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segunda-feira, maio 21, 2012

Colombo “era português...



 
“Relação” entre D. João II e Colombo debatida em Cuba
Por Maria Manuela Mendonça, presidente Academia Portuguesa de História
 
O auditório da Biblioteca Municipal de Cuba recebe amanhã, sábado, pelas 15 horas, o colóquio “D. João II e Cristóvão Colon – que relação?”, proferido por Maria Manuela Mendonça, presidente da Academia Portuguesa de História. O evento é organizado pela Associação Cristóvão Colon, com sede em Cuba, e prevê um programa complementar com início pelas 11 horas, que contempla duas visitas guiadas, uma ao painel de São Cristóvão e Portal do Paço, e outra ao Centro Cristóvão Colon.

Sobre estas duas importantes figuras históricas, refere a historiadora tratar-se de “dois interessantes personagens contemporâneos” com “visões diversas sobre a hipótese de alcançar a Índia por mar” e uma “pequena” diferença a separá-los: um deles é rei de Portugal. Além das Descobertas, Maria Manuela Mendonça “não crê” que houvesse algo de pessoal a liga-los, ao contrário de algumas teses que circulam sobre eventuais laços familiares. Quanto à possível origem portuguesa do navegador, e de Cuba, defendida pela Associação Cristóvão Colon, a historiadora acredita que, ou Colombo “era português, ou veio muito novo para Portugal”, mas admite não ter dados para fundamentar nenhuma destas hipóteses.

Recorde-se que entre a Associação Cristóvão Colon e a Academia Portuguesa de História foi estabelecido, em janeiro último, um protocolo de colaboração.      


http://da.ambaal.pt/agenda/?id=691


domingo, maio 06, 2012

«Cristóvão Colombo: Mistério, Censura e Invenção»

No dia 16 de Maio, 2012,  às 15 horas a sessão da APH tem como 
orador convidado o autor e pesquisador Manuel Rosa, com o tema
«Cristóvão Colombo: Mistério, Censura e Invenção»


Manuel Rosa é um dos Membros Fundadores da 
Associação Cristóvão Colon e tem  publicados os seguintes títulos:
O Mistério Colombo Revelado
Colombo Português - Novas Revelações
Colón - La Historia Nunca Contada (em castelhano)
Kolumb. Historia Nieznana (em polaco)

sexta-feira, abril 20, 2012

Colóquio «D. João II e Cristóvão Colon - que relação?»

Colóquio «D. João II e Cristóvão Colon - que relação?» com a Profª Doutora Maria Manuela Mendonça, Presidente da Academia Portuguesa da História, que terá lugar no dia 19 de Maio, na vila de Cuba

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

Agenda para Maio, 2012 COLOMBO PORTUGUÊS

COLOMBO PORTUGUÊS de Manuel Rosa será publicado na Polónia em Maio 2012. De 9 até 15 de Maio Manuel Rosa estará na Polónia para o lançamento do livro.

16 de Maio às 15:30 Manuel Rosa estará na Academia Portuguesa da História onde fará uma palestra titulada «CRISTÓVÃO COLOMBO: MISTÉRIO, CENSURA E INVENÇÃO»

18 de Maio Manuel Rosa estará na Escola Secundária Francisco Franco, no Funchal, Madeira onde fará uma mesma palestra sobre o COLOMBO PORTUGUÊS seguida por uma sessão de autógrafos.

22 de Maio Manuel Rosa estará na Livraria Orfeu em Bruxelas onde fará uma palestra seguida por uma sessão de autógrafos



"22 de Maio, terça, às 18,30 h – Apresentação de Colombo Português – Novas Revelações, de Manuel Rosa (n. Açores e vive em Duhram, EUA). Esta é a mais recente obra deste historiador Luso-Americano que participou nos estudos de ADN aos ossos de Colombo em Espanha, fornecendo amostras de sangue de D. Duarte, Duque de Bragança. Manuel Rosa é o primeiro autor a apresentar novos documentos relacionados com o descobridor da América, que haviam passado despercebidos em Portugal por 500 anos e que é prefaciado pelo Professor Joaquim Veríssimo Serrão, o qual apoia estas conclusões" 


Joaquim Pinto Da Silva
Orfeu , Rue du Taciturne, 43 
1000 Bruxelles, Belgique 
www.orfeu.net / orfeu@skynet.be 

quinta-feira, outubro 13, 2011

COLOMBO PORTUGUÊS-NOVAS REVELAÇÕES, CASA DOS AÇÔRES, NOVA INGLATERRA

Manuel Rosa com Veríssimo Serrão, 2010
Novas Revelações do Colombo Português na Casa dos Açores
 
A apresentação do novo livro “Colombo Português-Novas Revelações” de Manuel Rosa terá lugar na Casa dos Açores da Nova Inglaterra (CANI) em E. Providence, RI, no dia 21 de Outubro, 2011 às 7:00 PM.

Esta é a mais recente obra deste historiador Luso-Americano que participou nos estudos de DNA aos ossos de Colombo em Espanha, fornecendo amostras de sangue de D. Duarte, Duque de Bragança. Manuel Rosa é o primeiro autor a apresentar novos documentos relacionados com o descobridor da América, que haviam passado despercebidos em Portugal por 500 anos.

Nascido na Madalena do Pico em 1961 e residente na cidade de Durham, Carolina da Norte, o autor tem desenvolvido uma vasta investigação de 20 anos sobre a vida de Cristóvão Colombo e publicado três livros em Portugal e Espanha. O “Colombo Português-Novas Revelações” com publicação prevista para lançamento em Maio 2012 na Polónia é prefaciado pelo Professor Joaquim Veríssimo Serrão, o qual apoia as conclusões de que Cristóvão Colombo era mesmo Português.

A apresentação do livro será feita pelo senhor Vitor Batista, responsável pela edificação das estátuas do grande Eusébio no Gillette Stadium em Boston e no Estádio da Luz em Lisboa.

O autor fará uma palestra titulada “O Vão de Cristóvão” seguida por um espaço para perguntas e respostas

Em seguida será servido um cocktail para posterior confraternização.

Entrada livre, todos são convidados.
 

Casa dos Acores da Nova Inglaterra (CANI)
160 Orchard Street

East Providence, RI
www.casadosacoresni.org

quarta-feira, outubro 27, 2010

A Esposa de Colón-Comendadora de Santiago

Aconteceu no dia 9 de Outubro na Biblioteca Municipal Manuel Teixeira Gomes em Portimão, Portugal - Provas da Mentira Histórica do “Colombo Italiano” palestra de Manuel Rosa
Na palestra intervieram ainda José de Matos Anastácio, em representação da Associação Cristóvão Colon, e Nuno Campos Inácio, autor do projecto http://www.genealogiadoalgarve.com/. Esteve também presente a deputada Antonieta Guerreiro

No dia 11 de Outubro, na Sociedade de Geografia de Lisboa, “A Esposa de Colon - Comendadora de Santiago” apresentada por Manuel Rosa
  
Foi entregue a Carlos Calado, Presidente da Associação Cristóvão Colon,  um brasão com as armas originais do Almirante Cristóvão Colon apresentado pela primeira vez no livro de Manuel Rosa em 2006.

No dia 14 de Outubro em Espanha, na Casa Museo Colón de Valladolid “La Esposa de Colón - Comendadora de Santiago” apresentada por Manuel Rosa.


Com a presença do Professor Luis Santos Dominguez, do investigador Manuel Rosa, do Professor Jesús Varela Marcos, da Professora Montserrat León e de José Antonio Quirce, da Rádio Onda Cero


segunda-feira, agosto 30, 2010

Mentiras de Colombo em Portimão e Valladolid

Cristóvão Colon – palestras do pesquisador e autor Manuel Rosa

CUBA, ALENTEJO – Provas da Mentira Histórica do “Colombo Italiano”, palestra na Biblioteca Municipal Manuel Teixeira Gomes (Portimão) promovida pela Associação Cristóvão Colon e a Câmara Municipal de Portimão, Sábado, 9 de Outubro pelas 18:30. Serão convidados Nuno Campos Inácio (Genealogia do Algarve), José de Matos Anastácio (Associação Cristóvão Colon) e Manuel Rosa que se desloca dos Estados Unidos para apresentar alguns resultados da sua investigação de 20 anos sobre o descobridor das Américas com uma sessão de autógrafos do seu novo livro COLOMBO PORTUGUÊS-NOVAS REVELAÇÕES (Esquilo, Lisboa, 2009).
A história de “Colombo” tem gerado enorme controvérsia durante séculos e ultimamente essa controvérsia tem ainda aumentado devido a vários factos novos que mostram uma história completamente diferente daquela que nos ensinaram na escola. Novas técnicas, como ADN e a Ciência Forense estão a derrubar ideias secularmente mantidas sobre o descobridor das Américas e agora tudo indica que “Colombo” não era afinal um plebeu italiano, mas sim um nobre português que trabalhava secretamente para D. João II em Castela.
Esta palestra irá mostrar, com factos sobre a genealogia de Filipa Moniz, esposa de “Colombo”, que a história contada era um verdadeiro “Conto de Fadas”. Manuel Rosa, historiador Luso-Americano que lança esta semana em Espanha um novo livro com titulo «COLÓN. La Historia Nunca Contada» apresentará em Portimão alguns resultados da sua investigação provando que era falsa a história que nos ensinaram.
Manuel Rosa, um membro fundador da Associação Cristóvão Colon, estará também na Sociedade de Geografia de Lisboa no dia 11 apresentando “A Esposa de Colombo - Comendadora de Santiago” palestra que será também repetida no dia 14 de Outubro em Espanha, na Casa Museo Colón de Valladolid. Apenas há alguns meses, no dia 15 Junho, Alfredo Pinheiro Marques, historiador português, apresentou na Casa Museo Colón, o tema “A Continuidade da Fraude Científica do ‘Colombo Português’, no Âmbito da Lamentável Situação da Historiografia Portuguesa nos Inícios do Século XXI” atacando os trabalhos de membros da Associação Cristóvão Colon. No dia 14 será a vez de Manuel Rosa responder na mesma Casa Museo Colón quem é que se baseia em factos e quem em fantasias. Quem se apoia em fraude e quem desvenda a verdadeira fraude.
A Genealogia do Algarve (www.genealogiadoalgarve.com) é um portal de genealogia, que pretende divulgar as relações familiares de todos aqueles que nasceram, casaram, viveram ou faleceram no Algarve. Realizado com o apoio dos Municípios do Algarve, já foram apresentados os dados relativos à freguesia de Portimão.
A Associação Cristóvão Colon, fundada a 20 de Maio de 2008, tem a sua sede na vila de Cuba e é uma associação sem fins lucrativos, absoluta e totalmente independente de quaisquer ideias ou organizações políticas, religiosas e/ou filosóficas, sendo apenas norteada pela sua finalidade. A finalidade da ASSOCIAÇÃO é defender, por todos os meios legítimos, a nível mundial, a Portugalidade do navegador CRISTÓVÃO COLON, promovendo a divulgação dos respectivos factos históricos e está, neste momento, preparando uma casa exposição «Centro Cristóvão Colon» que será inaugurado brevemente na Vila de Cuba.
Tags: Alentejo, Cristovão Colon, cuba


segunda-feira, agosto 09, 2010

“A Esposa de Colombo – Comendadora de Santiago”

 A Esposa de Colombo – Comendadora de Santiago

11 de Outubro de 2010
17:30
Conferência do Sr. Manuel da Silva Rosa, promovida pela Secção de História e subordinada ao tema:

“A Esposa de Colombo – Comendadora de Santiago”

Introdução a cargo do Dr. Rui Pinto, Presidente da Secção de História. Esta Sessão realiza-se na sede da SGL (Anfiteatro) no dia 11 de Outubro de 2010 pelas 17.30 horas.




quinta-feira, abril 15, 2010

SYMPOSIA: Scientific Excursions & Diversions “Christopher Columbus: A Spy Unmasked”

Duke Continuing Studies
April 27

Manuel Rosa will tell us about his research, which indicates Columbus knew exactly what he was doing! His lecture is titled “Christopher Columbus: A Spy Unmasked” and will be a bird’s eye view of the subject with new details that suggest a new perspective on the explorer.

http://www.learnmore.duke.edu/olli/courses/tuesdays.asp

sábado, março 06, 2010

VALE DO PARAÍSO - COLÓQUIO

No próximo dia 13 de Março, pelas 15,30h realiza-se na 'Casa Colombo' em Vale do Paraíso um Colóquio que assinala o 517º aniversário do encontro entre Colombo (Colon) e D. João II, que ocorreu na segunda semana de Março de 1493, quando o navegador regressou da sua viagem de descoberta.

COLÓQUIO:

- Apresentação da «Associação Cristóvão Colon»
- Cristóvão Colon e a estratégia nacional portuguesa (Ten. Coronel Brandão Ferreira)
- Porque passou Colon por Lisboa? (Engº. Carlos Calado)
- A personalidade de Cristóvão Colon (Ten. Coronel Carlos Paiva Neves)
- D. João II, o mais inteligente (Dr. Abel Cardoso)
- Poder, razão e emoção nas elites locais do século XV (Dr. José Machado Pereira)

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Conferência na Academia de Marinha - (parte II)

Parte II

O MESSIANISMO DE CRISTÓVÃO COLON

(Ten. Coronel Carlos Paiva Neves)


«Existem coisas que, para as saber, não basta tê-las aprendido»

Séneca

A versão oficial da história colombina retrata a figura do Almirante Cristóvão Colon como um plebeu de nome Cristoforo Colombo, natural de Génova que, nascido de pais pobres, tecedores e cardadores de lã, se veio a tornar no mais famoso de todos os navegadores do mundo, que descobriu as Américas, ao acaso, quando buscava a Índia, sem saber onde estava. Ao aprofundarmos o conhecimento sobre a vida e personalidade do navegador, que se revela em muitos casos, misteriosa e enigmática, também é verdade que somos determinados a inferir que estamos perante um homem com uma formação cuidada, dotado de profunda espiritualidade, de sentido messiânico e de uma vasta gama de conhecimentos. O propósito desta comunicação é desmistificar o estatuto de navegador ignorante e analisar alguns factos que evidenciam a manifestação afectiva ao serviço de Portugal.

Muitas vezes nos questionámos como seria navegar nos oceanos desconhecidos, sob o ponto de vista psíquico e emocional, evidentemente que não alcançamos uma resposta satisfatória, pois não conseguimos transportar o nosso consciente para o século XV. O Prof. Luís Adão da Fonseca oferece-nos uma descrição peculiar sobre o mar desconhecido:
«De facto o mar é o grande buraco, é negro, é escuro…É o espaço que separa a terra conhecida da terra não conhecida, que separa a terra habitada pelos homens pela terra não habitada, que nos separa do paraíso. Este conjunto de convicções, herdado de tempos anteriores que remontam às centúrias iniciais da Idade Média, atravessa todo o século XV, estando ainda vivo nos tempos de D. João II.»1
Este mesmo autor, sugere-nos a leitura dos textos de Cristóvão Colon onde esta coordenada aparece de forma expressa, e sendo assim, não podemos estar perante um curioso na matéria, ao invés, trata-se de um navegador que busca estes conhecimentos desde os primórdios da sua juventude. Nesta sequência, julgamos primordial o entendimento da política de sigilo dos descobrimentos no século XV, sobretudo desde o tempo do Infante D. Henrique até ao reinado de D. João II, para melhor contextualizarmos a envolvente de Cristóvão Colon. Por exemplo, o cronista Rui de Pina nada diz sobre a viagem decisiva de Bartolomeu Dias, mas relata com pormenor a chegada de Cristóvão Colon a Lisboa, no regresso da primeira viagem às Antilhas ao serviço dos Reis Católicos. Ainda o Prof. Adão da Fonseca refere que «de acordo com Jaime Cortesão existiu uma política oficial de sigilo a respeito do nosso esforço de descobrimento marítimo, e afirma que o esquecimento relativo a Bartolomeu Dias não pode deixar de ser o resultado da reserva a que eram sujeitas as expedições descobridoras.»2
Sabemos que esta temática não reúne consensos por parte dos investigadores, mas pela análise das fontes, interpretamos a política de sigilo como um pilar essencial na estratégia delineada pelos autores principais da expansão marítima, onde o Almirante Cristóvão Colon foi um actor destacado, como iremos analisar. Mas reforçamos esta tese da política de sigilo, com o parecer do Prof. José Manuel Garcia, referindo que no essencial, este procedimento estratégico existiu de facto, pois «enquadra-se de forma adequada numa política de “mare clausum”, que visava deter e garantir o exclusivo das explorações económicas resultantes das explorações geográficas que se realizaram ao longo do século XV e ainda em parte do século XVI.»3
Somos motivados neste momento por uma reflexão, na medida em que o empreendimento das descobertas marítimas não continham exclusivamente o estímulo económico, mas um outro vector de natureza espiritual, que Jaime Cortesão foi recolher no franciscanismo e á sua mística.
Como veremos, este vector franciscano atravessa a vida do Almirante Cristóvão Colon.
Todavia o autor da Política de Sigilo nos Descobrimentos Portugueses, não coloca a questão quanto á presença de Cristóvão Colon em expedições realizadas a S. Jorge da Mina? Recordemos que S. Jorge da Mina era uma feitoria estratégica para Portugal, sobre a qual Duarte Pacheco descreveu o seguinte: «na qual casa nosso senhor acrescentou tão grandemente o comércio que em cada ano se tiram dali por resgate, que vem para estes reinos de Portugal, cento e setenta mil dobras de ouro fino, e muito mais em alguns anos se resgata e compra aos negros que de longes terras este ouro ali trazem, os quais são mercadores de diversas nações […] Esta gente até agora fora gentios e já alguns são feitos cristãos.»4
Se até S. Jorge da Mina os portugueses poderiam navegar com costa á vista, a descoberta dos Açores seguiu uma metodologia diferente, facto que teria motivado outras expedições no Atlântico Norte. Sobre a descoberta dos Açores respondeu o Almirante Gago Coutinho que o «segredo político impediu que se contasse como os portugueses tinham chegado aos Açores. Uma só vez transpirou o segredo do descobrimento do arquipélago: na carta de Valsequa, isto é, dum Judeu converso de Maiorca, pertencente à mesma comunidade de religião e meio social do cartógrafo do Infante»5.
É interessante também notar que o Rei Cristiano I da Dinamarca, enviou às costas da Gronelândia, a pedido do rei Afonso V de Portugal, uma expedição de que faziam parte marinheiros portugueses. Como referiu Luís Ulloa, historiador peruano e investigador especializado nos temas do Descobrimento da América e na figura de Cristóvão Colon, «datas e testemunhos levam a pensar que Colombo fez parte dessa expedição»6, e o próprio Colon deixa-nos o testemunho: «tudo o que se navegou, também lá andei». Analisando esta sequência de factos, sugerimos então uma questão: Seria Cristóvão Colon parte integrante da estratégia sigilosa por parte da Coroa portuguesa? A carta enviada pelos Reis Católicos a Cristóvão Colon, em Setembro de 1493, portanto um ano antes da assinatura do Tratado de
Tordesilhas, expressa intenções para obtenção de informações sobre a eventual existência de ilhas e terra firme, mais ricas e proveitosas, os quais afirmavam que: «… sabemos que disto sabeis vós mais do que alguém, vos rogamos que logo nos envieis vosso parecer… por isso, por nosso serviço, vos rogamos que logo nos escreveis…»7. Nesta carta, os Reis Católicos expressam o seu conhecimento acerca do serviço que Cristóvão Colon prestou à Coroa portuguesa, no âmbito das navegações.
No capítulo do serviço e afectos prestados a Portugal, comecemos pela carta enviada por D. João II a Cristóvão Colon, em 20 de Março de 1488, em resposta à que o Almirante dirigiu ao Rei de Portugal, cujo teor se desconhece, mas que se constitui como uma peça fundamental para estabelecer ligações dentro deste processo histórico. Analisemos o teor da carta de D. João II, relevando os aspectos afectivos: «nosso especial amigo em Sevilha… vimos a carta que nos escreveste e a boa vontade e afeição que por ela mostrais terdes a nosso serviço, vos agradecemos muito… que vossa industria e bom engenho nos será necessário, nós a desejamos… e por tanto vos rogamos e encomendamos que vossa vinda seja logo e para isso não tenhais pejo algum…»8.
Quais foram então os supremos interesses de D. João II, para rogar ao seu especial amigo, que retornasse logo a Portugal, amigo este que demonstrou boa vontade e afeição pelo serviço em prol do monarca? O Almirante Gago Coutinho por ocasião de uma conferência na Sociedade de Geografia de Lisboa, sobre as múltiplas versões falsas criadas por leigos da náutica, referiu que Cristóvão Colon «tantas vezes embarcou com os portugueses e se limitou a fazer como os outros navegadores ocidentais».9
Bartolomé de Las Casas reforça este aspecto na História das Índias, indicando que Colon «navegou algumas vezes aquele caminho (o do Ocidente) em companhia dos portugueses como pessoa já residente e quase natural de Portugal.»10
Segundo a versão oficial, Cristóvão Colon descobriu o Novo Mundo por acaso e sem saber onde estava, no entanto esta tese não nos parece de todo plausível, pois o Almirante adquiriu experiência desde muito cedo, nas navegações Atlânticas, perfeitamente inseridas em missões portuguesas.
No regresso da primeira viagem realizada às Antilhas, em Março de 1493, desloca-se a Vale de Paraíso, onde se encontrava o Rei D. João II, antes de dar a boa nova aos Reis Católicos, cujas ocorrências são registadas no seu diário de viagem, e nessa célebre entrevista pode-se analisar o ambiente afectivo existente entre o Rei português e o Almirante: «…o Rei o recebeu com muita honra, e lhe fez muito favor, mandou sentar e falou muito bem, oferecendo-lhe que lhe mandaria fazer tudo o que aos Reis de Castela e a seu serviço cumprisse…»11, «…hoje, depois da missa, voltou a dizer-lhe o Rei, se tinha necessidade de algo que logo se lhe daria, e conversou muito com o Almirante sobre a sua viagem, e sempre lhe mandava estar sentado e fazer muita honra…»12, «hoje se despediu do Rei, e lhe disse algumas coisas que dissesse da sua parte aos Reis, mostrando-lhe sempre muito amor. Partiu depois de comer, e enviou com ele, D. Martinho de Noronha, e todos aqueles cavaleiros o vieram acompanhar e fazer honra…»13.
De regresso de Vale Paraíso, visitou o mosteiro de Santo António em Vila Franca de Xira para apresentar as suas homenagens à rainha D. Leonor de Portugal, que mostrava muito desejo de o ver. Que laços familiares poderão estar escondidos, entre a Rainha de Portugal e o Almirante?
Ainda outro episódio tangível ao sentimento patriótico, ocorreu no Verão de 1502, após iniciar a quarta viagem. O Almirante foi informado de que uma fortaleza em Arzila se encontrava sitiada pelos mouros, ordenando que fossem em auxílio dos portugueses que se encontravam em apuros. Cristóvão Colon «tinha uma relação afectiva forte com os portugueses, e partir para as Índias sem acorrer em seu auxílio teria sido impensável… O almirante enviou a terra o seu irmão Bartolomé Colombo e Fernando, juntamente com os capitães dos navios, para se encontrarem com o capitão de Arzila, que tinha sido ferido pelos mouros num combate. O comandante português retribuiu a gentileza de modo cortês.»14
Tudo isto é vivido num ambiente messiânico profundo e enquadrado numa grande influência franciscana, que está patente desde o reinado de D. João I, até ao reinado de João II. A espiritualidade e a cultura intelectual são protagonizadas por frades franciscanos.
O Prof. Aurélio de Oliveira refere que «o espírito descobridor de Portugal revestiu-se também, graças à tendência espiritual que o cristianismo franciscano tomou entre nós, de sentido missionário»15
O espírito de S. Francisco foi objecto de uma devoção amplamente difundida e enraizada na Corte de Portugal, bem patente a partir dos finais do século XIV até aos primórdios do século XVI. Veja-se por exemplo, que após a entrevista concedida pelo Rei D. João II, a Cristóvão Colon, já citada, o monarca «se refugia (será este o termo adequado?) em Torres Vedras, em cuja região está desde o final de Março até finais de Setembro...»16.
Nesta localidade está situado o convento do Varatojo, de devoção franciscana, mandado construir por D. Afonso V. No ano seguinte, em 1494, é assinado o Tratado de Tordesilhas. Estaria então o Rei D. João II em recolhimento franciscano para planear estrategicamente a assinatura do referido Tratado? Foi neste ambiente das viagens empreendedoras concretizadas pela Ordem de Cristo, que Cristóvão Colon recebeu influência, e nelas faziam parte os frades franciscanos que «levaram a palavra de Cristo, pelos conselhos evangélicos, concretizando assim um dos ideais portugueses ao partir: levar a Boa Nova a todas as gentes e tornar Jesus Cristo conhecido em todos os locais!»17
O franciscanismo de Cristóvão Colon está bem identificado nas suas palavras e comportamentos, que denotam uma formação religiosa muito precoce de natureza perceptoral. Notemos alguns registos demonstrativos: «… porque era muito devoto de S. Francisco, vestiu-se de pardo… ao tempo que chegou cá, vestido quase como frade de S. Francisco.»18; «...sempre foi devoto da Ordem do bem-aventurado Santo Senhor S.
Francisco e com o seu hábito morreu...»19; «É bem patente a importância do vocabulário afectivo, sensível e inclusive a experiência mística: “Deus me abriu a vontade, este fogo, esta luz”. Reconhece-se que nos planos teológico e filosófico tinha uns conhecimentos próprios da elite secular»20.
Foi dentro desta tipologia do secular, própria dos membros da Ordem Terceira, que pretendeu situar-se Cristóvão Colon, chegando mesmo a definir-se como “leigo não letrado”. O seu saber é demonstrado pelo saber empírico, em que insistiam especialmente, os franciscanos e os professores universitários nominalistas21.
Na carta dirigida aos Reis Católicos, em 1501, escreve: «Ó Senhor que quisestes ter em segredo tantas coisas aos sábios, e revelaste-as aos inocentes…»22
Em alguns textos de Cristóvão Colon, o não letrado e ignorante, pode por revelação divina, conferida pelo Espírito Santo, ensinar os sábios, porque, conforme é referido na mesma carta: «o Espírito Santo obra em Cristãos, Judeus, Mouros e em todos de outras seitas, e não só nos sábios, mas nos ignorantes…»23.
A mentalidade messiânica de Colon estava imbuída de um espírito de cruzada, como atesta: «… a razão que tenho é a restituição da Casa Santa, isto é, Jerusalém…»24, e com uma base de conhecimentos alargada em, cosmografia, história, crónicas, filosofia, e outras artes, com influência de gente sábia, eclesiásticos, seculares, latinos e gregos, judeus e mouros, e com outros de outras seitas, conforme o próprio regista nessa mesma carta. Relembremos que a ciência medieval, a cosmografia, astrologia, geografia, medicina, alquimia, foram muito protagonizadas pelos franciscanos em Portugal, sendo de todo plausível que Colon tivesse recebido os seus ensinamentos.
Os conhecimentos de Colon são ainda atestados pela riqueza de citações no seu Livro das Profecias, de «Aristóteles, Plínio, Séneca, Estrabão, Ptolomeu, Esdras, Escoto, Beda, Pedro
Comestor, Pedro de Alíaco, Eneas Sílvio, Marco Pólo. Os livros de cabeceira seriam os de
Ptolomeu, Pedro de Alíaco e Marco Pólo, além das Sagradas Escrituras e das lições dos
Santos Padres, Santo Agostinho, Santo Ambrósio, Santo Isidro, S. João Crisóstomo.»25
Citando o Prof. Alain Milhou «a consciência e cultura messiânica de Cristóvão Colon, inscrevem-se fundamentalmente na trajectória do franciscanismo joaquimita.»26
Em Portugal, esta corrente está relacionada com o culto do Espírito Santo iniciado com a rainha Santa Isabel e que actualmente ainda é festejado nos Açores, nas festas do Divino
Espírito Santo e em Tomar na festa dos Tabuleiros. «A larga permanência em Portugal teve também a sua importância na formação do messianismo colombino, não tanto para o tema
de Jerusalém, presente na mente cavaleiresca de D. Afonso V, mas na luta contra o Islão e
a aliança com as cristandades ocultas e do misterioso Prestes João. Conservando a recordação da gesta portuguesa, não vacilaria Colon, na relação da sua terceira viagem de
1498, em dar aos Reis Católicos o exemplo dos Reis de Portugal que mantiveram com grande gasto, servir a Deus e acrescentar seu senhorio…»27.
Julgamos que na sua permanência em Portugal, Colon recebe influência de D. Afonso V, que de acordo com Rui de Pina: «era amigo das letras e honrava os que as sabiam, e foi o primeiro Rei que faz livraria em seus Paços, no que se parecia com seus tios, o Rei D. Afonso de Nápoles e com o Infante D. Pedro»28.
A Enciclopédia Espasa refere que os «portugueses eram, então, os navegadores mais hábeis e empreendedores da Europa, e entre eles pode Colombo ter adquirido todo o conhecimento e perícia que revelam seus feitos posteriores.»29
Ainda recentemente o Professor Juan Gil, da Universidade de Sevilha e perito em estudos
Colombinos, atribui à sua permanência em Portugal a seguinte visão: «… Este ambiente excitante e exótico, cheio de grandiosos projectos enriquece a sua experiência e possibilita
o descobrimento, pois quando se estabelece em Espanha… Colombo dispunha de um amplíssimo caudal de conhecimentos em mundos e mares… e esta etapa portuguesa é tão decisiva que marca indelevelmente a mentalidade do Almirante, que morre acreditando ter alcançado o seu sonho (das Índias), um sonho próprio de um português e que só a um português estava reservado.”30
O Almirante Cristóvão Colon tinha um outro comportamento que merece análise cuidada, fazia algumas vezes o juramento a S. Fernando, «quando alguma coisa de grande importância nas suas cartas queria com juramento afirmar…»31.
Fomos pesquisar sobre S. Fernando, e identificámos o Rei Fernando III de Castela, «falecido a 30 de Maio de 1252, aos 53 anos de idade, que foi canonizado a 16 de Agosto de 1673» 32. Porém, confrontamos a análise do Prof. Alain Milhou, que colocou a hipótese remota, de se tratar do Infante Santo de Portugal, cujo martírio foi profundamente sentido na sociedade portuguesa e especialmente vivido por seu sobrinho o Rei D. Afonso V. «Santo lhe chamaram, e chegou a ter culto na Batalha, na igreja de Nossa Senhora da Oliveira em Guimarães, e provavelmente também em Lisboa, da última metade do séc. XV até fins do XVII.»33
Este facto não deve ser desligado das fortes ligações afectivas que Cristóvão Colon tem com
Portugal e os portugueses.
Julgamos ter evidenciado um conjunto de argumentos que fazem denotar um messianismo em Cristóvão Colon, baseado numa sólida formação filosófica, religiosa e científica, integrada numa influência espiritual dos Descobrimentos Portugueses. A propósito, o investigador italiano Ruggero Marino, sugere-nos as seguintes reflexões: «É credível a empresa de um obscuro e ignorante marinheiro que não sabe nada, mas que adivinha tudo, que frequenta a Corte do Rei de Portugal…? Em Portugal onde casa com uma nobre donzela? Que é recebido pelos Reis Católicos e consegue credibilizar a sua estratégia? Que contacta com monges e cardeais? Que se corresponde com Toscanelli?»34
Torna-se pois, imperioso estimular as mentalidades científicas para a pertinência da investigação académica em torno da personalidade e do pensamento de Cristóvão Colon.
Este estímulo é reforçado pelo Prof. Joaquim Veríssimo Serrão, que nos revela o seguinte:
«Entre as obras que deixo inacabadas para o prelo, figura uma com o título Cristóvão Colombo e Portugal, que coligi com boa cópia de argumentos, nos últimos vinte e cinco anos. São uma dúzia de ensaios históricos que dizem respeito á história portuguesa entre os anos de 1470 e de 1510. Devo confessar que, para a melhoria do texto em muito contribuíram as investigações que Manuel da Silva Rosa teceu acerca do descobridor do Novo Mundo, num esforço de revisão que merece o qualificativo de sério e diligente…
Mas o novo autor segue com idêntico e, embora, a nosso ver, não prove definitivamente a nacionalidade lusa de Colombo, avança com argumentos que impõem ponderação e estudo.»35
Gostaríamos de finalizar com as palavras e a elevada admiração que nutrimos pelo
Almirante Gago Coutinho: «Enfim, sem diminuir Colon, a verdade é que, da sua nebulosa e aventurosa vida, só se apura o que ele fez como navegador: E, como tal, Colon foi, inquestionavelmente, português.»36
1 Luís Adão da Fonseca, “D. João II – Reis de Portugal”.
2 Idem
3 Prof. Dr. José Manuel Garcia, Prefácio “A Política de Sigilo nos Descobrimentos Portugueses” de Jaime Cortesão.
4 Jaime Cortesão, “A Política de Sigilo nos Descobrimentos Portugueses”.
5 Idem.
6 Luís Ulloa, 1927, facto confirmado pelo director da biblioteca de Copenhaga, Sofus Larsen.
7 Carta de 5 de Setembro de 1493, dos Reis Católicos a Colombo.
8 Joaquim Veríssimo Serrão, “Itinerários de El-Rei D. João II”, Academia Portuguesa da História.
9 Diário da Manhã, 17 de Dezembro de 1944 – conferência de Gago Coutinho.
10 Eduardo Pereira, “Cristóvão Colombo em Porto Santo e na Madeira”.
11 Joaquim Veríssimo Serrão, “Itinerários de El-Rei D. João II”, Academia Portuguesa da História; Cf. Diario del
Primer Viaje, estudo citado, p. 136.
12 Idem.
13 Idem, pág. 136-137.
14 Martin Dugard, “A Última Viagem de Colombo”.
15 Aurélio de Oliveira, “Os Descobrimentos Portugueses, Vol II, pág. 472, citado em Coordenadas espirituais na Génese
da Expansão – Os aspectos místico-religiosos na tese de Jaime Cortesão”.
16 Luís Adão da Fonseca, “D. João II – Reis de Portugal”.
17 Manuela Mendonça, “O Franciscanismo em Portugal – Séc. XIII-XVI”.
18 Bartolomé de Las Casas, História das Índias.
19 Raccolta[55], parte II, Vol. 1, p. 207.
20 Alain Milhou, Cristóvão Colon “Modelo “idiota” que ensina os sábios”.
21 Fundadores do nominalismo, os franciscanos Duns Scoto (m.1308) e Guilherme Occam (m.1349).
22 Carta de Cristóvão Colon aos Reis Católicos, Livro das Profecias, 1501.
23 Idem.
24 Idem.
25 Cristóvão Colombo – Carta do Achamento das Antilhas (15 de Fevereiro/14 de Março de 1493, Prof. Doutor Manuel
Viegas Guerreiro.
26 Alain Milhou, Cristóvão Colon “Modelo ‘idiota’ que ensina os sábios”.
27 Relação da Terceira Viagem [65], fol. 2 r.
28 Reis de Portugal - D. Afonso V, Saúl António Gomes.
29 Enciclopédia Espasa – Enciclopédia espanhola do século XX.
30 Idem, citação do Prof. Juan Gil da Universidade de Sevilha.
31 Bartolomé de Las Casas, Historia das Índias.
32 Santos de Cada Dia, II volume, pp. 110 e Catholicisme, Tomo IV.
33 Enciclopédia Luso-Brasileira.
34 Ruggero Marino (Investigador Italiano).
35 Prefácio de Joaquim Veríssimo Serrão, em Colombo Português, Manuel da Silva Rosa.

terça-feira, fevereiro 16, 2010

Conferência na Academia de Marinha - (parte I)

Parte I
CRISTÓVÃO COLON E A ESTRATÉGIA NACIONAL PORTUGUESA
(Ten. Coronel Brandão Ferreira)
“Não queirais ser genoveses mas sim muito portugueses”
Gil Vicente
Creio que todos os estudos sobre a figura e feitos de Colon deverão começar por o situar na época em que viveu fazendo-se uma análise geopolítica e geoestratégica dos cenários mundiais, de então, que interessem ao objecto do estudo. Tal é fundamental para se enquadrar e entender tudo o que se passou e exorcizar de vez a injusta frase de Winston Churchill sobre Cristóvão Colon : “Não sabia para onde ia, nunca soube onde estava e tudo isto feito com o dinheiro dos contribuintes”. Ora Colon sabia muito bem para onde ia, soube sempre onde estava e, para mim, quanto mais dinheiro gastasse ao contribuinte espanhol, melhor!
Quero lembrar que os factores mais importantes e estáveis da Geopolítica – disciplina praticamente ignorada em Portugal – são a Geografia e o carácter do povo. A geografia não muda e o carácter do povo, muda muito devagarinho, quando muda. Por outro lado a Estratégia tem a ver sobretudo com os conflitos e ameaças, isto é, a aplicação do Poder.
Portugal é a Nação mais antiga da Europa, e, possivelmente, do mundo (lembro que o Japão é uma ilha e só foi unificado depois dos portugueses lá terem introduzido a arma de fogo). O Condado foi individualizado “de facto”, em 1128, por Afonso Henriques e estava formado como Estado-Nação no reinado de D. Dinis. É neste reinado que se fixam as fronteiras; que se funda a Universidade, que se cria a Marinha de Guerra, e até o Exército, com os besteiros de conto, a título permanente; se estatui que todos os documentos oficiais sejam escritos em português, e não em latim, como era até então; se reorganiza a economia, a defesa e a organização do território e até se instituiu uma espécie de religião própria dos portugueses: o culto do Espírito Santo.
A Nação portuguesa tem ainda uma matriz mística e escatológica que nos vem de Ourique e tem raízes na Ordem do Templo e se prolonga na Ordem de Cristo. São estes fundamentos, mais do que as especiarias; que nos levaram ao Oriente, tentando o encontro e a união dos Cristãos do Ocidente com os daquelas partes.
Todo este “edifício” sofreu um forte abanão com a crise de 1383-85, mas saiu reforçado no fim dela e com a noção da necessidade de se conseguir apoios exteriores à Península Ibérica de que a Aliança Inglesa é, ainda hoje, a prova desse corolário.
Em 1411, após a paz com Castela pôs-se a questão do que fazer: basicamente havia duas vertentes: a expansão na Andaluzia em direcção a Granada, ou pôr pé em África. Foi esta segunda hipótese que vingou, e logo de seguida começaram as navegações de descoberta marítima para o Atlântico Sul e Central.
“É muito perigoso ter razão em assuntos sobre os quais as autoridades estabelecidas estão completamente equivocadas.”
Voltaire
Portugal era, pois, em meados do século XV uma nação cheia de força e estava à frente de qualquer outro país nos campos da cartografia, arte de marear, astronomia, construção naval, armamento, fortificação, estudo dos ventos e marés, etc., etc..
O nosso problema geopolítico maior era o de garantir a individualidade face à poderosa vizinha Castela – como, aliás, nunca deixou de ser até hoje – em processo acelerado de unificação de todo o território que se veio a denominar, em 1492, de Espanha. Como já dizia Zurara, “por um lado nos cerca o mar e por outro temos muro no reino de Castela”.
As potências do Norte da Europa ainda lambiam as feridas das contendas internas e entre elas, e eram alheias ao Atlântico Central e Sul. As Repúblicas Italianas preocupavam-se em estabelecer zonas de influência no Mediterrâneo e em manter comércio com o Levante e o centro e norte da Europa. O Papa tentava um equilíbrio entre os estados italianos e as potências que os queriam dominar: a Espanha, a França e a Áustria.
O Império Turco expandia-se rapidamente e com alarme, tendo conquistado Constantinopla, em 1453, alargando-se em todo o Médio Oriente e no Mediterrâneo Oriental.
A Sul havia a ameaça moura e berbere. A pirataria e o corso abundavam e também perturbavam a navegação portuguesa.
Portugal era o único país onde se mantivera o ideal de cruzada – um exército preparado por D. Afonso V para ajudar o Papa é desviado para conquistar Arzila e Tanger, em 1471, após o apelo daquele ter ficado sem efeito, é disto exemplo eloquente.
Portugal tentava uma expansão constante no Norte de África e navegava para Sul contornando o continente africano e aventurava-se cada vez mais no Atlântico Central, Sul e Ocidental.
A estratégia nacional ao tempo de D. João II, pode-se resumir na:
- manutenção da autoridade real e segurança interna do Reino;
- defesa da rota da Guiné;
- busca da rota da Índia através do contorno de África;
- neutralidade atenta na Península;
- relações privilegiadas e de reciprocidade com a Santa Sé; (abolição do Beneplácito Régio, em 1487);
- comércio e presença diplomática na Europa do Mar do Norte, impedindo o acesso dos seus marinheiros às nossas rotas, a Sul;
(tratado de aliança com Carlos VIII de França, em 1495 e confirmação do Tratado de Windsor, em 1489, por exemplo);
- política de segredo em relação a tudo o que se relacionasse com as Descobertas.
Com a descoberta de riquezas no Golfo da Guiné (ouro, escravos e malagueta) o que levou à construção do Castelo da Mina, em 1482, estas atraíram a cobiça dos castelhanos. Por esta altura negociou-se o Tratado de Alcáçovas/Toledo assinado em 1479/80. Neste tratado, efectuado na sequência da derrota política de D. Afonso V que o empate da batalha de Toro, em 1476, consumou, acordou-se:
- pazes entre Portugal e Castela;
- a aceitação, por Portugal, de Isabel como herdeira do trono castelhano;
- o casamento de Isabel, filha dos reis católicos, com o herdeiro português, o infante D. Afonso, de que as Terçarias de Moura, constituíram um penhor;
- a cedência da soberania das Canárias, a Castela, em troca da expansão portuguesa em Marrocos (reino de Fez);
- uma linha, que passava no paralelo das Canárias, estando a navegação para sul da mesma, reservada a Portugal (foi por isso que Colon na sua 1ª viagem navegou para oeste ao longo deste paralelo).
SLIDE 13
Ora, o objectivo perseguido pelos portugueses era o de chegar à Índia e ao Reino de Prestes João (a actual Etiópia) e as informações que se foram acumulando, levavam a crer que o modo mais rápido de lá chegar era por Oriente. Tais dúvidas desapareceram, quando Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança, em 1487, e as notícias da expedição por terra ao Oriente, de Afonso da Paiva e Pêro da Covilhã, chegaram a Lisboa, em 1491 (esta expedição foi antecedida da de Frei António de Lisboa e Pedro de Montarroyo, ao oriente, tendo estes chegado a Jerusalém e regressado por não dominarem o árabe).
As expedições marítimas sucederam-se em todas as direcções, havendo notícias dos portugueses terem chegado ao continente americano, muito antes de Colon. Tudo era mantido no maior segredo (cujas principais leis foram decretadas em 1481). Porém, os castelhanos continuavam interessados no comércio da Guiné, violando o tratado acordado e, apesar das pazes, os Reis Católicos apoiaram as tentativas de golpe de estado dos Duques de Bragança e Viseu, juguladas por D. João II. Ou seja tudo estava incerto.
É aqui que entra Colon, e é por esta altura que se deve ter dado a ocultação do seu nome atrás do pseudónimo. Um dos mistérios que continua por resolver.
E a estratégia – trata-se de uma estratégia extraordinária! - Que se encaixa perfeitamente na tese de um Colon português ao serviço do Rei de Portugal – era a de convencer os espanhóis que se poderia atingir a Índia por Ocidente, fazendo-os desistir de nos incomodarem naquilo que andávamos a intentar.
SLIDE 14
Quando Colon dá a notícia, em primeira mão – note-se – a D. João II no regresso das Antilhas, em Março de 1493, desenvolveram-se, de imediato, várias jogadas no tabuleiro geopolítico da altura: D. João II reclama a soberania das novas terras, alegando que estas estavam em zona portuguesa e mandando aprontar uma esquadra, comandada por D. Francisco de Almeida, para tomar posse delas. Julga-se ter sido um “bluff” para forçar os espanhóis a negociações, o que ocorreu no mês seguinte.
A corte espanhola não estava, porém, inactiva, já que convenceu o Papa Alexandre VI a publicar duas bulas, a “Inter Coetera I” e “Eximus Decotinis”, de 3 de Maio de 1493, que anulavam as doações pontificas a Portugal, para ocidente; e ainda a “Inter Coetera II”, do dia seguinte, em que se deslocava para 100 milhas a oeste de Cabo Verde, o meridiano, para além do qual a navegação estava reservada a Espanha; as coisas ainda pioraram para Portugal quando o mesmo Papa dez publicar a bula “Dudem Siquidem”, de 26/9/1493, em que anula tudo o que está a favor de Portugal. Até que os diplomatas portugueses conseguiram convencer os delegados espanhóis a assinarem o Tratado de Tordesilhas, em 7 de Junho de 1494, sem estes se aperceberem – por não terem modo de saber que estavam a comer gato por lebre. Magistral jogada esta que permitiu garantir a posse para Portugal do Brasil e da Terra Nova, já que a linha de meridiano que passava a 100 léguas a oeste de Cabo Verde foi estendida para 370 léguas.
SLIDE 15
Ainda por cima o tratado foi abençoado por um Papa (Bórgia) por ironia do destino de origem espanhola – a fonte de Direito Internacional da altura.
Os espanhóis, esses, só deram pelo embuste – embora até hoje o não reconheçam! – quando Vasco da Gama regressou de Calicut, em 1498.
“A História é património comum. Por isso, não devemos deixá-la cair em más mãos”.
Georges Duby
(filósofo francês, em entrevista concedida ao “L’Éxpress” de 14/2/92)
Deste modo se conseguiu, definitivamente, afastar os espanhóis do caminho da Guiné e da Índia, embora não se pudesse intuir, na altura, que o prescrito no tratado nos reservasse o conflito sobre as Molucas, ao passo que facilitaria a expansão para Oeste, no Brasil, ao tempo da Coroa Dual.
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Por tudo isto e muito mais não se entende porque em Portugal há tanta resistência em tratar este tema, sobretudo por parte das autoridades políticas, e académicas.
Mas isso é um assunto que deixarei para a discussão final.