras firmes que descobrir ou conquistar no dito Mar Oceano», depois «fazem ao dito Don Cristóbal Colón, seu Vice-Rei e Governador Geral em todas as ditas terras firmes e ilhas que, como se disse, ele descobrir ou conquistar no dito Mar Oceano», em seguida «atribuem-lhe a décima parte dos lucros sobre as mercadorias, especiarias, pedras preciosas, ouro e prata que se comprarem, trocarem, acharem ou obtiverem dentro dos limites do dito Almirantado», terminando com a «concessão da faculdade em participar com a oitava parte nas despesas dos navios que se armarem para essas ilhas e terras, com a consequente contrapartida de receber a oitava parte dos respectivos proventos» não havendo, em todo o documento, uma única referência à Ásia nem a caminho marítimo para a Índia.
CC teria, portanto, direito aos títulos e benesses quaisquer que fossem as terras e ilhas descobertas(1). Se teimou em chamar-lhes Índias, enganando os Reis espanhóis, foi certamente por outros motivos.
(1) Cf. González, Rodrigo Cota - "Colón, Pontevedra, Caminha", ed. PMMNexc, 2008
E a resposta poderá estar logo a seguir no texto do Autor (ainda na pág. 11:
«Colombo empreendeu outras três viagens antes da autorização ser definitivamente retirada. Ele nunca cessou de insistir que a nova terra era a Ásia e foi aumentando o seu descrédito à medida que se tornava mais clara a evidência do seu falhanço – acima de tudo pela razão que tornou esse falhanço ainda mais doloroso para os espanhóis: persistindo na sua rota sudeste contornando África, os portugueses finalmente venceram a corrida e atingiram a Índia (Vasco da Gama, 1498) – a verdadeira Índia que todos tinham procurado tão arduamente»).

Carlos Calado

Continua...

quarta-feira, março 04, 2009

A Pedra que serviu de Padrão

Assim que D. João II reinou ordenou por lei que se fizesse um esforço de marcar os territórios descobertos pelos navegadores portugueses com padrões de pedra coroados por uma cruz.
D. João II fazia isto porque entendia que não tendo gente suficiente para apoderar-se dos territórios e sabendo que Castela tentava intrometer-se nas descobertas portuguesas - desde 1341 com o episódio das Ilhas Canárias - deixava em vez um marco com o seu nome designando aqueles locais como seus por serem os seus homens os primeiro a lá chegar.
Assim, com Diogo Cão em 1482, começou-se a pratica de erguer padrões esculpidos em pedra como este na imagem à esquerda. Muitos locais conhecidos hoje receberam os seus nomes devido a esses padrões como Cabo Cruz em Namibia e Ilhéu da Cruz na África do Sul, etc...
Diogo Cão, Bartolomeu Dias e Vasco da Gama meteram vários padrões nas susa viagens. Mas na falta de padrões os navegadores deixavam outros sinais.
Os navegadores do Infante D. Henrique já costumavam esculpir as armas do infante nos troncos das árvoes quando saíam em terra e por vezes metiam uma cruz de dois troncos de árvores nalgum local vantajoso.
Como prova de suas descobertas e símbolo de sua fé, D. João II mandou substituir as cruzes de madeira (ou apenas as inscrições deixadas em árvores) pelos padrões de pedra esculpidos em Portugal carregados nos navios para esse propósito e que eram encimadas por uma cruz, com inscrições em português, latim e árabe, e com as armas do rei.
Por vezes o local não era adequado para meter padrões ou talvez por falta de mais padrões gravava-se nas árvores ou na pedra como fez Diogo Cão na pedra de ielala como se vê nas duas fotos à esquerda (uma no local e outra da cópia no Museu da Marinha).

Na sua viagem à volta do mundo, Fernão de Magalhães fez o mesmo na ilha de Homonhon, nas Filipinas, deixando escrito na pedra FERNÕ MAGALHAES em 1521 (foto à direita) que passou despercebida por 4 séculos porque ninguém fora de Portugal sabia o que era um FERNÕ MAGALHAES.
Por tudo isto a Pedra de Dighton, que passou sem ser decifrada por 500 anos, não é nenhuma anomalia. Não é a pedra nada de estranho como o tentam fazer. É bem dentro daquilo que os portugueses faziam na época.
Seria mais estranho se Miguel Corte-Real tivesse vivido alí tanto tempo e não tivesse deixado nenhum sinal. Miguel Corte-Real estando naufragado por 9 anos entendia que o socorro jamais podesse vir encontrar-lo. Assim deixou gravado no único material que assegurava que a sua mensagem não ficasse perdida e num local que fosse facilmente encontrado pelso futoros navegadores bem à vista no fim de uma baía.

Escreve aqui a Maria Benedita "Sobre a Pedra de Dighton...é o meu nome que lá vejo, posso ver o seu, o do Presidente da República, etc, etc! Ali pode ver-se tudo o que se queira, até o Miguel Corte-Real!"
E ela tem um pouco de razão como se pode ver nas tentativas de vários artistas que tentaram desenhar as gravuras naquela pedra em 1680 e 1830 e muitas mais variações podem ser vistas aqui. Quem queira saber da verdade não se pode fiar em desenhos de "artistas" nem sequer em fotos e até nem na cópia que se encontra em frente ao Museu da Marinha em Lisboa porque não são fieis ao original.
Para quem nunca viu a pedra mas somente viu os rabiscos feitos em desenhos ou em fotos realçadas em jiz pode ser que se deixe levar por fantasias e ver lá o seu próprio nome o todos os nomes do mundo e do céu como crê ver a Maria Benedita.
Mas ver uma foto de 20 cm e ver a pedra de 3.4 metros são duas coisas diferentes. Para além disto a pessoa que se deu mais ao trabalho de investigar a pedra, o Professor Edmund Delabarre, nunca tal tinha ouvido falar de Miguel Corte-Real quando lá encontrou o nome e a data de 1511. Por isso ele próprio investigou para saber quem teria sido Miguel Corte-Real e foi assim que ficou confirmado que era uma pessoa verdadeira daqueles tempos de 1500.
Quem duvida é porque deve de estar a aceitar palavras de terceiros que nunca se meteram à frente do penedo mas fiaram-se somente nas palavras de outros terceiros que também não se deslocaram ao sitio para verem com seus olhos e que mesmo estando lá jamais saberiam o que fazer de uma Cruz da Ordem de Cristo ou de um brasão com 5 pontos postos em cruz por isso fizeram do brasão uma cara como se pode ver nas imagens naquilo que parece ser uma pessoa ao lado esquerdo.
É verdade que muita coisa vem ali esculpida. Como explicar isto?
Na minha opinião é muito fácil. Miguel Corte-Real naufragou em 1502 num local onde haviam nativos americanos com quem eles se integraram pacificamente. Pois se não fosse pacificamente não haveria forma de uns 30 homens sobreviverem tantos anos no meio de território inimigo nem de poderem construir uma torre ou terem sossego ou liberdade para poderem levar dias a esculpir uma pedra.

Vivendo em paz com os "indios" poderiam os portugueses até terem casado e terem filhos. Miguel gravou lá o seu nome e a data junto com as cruzes e armas de Portugal e não muito bem feito porque de certo as ferramentas que lhe restavam da naufragada caravela não dava para melhor.
Os indios que viram tal feito, de certo pela primeira vez, também vieram mais tarde a gravar lá seus rabiscos que não seriam nenhumas letras porque não as sabiam. Até os próprios descendentes de Miguel poderiam ter gravado alguma coisa lá.
O certo é que à mensagem original veio a se juntar muita "contra-conversa" que torna a decifração deficil mas não impossivel como provou o Prof. Delabarre em 1918. O local da pedra é perto da Torre de Newport que os nativos disseram aos primeiros colonos brancos que:

"It was built by fire-haired men with green eyes who came up the river in a boat like a gull with a broken wing".
"
Foi construida por homens de cabelos de fogo e olhos verdes que subiram o rio num barco como uma gaivota com uma asa quebrada."
Se ... Miguel Corte-Real nunca tivesse existido.
Se ... Miguel Corte-Real nunca tivesse navegado para aquelas partes
Se ... tivesse navegado para lá noutro século
Se ... os navegadores portugueses não tivessem a mania de gravar rochedos
Se ... Miguel Corte-Real não fosse português
Se ... Miguel Corte-Real não servisse o Mestre de Cristo
Se ... Miguel Corte-Real não tivesse conhecimento da Charola de Tomar
Se ... o nome Miguel Corte-Real não estivesse gravado na pedra de Dighton
Então sim poderíamos dizer que é tudo fantasia.

Mas o facto é que Miguel Corte-Real existiu, navegou para aquelas partes, navegou naqueles anos, os portugueses gravavam seus nomes e as armas do seu rei em pedra, Miguel Corte-Real era português, trabalhava para o Mestre da Ordem de Cristo e o nome de Miguel Corte-Real está lá gravado com data de 1511.

O que torna isto tão dificil de acreditar?
Não pode ser só a má fé.

Deve haver algo mais sinistro a actuar na mente daqueles que negam que tal coisa possa ser REAL como foi o Miguel Corte-REAL.

sábado, fevereiro 28, 2009

Refutações Fantasiosas do Colombo Português


A tese do Cristóvão Colon Português tem, já durante um século, levantado o interesse e a curiosidade de alguns. Aponta-se o Patrocínio Ribeiro como quem incitou tudo isto com O Caracter misterioso de Colombo e o problema de sua nacionalidade (Coimbra: Academia de Ciencias de Porrugal, 1917) seguido por A nacionalidade portuguesa de Cristovam Colombo. Solução do debatidissimo problema da sua verdadeira naturalidade, pela decifração definitiva da firma hieroglífica..., (Lisboa : Livr. Renascença Joaquim Cardoso, imp. 1927).
A este autor seguiram outros sempre constrangidos pela enorme maioria dos académicos portugueses que, ou não se importavam pelo assunto, ou não queriam mexer em coisas aceites como já resolvidas, ou tinham medo de agitar as águas calmas dos seus oficios e irem parar fora do barco.



Verdade é que poucos portugueses se têm interessado pelo tema e ainda menos se interessaram portugueses licenciados em história, ou com capacidade para investigar sem preconceitos. Por vezes até eu penso: Que importa se Colon foi ou não Português? E que importa se ele trabalhou ou não para D. João II?

Na realidade sabendo-se a verdade não vai mudar muito na vida da humanidade. Mas será que por não mudar nada, não devemos de buscar a verdade? Cá por mim eu acho que deve-se procurar a verdade seja ela qual for porque só assim consegue-se fazer sentido das coisas.
Vinte anos atrás eu vivia sem preocupação alguma de quem teria sido o Almirante das Índias. Trabalhando nos EUA na tradução para Inglês do livro de Mascarenhas Barreto encarei com duas coisas interessantes:


  • A primeira e mais importante era o facto da vida portuguesa de Colon não ser conhecida. Pois tal como os outros feitos dos portugueses no mundo, tudo foi metido debaixo de um "contentor" espanhol e muitos dos nomes e feitos moficados para um povo Americano entender. É assim que ninguém sabe quem foi Fernão de Magalhães. Conhecem sim um Magellan que tem dado o seu nome a um sistema de GPS, a um satélite da NASA e que é conhecido mundialmente como um navegador espanhol. Eu indigno-me com isto e todos os portuguese deveriam-se indignar também. Sim, não é somente por não ser verdade quando se diz que Magalhães era um navegador espanhol, é também por orgulho da nossa raça. Eu sou Português e não quero usurpar a glória de outra nação mas também ao mesmo tempo não quero que nos tirem o que é nosso. Assim envolvi-me em todos os projectos que pude apoiando os feitos dos nossos conterrãneos e tive sorte de conhecer um grande português, Edmund Dinis, que conseguiu meter monumentos a nossos heróis, Gomes e Fagundes, no Canadá, coisa que o governo Português talvez nem saiba.


  • A segunda questão era o facto do livro de Barreto conter tantos erros que eu prórpio comecei a investigar e a escrever um livro para corrigir-lo.



Estava eu longe de saber que ao mesmo tempo que eu iniciava a minha investigação privada e tudo a meu custo, Luis de Lancastre e Távora,(1) Vasco Graça Moura,(2) e outros... constituindo um bando de pardais, todos do mesmo bairro, comendo no mesmo celeiro e cantando a uma só voz, estariam imcumbidos e apoiados por alguns orgãos Portugueses de fazerem o mesmo.

Eu tinha um só desejo: Saber o que era verdade e o que era mentira. Por isso não vi o meu livro pronto para editar em 1992 (como fizeram aqueles senhores) nem em 2000 estava o meu livro pronto, e até em 2006 faltava ainda muito que investigar. Mas com o meu desejo de honrar Cristóvão Colon no 500º anniversário da sua morte vi-me obrigado a meter no mercado o que estava feito até aquele ponto, porque entendi que poderia levar ainda outros 15 anos, ou mais, para desvendar tudo. Era melhor dar-se um inicio que esperar por uma obra perfeita que quiçá jamais poderia vir a ver a luz do dia e assim deu-se o primeiro passo com o O Mistério Colombo Revelado.

Enquanto eu lia e relia aquela história toda do Almirante das Índas e via aquilo tudo sem pés nem cabeça, os autores Portugueses estavam somente empenhados em afundar o livro do Sr. Barreto e não viram nada de estranho naquele conto.

De facto não poderiam ver-lo porque não sabiam nada desta história. Nem lhes importava saber.

Sabiam que não gostavam nem do Sr. Barreto nem do seu livro e isso era suficiente para escreverem as suas críticas. E como críticas áquela obra e aos erros contidos nela fizeram-no muito bem. Conseguiram o seu objectivo de provar que era uma investigação mal feita, mal-escrita e encharcada de erros. Parabéns. a eles todos.

O que não conseguiram fazer, entretanto, foi provar que o Cristoforo Colombo da historieta genovesita era de facto o mesmo Almirante das Índias. Jamais o poderiam ter feito, pois nem Albuquerque, nem Moura, nem Távora, nem qualquer outro daquele clã, conhecem o minimo da documentação real desta embrulhada.

Devo dizer que de todos eles, Graça Moura parece ter feito um maior esforço em conhecer alguns dos documentos mas não fez nenhum esforço em provar se seriam ou não verdadeiros. Nem para eles era preciso. Pois já muitos anteriormente haviam lido, relido e decicido que aquilo tudo era a "verdade, verdadinha" e que assim já o afirmou Rui de Pina em 1504, e pronto. Caso arrumado.

Bastaria agora áquele Grupo de Mosqueteiros somente de reforçar que é tudo verdade naquela história e o demais são cantigas de fado ilusórias.


Ora bem, nenhums daqueles livros traz algo de novo. Os dois livritos da Quetzal, dos ilustres portugueses expostos neste artigo (que não servem para nada no esclarecimento desta história) continuam a serem-me atirados à cara como que eu seja um parvo que não saiba ler. Ainda pior è o facto de serem usados mundialmente pela comunidade cientifica como sendo a derrota do "Colombo Português". Lá no excelente blog da Pseudo-História vêm todos bem alinhados e orgulhosamente apontados como a Bibliografia da refutação (01) e Bibliografia da refutação (02). Acreditam eles que os académicos portugueses matáram o Colombo Português de uma vez por todas entre 1990 e 1992. Bem gostaria eu que este quebra-cabeças fosse assim tão fácil. Mas não é.
Os ditos livrinhos, todos escritos num português "mui excelente" e com bons tons de humor, para nada servem na busca da verdade, a não ser mostrar que Barreto não tinha feito um bom trabalho. Mas também não o fizeram eles.



O livro "Dúvidas e Certezas" de Luis de Albuquerque(3) nada serve para quem queira conhecer os enigmas de Colon e até ajuda a obscurecer a verdade. Como já tive oportunidade de apontar, Luis de Albuquerque errou ao dizer que Colon não escreveu que esteve "presente" com D. João II o que é contrário à verdade. Não meto isto aqui para menosprezar a pessoa mas sim para mostrar que até grandes e cautelosos pensadores erram ao beberem de outros em vez de irem à fonte.

O Sr. Graça Moura erra em não investigar os factos simplesmente aceitando o que vem na Raccolta tal como documentos suspeitos como o Mayorazgo falso de 1498.

Mas quem mais erra é o Sr. Távora. No seu delirio de provar os erros de Barreto, não se dá ao trabalho de confirmar as suas próprias desinformações e torna-se ele no exemplo de tudo o que eu venho dizendo por muitos anos: “Em Portugal poucos sabem dos factos, mas mesmo não os sabendo não os impede de chamarem pseudo-historiadores e fantasistas aos outros".

Não vou transcrever aqui todo o livro, mas os leitores devem ser alertados que ao contrário do que diz o Sr. Távora, Isabel Moniz não era a esposa mas sim era sogra do Almirante Colon. Nem foi D. João II que permitiu que Colon visitasse a Rainha mas a própria Rainha que o convidou estando D. João II milhas longe em Azambuja e ela em V.F. de Xira.
Também as armas originais do Almirante não eram as letras da sigla embora eu gostaria de poder tido dezafiar-lo que mostrasse alguma prova dessas armas que os Colombos genoveses usavam antes dos forjamentos do século XVI, como ele erradamente afirmou na página 13.
Mas a prova que nada sabia sobre a "história oficial do genovês" é o facto de pedir no 1º ponto na sua página 10 provas na forma de um documento coevo que o "Colombo Italiano era um humilde cardador". Pois, como o Marquês nunca tal investigou esta história estava muito longe de saber que é mesmo isso que todos os documentos "coevos" ou mesmo forjados estão fartos de apontar. Até o próprio Gallo de S. Jorge canta da humildez dos três irmãos.


Deveria ele também ter visitado a Newport Tower como eu fiz para não dizer asneiras como fez, na sua nota da página 41, que a torre foi feita de "pedra aparelhada e obdece a um traçado arquitectónico perfeito". Não foi nem é.
Foi sim feita de pedras tal qual como as tais foram encontradas porque os constructores não deveriam ter ferramentas adequadas para as trabalhar. Para além disso o circulo da torre não é um circulo perfeito medindo mais num diâmetro que noutro. Basta somente carregar a imagem ao lado para ver em alta difinição que não existe uma só pedra trabalhada e que a genialidade dos contructores foi em saber onde meter qual pedra para que dequele monte de cascalhos saí-se algo como uma torre.

Também o seu desdém pela Pedra de Dighton mostra que nunca tal a viu. Pois não foi nenhum Português que encontrou o nome de Miguel Corte-Real lá mas sim um americano, Prof. Edmund B. Delabarre, em 1918 sem ele próprio saber nada sobre a existência de um Miguel Cortereal, o qual não só foi um navegador verdadeiro mas ainda navegou para aquelas mesmas partes antes da data de 1511 lá esculpida. Deveria também o Sr. Távora ter visitado o local para saber que tanto a Torre como a Pedra ficam na mesma baía de Narragansett e apenas uns 10 km longe uma da outra.

Os autores foram bem apoiados pel'A Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses. Ou seja o dinheiro dos Portugueses foi usado para diminuir a verdade histórica pelo orgão que mais deveria de estar interessado em investigar o assunto, mas ao contrário nada se fez. A falta de investigação aos temas torna este livro inútil seja lá para o que for relativo a Cristóvão Colon. É nada mais que uma boa critica do livro de Barreto.
Não é preciso dizer mais sobre a pobreza do conteúdo relativo à história de Colon que vem ali. As imagens metidas aqui de algumas folhas servem para mostrar as más presunções feitas pelo Marquês de Abrantes. Para quem quizer ler basta carregar em cima das imagens das páginas. Não acho que é preciso explicar os pontos sublinhados pois qualquer um com senso comum os etenderá.

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Quanto ao Sr. Moura, embora este pareça estar melhor informado não deixa de cair em graves erros sobre Colon os quais são fundamentais para se entender a verdade. Erra ainda em dizer á boca cheia que os muy Católicos Reyes do lado de dentro da fronteira seguiam fielmente o Tratado de Alcáçovas e por isso D. João II não teria nenhuma razão de se entrometer naquele reino com algum agente que levasse as forças e os esforços espanhóis para longe da sua Guiné. Pois segundo ele, os espanhóis não se importavam em navegar para Sul das Canárias importavem-se somente em cumprir o dito tratado.


Aconselho ao Sr. Moura que vaia ler o tratado para entender que os Reis Católicos não o cumpriram. O tratado é bem claro que os reis de Espanha nem os seus descendentes se intrometam na politica de Portugal, nem sequer secretamente. Ora estando eles a apoiarem os sobrinhos de Cristóvão Colon (Marquês João de Bragança e Conde Lopo de Albuquerque) a assassinar o Rei de Portugal estavam a quebrar o tratado. E estavam a quebar-lo pura e simplesmente com a visão de no futuro, e debaixo de outro rei, poderem eles, os Reis Católicos, terem acesso ao que lhes era negado pelo tal tratado.


Para não me alargar muito digo somente que como criticas do livro Cristóvão Colombo, Agente Secreto de el-Rei D. João II aqueles livritos e cartas que foram escritas por tão ilustres portugueses servem muito bem. Mas como uma ajuda para se saber da verdadeira história de Cristóvão Colon para nada servem. E para quem nunca leu o livro do Sr. Barreto os ditos livros são uma perca de tempo.

Sobre a história verdadeira de Colon e dos seus laços com Portugal de nada se sabia anterior a 2006 e cada vez mais e mais isso vai ficando clarinho.



Somente hoje estamos a olhar para esta história sem termos os olhos tapados e em breves anos deve-se encontrar aquela prova final de quem deveras foi o Primeiro Almirante das Indias. Mas isso será muito difícil de fazer se ao mesmo tempo os académicos portugueses seguirem insistindo manter a posição de que já está tudo resolvido e nada mais é preciso de invetsigar.
Pois não está nada resolvido somente melhor entendido.

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1- LANCASTRE e TÁVORA, Luís de. Colombo, a Cabala e o Delírio, Lisboa, Quetzal, 1991.
2- MOURA, Vasco Graça. Cristóvão Colombo e a Floresta das Asneiras, Lisboa, Quetzal, 1991.
3- Luís de Albuquerque, Dúvidas e Certezas na História dos Descobrimentos Portugueses, Lisboa, Círculo de Leitores, imp. 1991