quarta-feira, dezembro 23, 2009


Feliz Natal e Bom Ano Novo a todos
A Árvore de Natal do Almirante Colón

domingo, dezembro 20, 2009



Cristóbal Colón fue un espía del rey de Portugal, según un historiador portugués

EMILIO J. LÓPEZ - MIAMI - 18-11-2009



Cristóbal Colón fue en realidad un ‘agente secreto’ de el rey Juan II de Portugal que engañó a los Reyes Católicos ‘con la promesa de una ruta a la India por Occidente’, según la tesis del historiador y escritor portugués Manuel Rosa.

En el libro ‘Colón. La historia nunca contada’, Manuel Rosa sostiene que el almirante encandiló a Fernando de Aragón e Isabel de Castilla con la idea de abrir una nueva ruta hacia la ‘falsa India’ para dejar vía libre a los portugueses en la India verdadera y en Africa.

En una entrevista telefónica con Efe desde Durham (Carolina del Norte) donde vive y trabaja, Rosa, que presenta su obra el próximo 24 de noviembre en la Escuela de Estudios Hispano-Americanos (CSIC) de Sevilla (España), explicó que Portugal quería explotar yacimientos de oro en Ghana (Africa) y comerciar con la India sin la intromisión de España.

De hecho, precisó, ‘los portugueses no enviaron ningún navío a la India hasta que Colón’ no descubrió el Nuevo Mundo y Castilla se avino a firmar en 1494 el Tratado de Tordesillas con el rey Juan II de Portugal, un pacto que estableció las rutas de expansión de ambas potencias al este y al oeste.

sábado, dezembro 12, 2009


DURHAM, N.C. - Há dezoito anos, Manuel Rosa embarcou numa jornada que poderá mudar a história americana, da forma que é ensinada.
Rosa fez a sua missão pessoal de provar que Cristóvão Colombo, descobridor do continente americano, não era genovês, mas muito provavelmente português.
As suas pesquisas levaram-no a ler mais de 1.000 livros, analisar uma infinidade de documentos e a viajar à volta do mundo - desde a República Dominicana à Polónia - em busca do que ele entende ser a verdade.
"Chegou a altura de acabar com 500 anos de conceitos errados," adiantou Rosa a O Jornal. "O meu objectivo é que as pessoas não perguntem se ele era português, mas sim como é que ele poderia não ser português."
Rosa acredita que um elo crucial, mas frequentemente esquecido, na história do navegador é a sua vida passada em Portugal.
"Ao se ter passado por cima da vida portuguesa de Colombo e da sua esposa portuguesa, como isto sendo insignificante, uma parte importante da identidade de Colombo foi apagada e escrita de novo," alega Rosa.


http://realfamiliaportuguesa.blogspot.com/2009/06/tracar-as-origens-de-colombo-durham-n.html

Abriu a sessão o Director do Museu do Pico, agradecendo, em nome da Direcção Regional da Cultura e da Presidência do Governo Regional dos Açores a presença das pessoas. De seguida, enalteceu o projecto de investigação de Manuel Rosa, destacando a qualidade do seu trabalho historiográfico em torno da figura genial de Cristóvão Colombo: “O Dr. Manuel Rosa merece a nossa maior consideração e reconhecimento porque, sendo português e homem do mundo, é açoriano e picoense. Há dezoito anos que, de forma apaixonada, empenhada e quase obsessiva, vem estudando a história - biografia e obra – de Cristóvão Colombo. Tem-no feito sozinho, sem apoios públicos enfrentando as verdades absolutas da historiografia oficial produzidas sobre o grande navegador. Torna-se, pois, necessário, no quadro do reconhecimento e da solidariedade institucional que devem ser assumidos, divulgar o trabalho deste “nosso” historiador açoriano e picoense, cujo carácter inédito e inovador começa a ser referenciado e reconhecido nos meios académicos internacionais.”

domingo, novembro 15, 2009

sábado, outubro 31, 2009

Lançamento do Colón Português em Espanha

Dia 21 de Novembro: Ponta Delgada-S. Miguel: palestra titulada "O VÃO de Cristóvão" às 19:00 no Museu Carlos Machado e uma sessão de autógrafos do COLOMBO PORTUGUÊS - NOVAS REVELAÇÕES.

Dia 23 de Novembro: Sintra: palestra "O VÃO de Cristóvão" às 17:30 na Academia da Força Aérea e uma sessão de autógrafos do COLOMBO PORTUGUÊS - NOVAS REVELAÇÕES.


Dia 24 de Novembro: Sevilha: lançamento do livro Espanhol «COLÓN- La Historia Nunca Contada» às 19:00 na Escuela de Estudios Hispano - Americanos a convite da Professora Consuelo Varela, ilustre investigadora do Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC), e perito na história de Colombo e vice-Directora da Escuela de Estudios Hispano - Americanos.
Dia 25 de Novembro: Vale do Paraíso, Azambuja: palestra titulada "O VÃO de Cristóvão" às 21:00 na Casa Colombo e uma sessão de autógrafos do COLOMBO PORTUGUÊS - NOVAS REVELAÇÕES.
Dia 26 de Novembro: regresso aos Açores.
Dia 27 de Novembro: Horta - Faial: palestra titulada "O VÃO de Cristóvão" na Biblioteca Pública e uma sessão de autógrafos do COLOMBO PORTUGUÊS - NOVAS REVELAÇÕES.
Dia 28 de Novembro: Lajes do Pico: palestra "O VÃO de Cristóvão" às 21:00 no Museu dos Baleeiros e uma sessão de autógrafos do COLOMBO PORTUGUÊS - NOVAS REVELAÇÕES.
Dia 1 de Dezembro: Regresso para os Estados Unidos.

quarta-feira, outubro 21, 2009

Revista Viana Social & Cultural fala do COLOMBO PORTUGUÊS


A Revista Viana Social & Cultural Nº 81 - Ano VII - Outubro de 2009

Comtém um artigo sobre o Colombo Português - Novas revelações.

Site: www.vianasocialecultural.com - Emails: vianasc@portugalmail.pt

segunda-feira, outubro 19, 2009

Modificação do Blogue

Caros leitores.
Muito se tem discutido sobre muitos temas neste blogue durante os anos com a ideia que da discussão vem a resolução.
De forma a diminuir a confusão e para focar o tema melhor na história de Cristóvão Colón, este blogue vai ser modificado removendo posts antigos que não estão directamente relacionados com o enigma de Colón e removendo aquelas mensagens que contêm textos de obras que estão protegidas por direitos de autor.

Continuando a postura da não censura, os comentários serão inseridos sem revista. Entretanto os administradores deste blogue reservam o direito de eliminar comentários completos ou em parte se esses não ajudarem para esclarecer o tema.

Manuel Rosa

quinta-feira, outubro 15, 2009

MORADAS FILOSOFAIS-Laboratório Alquímico

Para quem leu o meu livro sabe que o secretário de C. Colón era
um hermetista por isso tenho um interesse sobre o tema do Hermetismo
como se vê por todos os lados na Quinta da Regaleira.

MORADAS FILOSOFAIS
Princípios e Métodos da Arte Real
COLÓQUIO INTERNACIONAL 24 · 25 OUT

terça-feira, outubro 13, 2009

Colombo Revelado na Rádio WNPR, USA

Para ouvir o programa onde participei por uns minutos (mais ou menos ao meio da gravação) visite aqui:

WWL: Columbus Revealed

onde pode ouvir o programa ou descarregar o ficheiro para o seu computador.

quinta-feira, setembro 10, 2009

No próximo dia 12 de Setembro de 2009, pelas 17:00 horas, no Auditório do Museu Municipal de Portimão, terá lugar a cerimónia pública de apresentação do projecto http://www.genealogiadolgarve.com/, com a divulgação dos dados relativos à freguesia de Portimão, para a qual convido todos os interessados......

quarta-feira, agosto 26, 2009

Alguns locais interessados no Colombo Português

Selo de D. Cristóvão Colón

Selo de D. Cristóvão Colón, Almirante, Governador e Vice-Rei
Cavaleiro da Espora Dourada. conhecido como descobridor do Novo Mundo.
Casado em Portugal, homem do Rei D. João II e envolvido nos segredos desse rei.

quinta-feira, agosto 13, 2009

Desenrolar o Selo de Martim da Bohemia

Selo de Martim da Bohemia (Martim Behaim) Cavaleiro da Ordem de Cristo,
membro da Junta dos Matemáticos e co-navegador de Diogo Cão

Inicialmente eu tinha metido aqui este selo assim:
Que parece representar M de Martin, o Losango (talvez um Escudo) e uma Espada com um P de (?)
Mas reconsiderando acho que a imagem poderia estar em reverso e talvez seria na realidade assim:
o que nos dá uma Cruz e um B para Behaim mas fica o M num W?

terça-feira, agosto 11, 2009

Mestres de Pseudo-História Colombina

Rui de Pina escreveu "Colon bo ytaliano" foi uma pseudo-história mas tem ainda os seus apoiantes tenázes e crentes que aquilo era mesmo a verdade. Não se discutem os factos em volta do Almirante em Portugal. Não se discutem as cartas que ele escreveu a dúzias de pessoas todas em Castelhano-Aportuguezado. Nem mesmo a carta que D. João II escreveu a ele em Português.
Se Rui de Pina disse é porque era mesmo assim sem margem alguma para dúvidas. Quem disser o contrário é um pseudo-historiador. Este tem sido, e é, o teor dos autores do blog da Pseudo-História. Por vezes penso como é que pessoas tão cultas, e de juízo são, não conseguem ver para além de três palavras, especialmente quando olhando para além delas vai-se em busca da verdade.
Achei por isso interessante meter aqui mais um pouco da pseudo-história que veio dizer ser Colombo da villa de Abrisolo.
Esta é nova. Mas deve de ser também verdade pela categoria da pessoa que o apresenta e pela categoria do livro onde vem impresso.
O grave problema nisto tudo não é que haja incerteza, que hajam erros, dúvidas, informação contraditória e até muitas vezes errónea. O grave problema é que aqueles que em melhor posição estão para verem isto muito bem parecem ter sido os mais interessados em não quererem ver.


segunda-feira, agosto 10, 2009

Provas Documentais da Burla Colomboinha


Para quem leu o novo livro de Manuel Rosa, "Colombo Português - Novas Revelações" o qual é um trabalho impar de todos aqueles escritos sobre Colombo até hoje, talvez esteja interessado em ver imagens do livro de Ptolomeu guardado na Biblioteca de Nova Iorque com data de 1460 que, segundo Manuel Rosa, é o mesmo livro de Geographia que o próprio Cristóvão Colombo possuía.
Quem de nós consegue ver estas ilustrações e continuar a crer que Colombo pensava ter mesmo chegado à Índia verdadeira? Manuel Rosa conseguiu juntar nesta nova obra todos os elementos necessários para que as mentiras contidas nas várias histórias de Colombo possam agora ser descartadas de uma vez para sempre.
Este livro prova que a Ciência traz consigo muitas explicações para a vida de Colombo, ao contrário da História que somente trouxe enganos.
Foi não pela História mas sim pela Ciência que Manuel Rosa conseguiu fazer aquilo que fez. A Ciência agora mudou a História e só um burro casmurro insistirá manter-la como dantes.

quinta-feira, agosto 06, 2009

Concurso para nomear livro Espanhol

Temos o Titulo Final da Versão Espanhola:

«COLÓN - La Historia Nunca Contada»

que foi desenvolvendo após o meu comentário a 17 de Setembro
"DOSSIER COLON La Historia Nunca Desvelada"

Agradeço a todos os participantes pelas sugestões que fizeram.

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6 de SETEMBRO - TERMINOU OU CONCURSO
Obrigado a todos os participantes. Tivemos muitas boas sugestões. Esperamos para ver se alguma destas sugestões servirá ou se a Editora decidirá noutro titulo. Por mim gostei especialmente da última entrda "LA TRAICIÓN DE COLÓN".

Caros amigos estamos a finalizar o título para o novo livro Espanhol
e gostaria ouvir as vossas ideias para o novo titulo.
Aquela pessoa que nos der a ideia para um titulo que for usado receberá
um livro Espanhol assinado e um jantar com o autor.

Para que não haja confusão agradecia que quem quizer participar se identifique de forma a poder ser contactado se acaso a sua ideia para o titulo for aquela escolhida. Para isso basta criar uma conta aqui no Google ou então deixar o seu email de contacto no comentário. Se não fizer assim não ganhará o prémio porque não pode provar que o anónimo é você.
O jantar será em Lisboa no mês em que o lançamento do livro espanhol for feito, numa data para ser decidida. Se acaso não for possivel que a pessoa se desloque a Lisboa nessa altura pode ser adiado para outra vez ou então receberá uma oferta de 75€ em recompensa.

O contesto termina no dia 6 de Setembro.

sexta-feira, julho 24, 2009

Comentários de Leitores sobre Colombo Português-Novas Revelações

Muito obrigado pela sua "luta", pela sua dedicação e amor à nossa nação!! É devido à sua postura que as palavras de um antigo poeta fazem todo o sentido: "Portugal é um acto de vontade!" Bem haja.
-- P. Pais

Espantoso trabalho! Tenho recomendado – e oferecido – exemplares do seu “Novas Revelações”. Muito obrigado por tudo.

-- P. F. Marcos


Parabéns pelo novo livro "Colombo Português" o qual estou a ler com sofreguidão tal como fiz com "O Mistério de Colombo Revelado".
Penso que, neste momento, para lá daquele tipo de historiadores portugueses que se limita a citar todos os trabalhos anteriores, perpetuando os erros e preconceitos enraizados e a quem nunca ocorreu formular algumas perguntas simples mas disruptivas, apenas autores anglo-saxónicos( leia-se americanos ) com a sua perdilecção disneyana pela temática "poor boy/rich girl/happy end", e o poderoso lobby ítalo-americano aceitam a história do cardador de lãs analfabeto que miraculosamente, em meia dúzia de anos, se torna mestre numa série de ciências diferentes, priva com o Rei mais secretivo da época e casa com uma fidalga. Se isto não é Hollywood!...

Desejo-lhe, desde já as maiores felicidades, e que a sorte ou a Providência coloquem no seu caminho aquela prova conclusiva e indesmentível por que todos ansiamos, para que Colon deixe de ser "para sempre confundido" e nós consigamos saír da "floresta de asneiras"!
-- A. Ramires


Acabo de ler o livro de V. Exa. que é a todos os títulos uma obra de Mestre intitulada Cólon Português. Lisboa, ed. Esquilo, 2009.

- M. A. Norton

domingo, julho 19, 2009

O Franciscanismo de Colon - parte 2

Palestra do investigador Carlos Paiva Neves na Conferência de 23 Maio 2009. CUBA - Alentejo

Parte 2

3. A presença Templária e da Ordem Terceira de S. Francisco na vila de Pavia

Desde muito cedo, o número crescente de candidatos à Ordem dos frades Menores ultrapassou a capacidade de acolhimento dos eremitérios e conventos. Essa situação levou à criação de um instituto filiado na Ordem dos Frades Menores. Os seus membros viviam um estatuto de vida espiritual franciscana adaptado às condições do mundo. Era a Ordem Terceira Secular, a que pertenceram muitos reis, nobres e gente do povo. Em Portugal, “sabemos que o rei D. Sancho II foi terceiro franciscano secular. Muitos dos membros da Ordem Terceira acabavam por professar num eremitério ou convento, dando origem à Ordem Terceira Regular. Não é fácil datar a entrada e oficialização da Ordem Terceira Regular em Portugal. Sabemos, por um documento pontifício, que em 1439, Frei João da Ribeira era o seu ministro provincial. A intelectualização da Ordem Franciscana e a aceitação do ensino, como resposta à necessidade de formação dos seus membros e como instrumento de evangelização, foram duas razões que levaram os Frades Menores, sem abandonarem os eremitérios rurais, a construírem conventos nos meios urbanos, que os aproximaram das populações. Na província da Piedade era tradição o ensino do latim, filosofia e gramática.” (16) O território de Pavia foi povoado desde épocas pré-históricas, conforme o comprovam os numerosos monumentos megalíticos existentes na área. As origens do agregado populacional de Pavia, o mais antigo do concelho de Mora, remontam, segundo a tradição, a um núcleo de imigrantes italianos, chefiados por Roberto de Pavia. Por veneração e recordação da sua terra natal, este núcleo terá dado à vila o nome de Pavia. Fixados a instâncias de D. Afonso III ou de D. Dinis, tendo este último monarca concedido a primeira carta foral em 1287. Desta data até 16 de Março de 1486, altura em que foi cedida por D. João II ao Conde de Borba, D. Vasco Coutinho, comendador de Almourol (Ordem de Cristo), alcaide-mor de Santarém e capitão e herói de Arzila, com alcaidaria e direitos sucessórios, a vila pertenceu, por doação, a vários nobres e à Coroa. A Torre do Relógio está situada na frente sul da Praça, encostada à velha habitação de dois pisos, construída com certo carácter e de frente iluminada por janelas de peito graníticas, que a tradição afirma ter sido estau dos freires de Avis.

Torre do Relógio

A Igreja Matriz de S. Paulo, considerado monumento nacional, foi edificada dentro do velho e destruído muramento dos alvores de quinhentos, que protegeu comummente o paço fortificado dos condes de Redondo. Nenhum documento histórico conhecido se refere às suas origens e fundamentos. Sucedeu sem dúvida à primeira igreja curada de Santa Maria, que já tinha existência paroquial no reinado de D. Dinis, em 1320, data da doação das igrejas da vila à Ordem de Avis. Estava anexa a S. Salvador de Arraiolos e note-se ainda que na freguesia de Cabeção, existe uma outra capela com a designação S. Salvador do Mundo.










Igreja de S. Paulo











Sol e Lua no interior da Igreja de S. Pau
lo







Cruz Orbicular e Cruz Templária na Igreja de S. Paulo


A ermida de S. Sebastião, fundação do padroado dos condes de Redondo, perdeu o seu nome de origem a partir de 1763, com a instalação, com sede anexa, da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco, santo seu patronímico da actualidade. Nas pesquisas efectuadas em 2007, na freguesia de Pavia, foi identificado um objecto que atesta a presença franciscana nesse local. Trata-se de uma chancela em ferro fundido com a simbologia franciscana, e as seguintes inscrições: “VILA DE PAVIA”, “A.V. ORD.”, referindo-se à Ordem Terceira de S. Francisco. Os leigos não letrados, tal como Cristóvão Colon também se definiu, exerceram a sua actividade em Pavia, importa no entanto continuar esta investigação na busca da actividade franciscana anterior a 1763, porque conforme atesta a tradição, Pavia também foi local de recolhimento dos frades de Avis.

Chancela da Ordem Terceira de S. Francisco (séc. XVIII ou XIX)

Segundo o padre Henrique Rema, nos inventários feitos em 1834, identificou uns tantos frades de Pavia, Frei José de Pavia, então residente no convento de S. António de Évora, Frei Álvaro da Mãe dos Homens Pavia, que em 1827 estava no convento de Alcácer do Sal e em 1829/30, era o guardião do convento de Beja (citando BNL, cx 69, nº 3 (3/35 e 3/37) e Torre do Tombo, Província Algarve, Maço 88), e ainda Frei João de Pavia, estudante corista no convento de S. António de Faro, e finalmente, Frei Francisco de Mora, também corista no convento de Fronteira. Nas entrevistas efectuadas a investigadores do franciscanismo em Portugal, ao padre David do convento do Varatojo, professor Joaquim Chorão Lavajo, do Instituto Superior de Teologia de Évora, e ao padre Henrique Rema da Ordem de Frades Menores de Lisboa, todos confirmam a actividade da Ordem Terceira na freguesia de Pavia, desconhecendo a existência de um suposto convento.

(16) Joaquim Chorão Lavajo, Ordem dos frades menores no Alentejo e no Algarve


Conclusões

O franciscanismo está presente na matriz esotérica e mística da sociedade portuguesa, e foi preponderante no período da expansão e dos descobrimentos. A sua influência gerou inúmeras práticas religiosas e grande devoção, patentes na dinastia de Avis. Foi neste profundo ambiente messiânico que nasceu Cristóvão Colon, também ele bastante influenciado pelo franciscanismo, com cariz pronunciado em períodos conhecidos da sua vida, atestados pela manifestação de uma alargada cultura religiosa, sobre o Antigo e o Novo Testamentos, mas com uma tendência joaquimita fundamentada no culto do Espírito Santo, conforme a análise que decorre à sua correspondência. Nesta linha de raciocínio são identificados aspectos intrínsecos ao pensamento de Joaquim da Fiori, próprios de uma corrente, designada por franciscanismo secular, membros da Ordem Terceira de S. Francisco, que se reconhece a sua actividade em Portugal, a partir de 1439, sendo o Frei João da Ribeira o seu ministro provincial, como é atestado por documento pontifício. Porém desconhece-se efectivamente a entrada e oficialização da Ordem Terceira em Portugal. De acordo com os factos e análise aos conteúdos das cartas de Cristóvão Colon, tudo evidencia que o navegador teve contacto com os frades franciscanos desde a sua infância, e que teriam sido seus preceptores e influentes na sua formação. A ciência medieval foi muito protagonizada pelos franciscanos, e destes destacam-se como influentes no pensamento religioso de Cristóvão Colon, Joaquin da Fiori já referido, Pierre d’Ailly, Gerson e os seus grandes amigos, frades João de Marchena e Gaspar de Gorricio. São várias as fontes franciscanas que apontam Cristóvão Colon como membro da Ordem Terceira de S. Francisco, ele próprio se definiu como “leigo não letrado”, característica dos membros seculares pertencentes aquela Ordem. As referências dadas por seu filho Fernando Colon e por Bartolomé de Las Casas, quanto a ter iniciado os seus estudos em Pavia, não devem ser completamente ignoradas, sobretudo numa linha de investigação orientada para a Pavia de Portugal. A busca de evidências franciscanas na Pavia portuguesa revelou-se positiva, apesar de não encontrarmos qualquer convento ou mosteiro que aí tivesse existido. Porém, constata-se a existência de testemunhos patrimoniais relativos à presença templária, e referências a actividade dos frades de Avis, da Ordem Terceira de S. Francisco e de frades franciscanos. Sem qualquer relação de causalidade, não se pode ainda aferir sobre a relação que Cristóvão Colon teve com a Pavia de Portugal, contudo parece-nos pertinente continuar o esforço de investigação para concluir acerca desta tese. É nesta senda que iremos continuar. A intuição e o raciocínio constituem a luz da investigação histórica.

sábado, julho 18, 2009

O FRANCISCANISMO DE CRISTÓVÃO COLON

Palestra pelo investigador Carlos Paiva Neves,

integrada na Conferência de 23 de Maio 2009. CUBA - Alentejo

1. A Influência do Franciscanismo na Corte de Portugal durante o século XV
O ambiente messiânico vivido em pleno século XV é enquadrado numa grande influência franciscana, bem presente desde o reinado de D. João I, até ao reinado de João II. A espiritualidade e a cultura intelectual são protagonizadas por frades franciscanos, constituem-se mesmo como confessores do rei. “Frei Fernando de Astorga, frei Afonso de Alprão e frei João Xira foram confessores de D. João I; frei Vasco Pereira, de D. Duarte; frei Gil Lobo de Tavira, primeiro-ministro da província de Portugal, também foi confessor de D. Duarte, do regente D. Pedro e de Afonso V. No âmbito literário identifica-se também que a actividade de pregação foi cometida a frades menores, a maior parte deles com graus universitários; que o infante D. Fernando tencionava legar a maior parte da sua biblioteca ao mosteiro de S. Francisco de Leiria; que frei André do Prado fez do infante D. Henrique personagem dialogante no seu Horologium Fidei 2.” (1)
O rei D. Afonso V mandou edificar a partir de 1470 o convento do Varatojo, perto de Torres Vedras, tendo os primeiros frades franciscanos dado entrada quatro anos depois. Este rei tinha uma rara devoção ao S. António, também ele franciscano, Ordem a que aderiu na senda dos santos mártires de Marrocos. “O amor com que tratou sempre a nossa religião e em especial a família dos Observantes, nem a língua o pode dizer, nem a pena por mais que se remontasse nos voos da elegância o poderia declarar (Frei Manuel da Esperança). D. Afonso V deixou ainda escrito no seu testamento: tanto que eu falecer trigosamente se digam mil missas rezadas com seus responsos e dem desmolla quinze reis por cada missa com seu responso e todas seja de requiem as quaes se mandem dizer pellos moesteiros da observância de San Francisco deste regno”. (2)
A espiritualidade e religiosidade de D. João II está também marcada nos seus lugares franciscanos, de promessas e novenas em mosteiros da sua especial predilecção, como “Nossa Senhora do Espinheiro em Évora, Santa Maria das Virtudes, perto de Azambuja, S. António da Castanheira em Vila Franca de Xira, Nossa Senhora da Pena em Sintra, S. Domingos da Queimada em Armamar e a casa franciscana do Varatojo. Foram em grande número os mosteiros e capelas que dele receberam especiais doações: e em quaes quer casas que estivesse tinha oratório fechado, em que todas las noites depois de despejado, e despedido se recolhia com muyta deuaçam a rezar os sete Psalmos esse encomendar a Deos.” (3)
Após o regresso de Cristóvão Cólon da primeira viagem, decorreu o misterioso encontro com D. João II em Vale Paraíso, perto de Aveiras de Cima, e tornar-se-ia interessante analisar o conteúdo da conversação estabelecida neste encontro, “embora seja difícil definir o seu exacto significado, que D. João II se refugia em Torres Vedras, em cuja região está desde o final de Março até finais de Setembro.” (4)
Este refúgio está certamente relacionado com o convento do Varatojo, de grande devoção de seu pai.
As relações que os franciscanos mantiveram com a dinastia de Avis favoreceram, além de seu avanço, sua influência em processos importantes da história de Portugal. Pode-se citar como exemplo “o facto de que estes frades ligados à observância, aliaram-se à empresa marítima empreendida pela nova dinastia no século XV e início do XVI.” (5)
Nas viagens empreendedoras concretizadas pela Ordem de Cristo, faziam parte os frades franciscanos que “levaram a palavra de Cristo, pelos conselhos evangélicos, concretizando assim um dos ideais portugueses ao partir: levar a Boa Nova a todas as gentes e tornar Jesus Cristo conhecido em todos os locais!” (6)
O espírito de S. Francisco foi objecto de uma devoção amplamente difundida e enraizada na Corte de Portugal, bem patente a partir dos finais do século XIV até aos primórdios do século XVI.

(1) João Dionísio, «Literatura franciscana no Leal Conselheiro, de D. Duarte» Lusitânia Sacra, tomo 13-14, 2001-2002
(2) Manuela Mendonça, O Franciscanismo em Portugal – Séc. XIV-XVI, citando António Caetano de Sousa.
(3) Itinerários de El-Rei D. João II – Joaquim Veríssimo Serrão/Academia Portuguesa da História

(4) D. João II – Reis de Portugal – Luís Adão da Fonseca – Círculo de Leitores
(5) Os Franciscanos Observantes Portugueses e a representação social cristão como equilíbrio do conflito entre o poder
temporal e poder espiritual (1385-1450) – Marcelo Santiago Berriel
(6) O Franciscanismo em Portugal – Séc. XIII-XVI - Manuela Mendonça



2. A Influência Franciscana na formação de Cristóvão Colon
Cristóvão Colon nasce numa época impregnada pelo culto da palavra de Cristo e por um amplo movimento de evangelização. A formação do navegador, com profunda influência franciscana denota, através da análise à documentação de sua autoria, que é iniciada de muito cedo, num ambiente franciscano recôndito, que poderia não passar necessariamente por um convento ou mosteiro. O cenário pode configurar uma formação tutora muito reservada, a cargo de frades franciscanos que garantissem e salvaguardassem a verdadeira identidade de Cristóvão Colon.
Segundo Alain Milhou, o frade teólogo, considerava o franciscano secular (membro da Ordem Terceira) um “leigo não letrado”, sendo um homem que não tinha estudado teologia nem direito canónico e devia obedecer cegamente aos seus mentores eclesiásticos, que detinham a ciência, o divino e o humano. Mas existia outra corrente, que aceitava o não letrado para leccionar a cristandade, que era o caso dos franciscanos observantes, fiéis à mensagem de humildade de S. Francisco de Assis e fascinados pelo Espírito Santo. Dentro desta tipologia do secular “leigo não letrado”, pretendeu situar-se Cristóvão Colon, chegando mesmo a definir-se como “leigo não letrado”. Este seu posicionamento é ilustrado pelo saber empírico, em que insistiam especialmente, os franciscanos e os professores universitários nominalistas. (7)
Em alguns textos citados por Cristóvão Colon, o não letrado e ignorante, pode por revelação divina, graças ao espírito de inteligência conferido pelo Espírito Santo, ensinar os sábios. O Espírito Santo pode fazer de um humilde secular um eleito e porta-voz de Deus.
“É bem patente a importância do vocabulário afectivo, sensível e inclusive a experiência mística:
“Dios me abrió la voluntad, este fuego, esa lumbre”. Reconhece-se que nos planos teológico e filosófico tinha uns conhecimentos próprios da elite secular, cita com frequência, no seu Livro das Profecias, S. Agostinho, S. Tomás de Aquino e Nicolau de Lira, que muitos atribuem ao seu director espiritual, frade Gaspar Gorricio, mas que não pode constituir apenas uma compilação de versículos assinalados por Gorricio, pois Cristóvão Colon manifesta uma ampla cultura bíblica, de ambos os Testamentos, ao longo da sua vida. Cristóvão Colon tinha experiência religiosa.” (8)
Conhece-se por exemplo, a importância do Joaquimismo entre os menores nos séculos XII a XV, particularmente nos irmãos da Ordem Terceira. Joaquim da Fiori (m.1202) “exaltava os simples e idiotas, a quem Deus havia difundido seu espírito, preferindo-os aos sábios, elegendos para levar o evangelho às nações. Os menoritas também se interessavam muito mais pela ciência experimental, ou pelo menos pela observação, a qual se encontrava algo esterilizada na construção aristotélica, demasiado coerente.” (9)
A ciência medieval, a cosmografia, astrologia, geografia, medicina, alquimia, foram muito protagonizadas pelos franciscanos. Um dos maiores representantes do Ocamismo foi Pierre d’Ailly (m.1420), autor de uma das obras mais importantes da Idade Média, “Imago Mundi”, livro muito caro de Cristóvão Colon. Gerson (m. 1429), discípulo de Pierre d’Ailly, possivelmente lido por Cristóvão Colon, dado que o cita no Livro das Profecias, considerava que um iletrado podia aceder à beatitude, tanto como um perfeito conhecedor da tradição eclesiástica, e por isso se mostrou favorável a Joana D’Arc, quem como Cristóvão Colon, se enfrentou meio século mais tarde com sábios e doutores. “A consciência e cultura messiânica de Cristóvão Colon, inscrevem-se fundamentalmente na trajectória do franciscanismo joaquimita.” (10)
Em Portugal, o joaquimismo está intrínseco à “difusão do culto do Espírito Santo, aparentemente lançado com a rainha Santa Isabel, fundindo-se depois no sebastianismo e na crença no advento do Quinto Império bem patente na obra do Padre António Vieira”. (11)
Neste contexto é pertinente questionar se Cristóvão Colon pertenceu à Ordem Terceira de S. Francisco, e através dos contactos estabelecidos com o pesquisador franciscano padre Henrique Rema, da Ordem dos Frades Menores de Lisboa, foram identificadas várias fontes, que referem a ligação do navegador à dita Ordem, como por exemplo:”Dentro das suas fileiras aparecem reis, príncipes, Papas, cientistas, artistas, exploradores e apóstolos, como Dante, Giotto, Leonardo Da Vinci, Galileu, Cervantes, Cristóvão Colombo, Vasco da Gama, Vespúcio, Palestrina, Galvani, Volta, Perosi...”(12)
Outra fonte ainda: “Se entre os Terceiros de 400 não podemos com certeza incluir Cristóvão Colombo, porque a crítica histórica nega esta linda lenda, certo é que o grande navegador teve muitos contactos com os franciscanos” (13)
Como é referido pelo padre Henrique Rema, constata-se que o nome do navegador aparece em muita lista de Terceiros célebres.
O pintor e ensaísta Lima de Freitas, refere no seu texto, “A revolução Franciscana na Arte Ocidental”, que foram membros da Ordem Terceira de S. Francisco, “ao que se diz, Santa Isabel da Hungria, parece que também S. Luís de França, e certamente Dante, Cristóvão Colombo, Tomas Moore, todos os papas depois de Leão XIII, Santo Inácio de Loyola e muitos reis portugueses” (14)
Nesta fase torna-se pertinente questionar acerca do momento em que Cristóvão Colon tem os primeiros contactos com o franciscanismo, e surge então a questão de Pavia. Fernando Colon refere na biografia do navegador que “de tenra idade aprendeu as letras e estudou em Pavia o que lhe bastou para entender os cosmógrafos, a cuja lição foi muito aficionado. Bartolomé de Las Casas, escreve que “estudou em Pavia os primeiros rudimentos das letras, maioritariamente a gramática, e tornou-se perito na língua latina, e disto louva-o a dita História portuguesa.” Dada a deturpação histórica, todos foram induzidos para Pavia de Itália. Simon Wiesenthal, por sua vez, afirma que este facto é considerado por muitos investigadores como uma mentira ditada pelo embaraço, não existindo qualquer prova apoiando esta afirmação. Mas qual a razão que se refere Pavia como o local onde Cristóvão Cristóvão Colon inicia a sua aprendizagem? Manuel Silva Rosa evidencia este propósito para investigação, em “O Mistério Colombo Revelado”, sugerindo que existe outra Pavia, no concelho de Mora, distrito de Évora.
O mesmo autor refere ainda acerca da condição franciscana de Cristóvão Colon: “A ligar Colon às ordens religiosas estão os lugares que ele frequentou ou onde permaneceu enquanto esteve em Espanha e as pessoas com quem se relacionou, tais como o frade António de Marchena, e o seu muito amigo Gaspar Gorricio. Cristóvão Colon deixou Portugal e foi para o mosteiro franciscano de La Rábida, próximo de Huelva, que era um mosteiro irmão daquele que existe em Setúbal, chamado Arrábida…Las Casas e outros escreveram que Cristóvão Colon agia, nas suas práticas e no seu fervor religioso, como se fosse um membro de uma ordem religiosa.” (15)
Vamos seguidamente analisar o património histórico de Pavia, concelho de Mora, reforçando a emergência desta investigação.

(continua...)

(7) Fundadores do nominalismo, os franciscanos Duns Scoto (m.1308) e Guilherme Occam (m.1349); Princípio do Nominalismo: Os conceitos são realidades ou palavras?
(8) Alain Milhou, Cristóvão Colon “Modelo “idiota” que ensina os sábios”, 1992.
(9) Idem.
(10) Idem.

(11) Joaquin da Fiori: http://pt.wikipedia.org/wiki/Joaquim_de_Fiore
(12) T. Lombardi, Storia del Francescanesimo, OFM, 1980, p. 418.
(13) Gemelli, Il Francescanesimo, 1947, p. 136.
(14) Franciscanismo em Portugal – Fundação Oriente 1996/2000.

(15) Manuel da Silva Rosa, O Mistério Colombo Revelado, 2007

sexta-feira, julho 03, 2009

Fina d'Armada - 2. O ÚLTIMO REBENTO DE HENRIQUE

Palestra integrada na Conferência de 23 Maio 2009, CUBA - Alentejo

2ª Parte - O ÚLTIMO REBENTO DE HENRIQUE

Relativamente às letras da base, na sigla de Colon parecem indicar o seu nome – Cristóvão Fernandes. Quanto ao Zarco, que muitos defendem, gostaria de não me meter nisso para já. Por um lado, não consegui até agora encontrar uma filha ou neta de Zarco que encaixasse na história. Por outro, Zarco era uma alcunha que significava “olhos claros, azuis ou verdes, quase brancos”. Essa era a cor dos olhos de Cristóvão Colon e do rei D. Manuel I. Além disso, Manuel Luciano da Silva defende que Zarco em grego significa Colon.

«Se consultarmos o dicionário judaico, verificamos que existem as palavras “Zakhar” que quer dizer “órgão masculino” e “Zarkor” que significa “projectar” ou “ejacular”. É por isso que “Zarkor” tem o mesmo significado que Colon em grego» (1)

Mas antes de voltarmos a estas 9 letras, lembremos que intérpretes dos livros de D. Tivisco dizem que Colon foi “o último rebento de Henrique”. Tem-se interpretado como descendente de Henrique, sobretudo através do seu filho adoptivo Infante D. Fernando. Mas se pensarmos bem, Colon nunca podia ter sido o último rebento de ninguém, porque teve irmãos mais novos, filhos e descendentes que chegaram ao nosso século. Então, se não era último rebento de sangue, é último rebento de quê?

Não tenho dúvidas que se trata de Henrique, o Navegador. Ora, em que qualidade Colon seria último? Os Descobrimentos foram iniciados por Henrique, mas Colon não foi o último descobridor. As Antilhas foram achadas em 1492 e, depois disso, Vasco da Gama descobriu o caminho marítimo para a Índia e Pedro Álvares Cabral o Brasil. Sem falar em Timor, na Terra Nova, nos caminhos para a China e Japão... A única diferença é que Colombo descobriu no tempo dos reis católicos e D. João II e, as outras descobertas aconteceram no reinado dos reis católicos e D. Manuel I. Portanto, o que difere é D. João II e D. Manuel I.

Voltemos de novo às 9 letras na horizontal. Vemos lá Cristóvão Ferens mais o ponto e o traço que dizem significar Colon, ou seja, membro.

Curiosamente, o ponto e traço de Colon, no fim da assinatura, é parecido com o ponto e traço no fim da assinatura do Infante D. Henrique que assinava assim: IDA./ (Infante Dom Anrique).

Ora, segundo dizem, Cristóvão FERENS significa um membro que vai em nome de Cristo, ou aquele que transporta Cristo. O nome Cristóvão parece ter sido escolhido para significar, tal como o santo das viagens, o transporte difícil pela água salgada com uma mensagem cristã. O seu filho Hernando escreveu: “Se repararmos no apelido comum ou sobrenome de seus antepassados diremos que verdadeiramente era Colombo, o Pombo, enquanto era portador da graça do Espírito Santo para o novo mundo”. Pelo facto de Colon se considerar uma pomba do Espírito Santo, quem sabe se Colombo não foi uma alcunha que lhe puseram já na época, daí o nome que lhe deu Rui de Pina! Em Portugal, ainda hoje existem termos “columbófilos”.

Os pontos e traços das assinaturas de Colombo e de Anrique, significam que ambos eram membros. Se Cristovão FERENS significa os que vão por Cristo, então talvez Colombo fosse o último rebento da ideia original daqueles que iam descobrir tendo como objectivos o cristianismo do Espírito Santo e o espírito de descoberta. Neste sentido, Colon pode ter sido o último rebento da missão iniciada por Henrique em 1420. Por outras palavras, Cristóvão Colon pode ter sido o último templário. O último descobridor que encerrou a missão esotérica da Ordem de Cristo.

E então Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral não iam sobre as águas transportando a ideia de Cristo? Na verdade, não. Com D. Manuel I, Cristo passou a ser Jesus. A ideia que prevalecia era a conquista, a obtenção de tributos dos régulos africanos, uma cristianização à força, não era uma ideia templária. Segundo Zurara, o Infante D. Henrique alimentava já a intenção de chegar à Índia por mar, mas não era uma ideia de conquista e de guerra como D. Manuel entregava aos capitães nos seus regimentos.

Ora, dentro da perspectiva de levar uma mensagem templária, D. Henrique foi o primeiro, Colombo o último.

Escreveu ele: «Do novo céu e terra que dizia Nosso Senhor por São João no Apocalipse, depois de dito pela boca de Isaías, me fez mensageiro e me mostrou aquelas partes» (2)

Ele considerava-se o anunciado duma profecia.Temos então que esta ideia de “último rebento” nos leva a colocar Colombo em Tomar, terra que espalhou pelo mundo o culto do Espírito Santo. E por ser o último templário, teria de estar imbuído de secretismo da Ordem de Cristo. Teria de ser um alto senhor português.

Se fosse filho secreto do Infante D. Fernando, só podia ter aparecido à luz em Portugal, após 1470, quando seu pai morreu e, como não podia ser mais perfilhado, deixou de correr risco de vida. Nos seus textos, ele chegou a escrever que há 14 anos que tentava demover o rei para a descoberta das Índias antes de ir para Castela. Como foi em 1484, menos 14 anos dá 1470. Terá sido a partir de então que entrou nos segredos da Ordem de Cristo. E também nos segredos da Ordem de Santiago, dirigida após 1472 por D. João II, tendo-se tornado marido duma “comendadeira” dessa Ordem.

Convém relembrar que, como filho do Infante D. Fernando, seria 3º primo de Isabel a Católica, pois ambos tinham uns bisavós comuns – os reis D. João I e D. Filipa de Lencastre, que era ruiva como Colon e como a mãe da Católica.

Quanto ao facto de ele provir duma filha natural de Anrique, isso justificaria o secretismo do seu nascimento, durante mais de 500 anos. D. Henrique ainda hoje é um mito, como cavaleiro puro, que procurava o Santo Graal, e morreu virgem segundo Zurara.

Enfim, com Anrique ou sem Anrique, como “último rebento” dum projecto templário ou com sangue real de Jerusalém, a saga misteriosa de Cristóvão Colon continua.

(1) Manuel Luciano da Silva e Sílvia Jorge da Silva, Cristóvão Colon [Colombo] era Português, Quidnovi, 2006:123.

(2) Cit. por Manuel Rosa, O Mistério Colombo Revelado, Ésquilo, 2006: 531.